31 dezembro 2014

Ganhei o ano!

Recebi umas cuecas fio dental azuis da minha sogra para me dar sorte (WTF???). Consegui, no último dia do ano, partir um dos "copos da quermesse"! 
Nailed it! 

Que seja doce...

Que seja de começos, de recomeços, de finais, de princípios, de sorrisos, de lágrimas, mas sobretudo, que seja de vida. 
"Então, que seja doce"! 
Foi um Feliz Ano Velho. Que seja um Feliz Ano Novo. 

30 dezembro 2014

Eu sabia que tinha alguma coisa de errada

"Enquanto somos crianças, vamos aprendendo as regras básicas da vida em sociedade. A escola, os pais, a família alargada, as pessoas que nos rodeiam, vão transmitindo (espera-se!) aquilo que são os princípios de convivência social. Uma espécie de dez mandamentos em versão cívica. Não matarás, não roubarás, não comerás com os cotovelos em cima da mesa. E como diria o outro, e muito bem, it takes a village.

À medida que vamos crescendo, é necessário aprender a dominar outras linguagens para não sermos triturados por uma comunicação mal sucedida. Encontrarmos a melhor forma de lidar com o Toninho do 9ºC, que decidiu ir-nos à tromba (agora chama-se bullying, tenho de me actualizar), saber como cantar a canção do bandido à Sara Marisa das mamas grandes, dizer as palavras certas ao nosso chefe para nos mantermos à tona lá no trabalho. Isto implica conhecer os códigos de conduta, dominar a linguagem não verbal e saber como, aqui e ali, desferir um soco rápido rezando para que seja suficiente (mais no caso do Toninho, se ele não vier com os amigos).
Para quê esta reflexão aturada e profunda? Bem, porque quando temos putos, passamos a jogar um campeonato ainda mais complexo e impiedoso: a etiqueta parental. Passo a explicar. Se o puto está a brincar no parquinho enquanto um gajo lê o jornal no banco mais próximo, e no mesmo parquinho também está o pequeno Sancho com a mãezinha, temos uma situação sensível de etiqueta parental a cumprir, ou a desrespeitar. Começamos logo por aí. Um tipo não pode estar placidamente a ler o jornal enquanto o puto brinca, ainda que, claro está, com um olho no burro e outro no cigano. Naaão. Temos que estar à beira do petiz, perscrutando cada movimento à procura do mínimo sinal de alarme. Fica aqui ao pé da mãe, amor. Olha o buraco. Não subas que é alto. Não desças que é baixo. Anda beber água. Anda comer o pãozinho. Não vás para aí. Olha que cais. E ao fim de um bocado, esse olhar perscrutador já anda em busca do progenitor desnaturado que não está, como ela, de olhos fixos no puto.
E se, nesta fúria protectora, o puto cai e começa a chorar, e um gajo ainda demora uns segundos a dobrar o jornal? Ui. Um gajo parece um pária, um excluído do mundo dos progenitores. Como pode o petiz estar mais de 1,5 segundos desamparado? (para não falar das multas da brigada do ai-jesus por o puto andar de triciclo sem capacete e joelheiras e luvas e o camandro).
Mas não ficamos por aqui. Obviamente que o pequeno Gui não pode estar simplesmente a brincar; tem de beber água, comer um lanchinho, uma lambarice. E o nosso puto também vai querer, claro. E depois lá tem um gajo que interromper novamente a leitura para dizer que não, obrigado, o puto já comeu e não quer um danoninho ou um bocado de bollicao ou beber da água do pequeno Caetano. Ou então interromper a mãezinha que, sem perguntar nada, tomou ela própria a iniciativa de dar suminho ao menino, coitadinho que também quer. Acho que vou por uma placa ao pescoço do rapaz: É FAVOR NÃO ALIMENTAR O PUTO.
E depois a pièce de résistance. Qual é a coisa mais provável de acontecer entre putos de 3 ou 4 anos quando estão a brincar? Isso mesmo, andar ao sopapo.  Mas atenção às subtilezas. Se se engalfinham, é obrigatório intervir, mesmo que não chorem, mesmo que pareçam estar a resolver a coisa entre eles. Um dos motivos mais frequentes? O Matias é incapaz de sair de casa sem um monte de carrinhos e bonecos e o raio que depois servem de pomo da discórdia. Irra. Vão para a rua, levem os sapatos. Ponto. Uma versão dos sopapos é o pequeno Vicente ser um estuporzinho litigante que distribui porrada por dá cá aquela palha, e que tem uma correspondente mãezinha que não vai além do então, amor, não se faz… pede desculpa ao menino… e que só acalma com um evil eye que diz fazes isso outra vez e levas no focinho. Muito útil, essa técnica, recomendo. Mas sempre numa altura em que a mãezinha não esteja a olhar, não queremos cá incidentes diplomáticos. Deus nos livre. " 

pelo Pai Anónimo, no Eu, Mãe, aqui

(estava a ler isto, que supostamente é a versão masculina e caiu-me a ficha que sim, de facto, devo ter um défice qualquer, hormonal ou assim, será grave? É que me revi neste texto não no lado da Mãe fofinha mas no do Pai Anónimo, óh-meu-deus-não-sou-fófinha!!!! Já agora, confirmo que o olhar de "volta a fazer isso levas e no focinho faz ma-ra-vi-lhas!) 

E a "Maria Capaz"?

Fui ver o que era a "Maria Capaz". Ou quem era. Diz que "Maria Capaz é uma plataforma de ideias, um espaço  de afirmação da mulher portuguesa e de discussão da condição feminina a nível global, analisando a actualidade informativa e dando palco a todas as mulheres, conhecidas e anónimas que tenham trabalhos válidos e que pretendam dar-lhes visibilidade."  
Tinha tudo para correr bem, até ler ali a palavra "condição". Condição feminina?!?! Estamos no século XXI, vivemos num País onde felizmente as Mulheres são tratadas em pé de igualdade (ou pelo menos, assim reza a lei). Posso conduzir, posso dar a minha opinião, posso votar, posso estudar, posso ter filhos, posso não ter filhos, posso casar-me, divorciar-me, viver junta, viver sozinha, usar calças, usar soutien, queimá-lo se me der na telha, posso, basicamente, fazer o que me apetecer dentro dos limites da vida em sociedade e da lei. Somos um dos países onde a taxa de literacia feminina é muito superior à masculina. Se a vida é mais injusta para as Mulheres? Sem dúvida! Se a vida é bem mais fácil no lado XY? Acredito que sim. Se, infelizmente, há muitos sítios do planeta onde as Mulheres são tratadas como seres inferiores ou com um futuro muito definido, castrador ou limitado? Sim, infelizmente há. Mas não na realidade Portuguesa que eu conheço e aqui faço a ressalva da realidade em que eu felizmente vivo (assim como aquelas duas peças que fizeram a plataforma online, não me lixem). Claro que o Chefe fica de trombas porque a canalha está doente e até costumam chamar a Mãe primeiro (felizmente não me acontece que a minha Chefe até é muito compreensiva), claro que se uma Mulher tem sucesso vem logo a piadinha que ali chegou a troco de favores de uma certa ordem e não por mérito. Mas nós Mulheres, não fazemos também esse género de piadas, juízos de valores? Sim, fazemos e até somos, se quisermos, muito piores. Cabe a cada uma defender-se, lutar pelo que quer e vingar. E isto é válido para XX e XY. Esta coisa toda só me faz lembrar as paradas gays, que eu acho ridículas... Eu não tenho nada a ver com a sexualidade de cada um, nem tão pouco me interessa se gostam de homens, se de mulheres, se de ambos. Não me diz respeito, é do foro privado e pessoal de cada um, manifestar isso porquê? Sim, todas somos Capaz. Mas serão os ensaios literários ou fotográficos a fazer-nos mais Mulheres, mais capazes? Talvez não, talvez isso se faça no dia-a-dia, no que  cada uma escolhe fazer da vida e com ela, sendo que tão Capaz é uma Mulher que decide ser Mãe, cuidar dos Filhos e educá-los em casa, como aquela que decide não o ser e é CEO de uma qualquer empresa. Já passamos a fase de queimar soutiens... Porque, enquanto nós Mulheres acharmos que há qualquer coisa para afirmar, para manifestar,  é porque ainda nós próprias nos achamos inferiores, nos consideramos menos capazes. Somos diferentes, mas isso, somos todos uns dos outros... homens ou mulheres. Eu não tenho uma "condição feminina", eu sou Mulher. 


29 dezembro 2014

Devo estar com os pés para a cova e ninguém me avisou.

Fui ver os saldos (online gente, online, que a vida no campo não se compadece com idas a shoppings, que cá não há disso, esses luxos consumistas do demos (uáiiii, uáaaaai????) …). Vi uma série de coisas, todas giras e algumas, seu doido Tio Ortega que está um mãos largas, 10 euros mais baratas, outras 7, outras 2, 2 euros a menos!!! Tanta pechincha, os meusjólhos quase se vidraram de moção com tal bondade. Maneiras que sim, vi muita coisa e no final do meu passeio virtual, fechei a página e disse: 
"oh... não preciso de nada….". 
Está bem então, devo estar meia falecida ou assim e ninguém teve a bondade de me avisar. 

E então, qual é o mood para a vaga de frio, hein?


 Óh Mãe fazias-me era rica, pá!

Dos dias.

Todos (quase, vá) têm grandes resoluções para o ano que vem: ser mais saudável, correr uma meia maratona, viajar, poupar mais, ser feliz e beber caipirinhas (ou gin, que está na moda) ao luar com uma fogueira na praia e mimimimi. À minha volta, parece que toda a gente está resolvida da vida, resolução para cima e para baixo. Ouvir mais que falar. Ouvir mais do que falar. Ouvir mais. Falar menos. Talvez seja a minha resolução de Ano Novo. Aprender a ouvir mais e a falar menos. Não que fale muito, não que não saiba ouvir. Mas este ano ensinou-me que, muitas vezes, melhor que falar é ouvir. Por razões muito diferentes mas tão transversais que vão desde o estar lá e ouvir é o melhor que se pode fazer até ao célebre ditado que versa que "pela boca morre o peixe". Falar menos e ouvir mais.
E, sobretudo, quero poder continuar a encher o pote das moedas para levar a Francisca à EuroDisney. O pote que comecei a encher quando deixei de fumar (vá, mais ou menos, ainda fumo um outro cigarro que isto aqui não se vendem milagres, sim?). 
Simples.

28 dezembro 2014

Era uma casa muito engraçada...

… mentira, eram duas, duuuaaas casas muito engraçadas! (e miiiiiinhas!) 
(estou viva, mas por estes dias, mais pelo instagram. ) 

25 dezembro 2014

Guardar

[há um filme composto de fotos numa rede social que se auto-intitula como capaz de mostrar como e o que o meu ano foi. não, o meu ano não está ali. o meu ano ficou-me gravado em sítios distintos. não foi, nem nunca será, propriedade de quem no caminho se cruza e indaga. não, o meu ano gravou-se em sorrisos e lágrimas, entre tantas outras coisas boas e umas quantas más. guardei-o em sitios que não se traduzem em 0 e 1 e não à disposição para o público ver, aplaudir ou achincalhar. um dia, quando a memória dos dias me falhar, sei onde armazenei a cor dos dias que não quis esquecer. talvez esteja mesmo a ficar velha, mas cada vez mais, guardar é um verbo que me faz sentido]*
Ato ou efeito de vigiar ou cuidar das coisas.
*(dias/ano) 

24 dezembro 2014

21 dezembro 2014

Solstício de Inverno

Hoje é o dia mais curto do ano. Hoje é a noite mais longa do ano. Acredita-se em muitas culturas que o solstício de Inverno é o renascer, o triunfo da luz sobre a negra noite, uma vez que doravante os dias ganharão mais tempo, e a luz vencerá a escuridão. 
O meu Pai nasceu há 59 anos, no dia mais curto do ano. O meu Pai traz com ele esse lado taciturno de certa forma: não é homem de beijinhos, abraços, manifestações de carinho. Guarda-as, hoje em dia, todas para a Neta, a Menina dos seus olhos, o seu "Menino Jesus da Cartolinha". O meu Pai não se ri nem sorri muito, mas quando o faz, faz com vontade e alegria genuína. Traz nele, também, essa capacidade da luz se sobrepor sempre à escuridão, embora ache que ele não o sabe. Por onde e com quem se cruza, ninguém lhe fica indiferente: é um Homem acarinhado, respeitado e que faz, à sua maneira, a diferença na vida de muita gente. Traz nele aquela calma de quem sabe que não há noite sem fim, não há noite sem dia e que o Inverno nunca será o fim, nem tão pouco o princípio do fim. 
O meu Pai faz hoje 59 anos. 
Parabéns, Pai! 
Feliz Solstício de Inverno!!!

19 dezembro 2014

Música para os meus ouvidos.

(já a devo ter posto umas quantas vezes aqui. não me importo. gosto tanto desta música, tanto. por coisas minhas, tão minhas. gosto, para lá de muito.)  

18 dezembro 2014

Sometimes I get lost inside my mind...

[Não costumo pensar muito nisso mas, de vez em quando, passa-me pela cabeça que sim, um dia vou ficar sozinha. Não tenho irmãos, filha única que tanto e sempre gostei de ser, um dia, não terei ninguém do meu sangue. Ficarei sozinha. Depois lembro-me que tenho primos. Muitos, loucos, muito loucos mas meus. E tudo volta ao seu lugar. Francisca irá crescer como filha única, não faz de todo parte dos planos voltar a ser Mãe. Francisca perceberá um dia como é bom ter primos. E Amigos. Francisca está muito feliz de férias, sem rotina e pouca regra, a ser a Neta mimada, a Prima pequenina, o Ai-Jesus de muitos. Francisca vai um dia perceber que nunca, nunca ficará sozinha] 
Anda uma Mãe a parir para ser despachada ao telefone com um "Mánhe estou muito ocupada a brincar com a C.!". E piu, foi-se aos berros e gargalhadas que isto há todo uma agenda para cumprir. Está bem então. 

Eu sofro dos nervos.

Estou farta de gente do bem. Gente fófinha, shinny happy people, gente que usa kits, gente que veste kits, gente que tem sempre coisas inspiradoras para dizer, gente que é life coach (wtf é isso afinal?ensinam a respirar? a comer? a meter-se na sua vidinha e a deixar a dos outros em paz?), gente com grandes lemas de vida, gente que faz bolachinhas, bolinhos, compotinhas e mais coisas acabadas em -inhas para oferecer com amor e paz e com naperons dos bolos colados nas embalagens vintage, gente que nunca diz uma caralhada ou que quando diz um palavrão é aquele célebre "vai à merda", com um sorrisinho envergonhado e "ai que estou a ser louca/o". Arre pá, olha "vai tu"ou ide todos. Eu sofro dos nervos e a gente do bem deixa-me os meus frágeis nervos em fanicos. E serem mais normais, não? Ou só têm dias do bem? Se calhar só têm dias do bem e eu não estou a ver bem a coisa… Vai-se a ver e sou uma ressabiada, se calhar é isso. Acordo de mau humor, praguejo em excesso, tenho humores bipolares, gosto de beber, gosto de comer, estou-me nas tintas para kits, os meus lemas de vida não dão para fazer frases bonitas, não tiro fotos inspiradoras a flocos de neve e escrevo por cima o meu lema de vida em letra desenhada, fujo da cozinha como o diabo da cruz. Vai-se a ver, sou ressabiada com a shinny happy people da gente do bem.  Sim, sou uma ressabiada segundo muitos padrões. E eu com isso.   

16 dezembro 2014

It's beginning to look a lot like Xmas...

A minha Mãe ligou-me a informar que ainda não comprou uma única prenda de Natal e que conta comigo para lhe fazer as compras durante a próxima semana. E claro, para as embrulhar também, que as coisas não vão parar ao papel sozinhas. 
...
... 
Shoot me. Please. 

Há prioridades.

Finalmente, já posso estar descansada se me falecer numa valeta um destes dias: Francisca já está iluminada sobre o que é o Natal e o verdadeiro significado da coisa. Pois que então a minha sogra decidiu que estava na hora de tomar a coisa nas suas mãos, que isto já se sabe que eu sou uma Mãe que valham-me os santinhos como-é-possível-eu-não-gostar-do- Natal-sou-um-bicho e zás-aqui-vai-disto, despeja em 10 segundos à miúda que afinal o Natal não é nada do Pai Natal, que é mas é o nascimento do Menino Jesus, que foi um Menino que veio à Terra para nos salvar. Tumba, vai buscar.  Francisca arregalou muito os olhos em pura confusão e disse: 
"É o quêeeee? O que é um nascimento? Quem? Porque vai salvar-me óh Mánhe? Quêeeee? Óh mas eu não quero nada disso, eu só queria uma Doutora Móvel!". 
A minha Filha, claramente, sabe estabelecer muito bem as suas prioridades. 

15 dezembro 2014

"Great balls of fire! "

O filme da minha vida está de parabéns, 75 anos que estreou, corria o ano de 1939. 
"After all, tomorrow is another day..."  
(Francisca texuga, tivesse nascido noutras paragens, teria-se chamado Scarlet... Piroso mimimimi lálálá e agora eu dizia "Miss Scarlet vá lavar os dentes" e a coisa tinha muito mais nível do que o meu esganiçado "Fraaaaaannnncíííscaaaaa, lavar os dentes, raça da catraia, Fráaaaaancisca", eu não digo Fráncisca ou acho que não digo, mas a coisa era que podia ter sido Scarlet e se fosse piroso e mimimimi era o "e eu com isso". ) 

A sério?!?!? O pesadelo per-fei-to!

Sim, o que eu mais quero neste Natal é enfiar-me numa cadeira de dentista, com os 15% de desconto. É todo o meu sonho para este Natal, oh por favor, por favor, deixai vir a mim o som das brocas a esburacar-me os dentes e as anestesias a deixarem-me a babar três quinze dias! Como é que sabiam que era o que eu queria, hein? Seus malandros!!!! 

… (uáaaaaiiii, úuuuuáaaaiiiiii???)


14 dezembro 2014

Que se acuse quem não é familiar com esta "decoração"!

(pode ser também um banco, banqueta, paneleirices modernas ou vintage ou até mesmo uma bicicleta estática, que o conceito é exactamente o mesmo)
Todos a temos, certo? (digam-me que sim)

12 dezembro 2014

...


A sério?!?!

Eu sabia que havia uma coisa boa a tirar das minhas maleitas, eu sabia!!! É que, pelo menos, de cada vez que bati com os costados nos hospitais, não era Natal dos Hospitais nem tinha de ver isto…

acho que era capaz de me provocar uma embolia com o cateter ou enroscar o kit do soro ao pescoço para não sofrer mais… Já não basta uma pessoa estar doente, dass… 

Repeat.


Apanhadíssima por esta música! 
(lai lai lai aqui  Christmas carols num bai dar, lai lai lai Papai Noel não vai gostar lai lai lai e eu vou continuar a anhar lai lai lai … )

11 dezembro 2014

Music for my ears...

"To build a home. "

# whatever das coisas que 2014 me ensinou...

Claramente, ensinou-me que não sirvo para fazer listas de coisas que aprendi num ano que está quase a terminar. Tentei escrever uma coisa em cada dia do último mês do ano que 2014 me tivesse ensinado.  
[Aprendi muitas coisas, umas boas, umas más, umas muito boas e outras que quero e vou esquecer. Aprendi coisas que não interessam ao Menino Jesus, como o genérico da Dra. Brinquedos, aprendi tudo o que consegui sobre adenóides e rins. Aprendi muito, quero sempre continuar a aprender. Aprendi a chorar mais, aprendi a sorrir mais, aprendi a guardar-me mais, a proteger-me mais. Aprendi que gosto muito, ainda mais, do meu anonimato e de estar no meu canto. Aprendi que nunca serei royal mas serei sempre royalty. Aprendi que já me pesa nos ossos ir a Casa mas que cada vez mais preciso de lá ir. Penso muitas vezes nos meus Pais, naquela casa grande, só os dois. Penso que tenho saudades deles mas aprendi a não deixar transparecer isso. Também aprendi que me deixam louca ao fim de 3 dias, mas que está bem. Isto tudo para dizer que aprendi muita coisa, coisas giras, coisas feias, coisas que me fizeram chorar, coisas que me fizeram rir até às lágrimas. Coisas que vou guardar porque são coisas minhas, algumas tão íntimas, de sítios tão só meus e de mais ninguém, que as vou guardar no lugar mais bonito que possuo.]

Além disso, o ano ainda não acabou. E eu sou terrível a fazer listas. Nem de compras, quanto mais listas inspiradoras e pópis-coise. Ideia de jerico. 

...

10 dezembro 2014

These are the days of my life...

... herdar viroses. Ficar meia falecida na cama, com a barriga em fúria e a cabeça a explodir. Fazer o trajecto casa de banho - cama 3485 vezes numa manhã. Ah, loucos são estes dias. 

09 dezembro 2014

Quem tem uma Mãe tem tudo. Ou perto.

Diz-se que quem tem uma Mãe tem tudo. Não sei. Francisca tem-me a mim. Eu tinha a minha Mãe. Francisca tem-me a mim, aqui, a tentar perceber se as melhoras se avizinham. A minha Mãe está longe, do outro lado da linha, a reclamar comigo ao telefone. A minha Mãe reclama muito comigo. Zanga-se, ralha muito. Diz muitas coisas que não gosto de ouvir, diz muitas coisas que nem sente mas di-las à mesma, porque sabe exactamente onde aquela seta me vai acertar. Sou adulta e Mãe mas a minha Mãe ainda ralha muito comigo. Com razão e sem razão. A minha Mãe pergunta-me " e o que queres que te faça?". Não quero nada. Se calhar, se me embrulhar como um novelo e fechar os olhos, isto passa-me, quase tudo me passa. Mas não posso, Francisca está doente. Francisca tem-me a mim, aqui. E eu sou a sua Mãe, o seu "quem tem uma Mãe tem tudo". 

Move Maya!

Em modo curandeira-entretém para a minha criança virosa, as cartas dizem-me o meu futuro: dar numa de Hélia. Eat this Maya e Maria Helena (é Maria Helena a mete medo da SIC, não é?)  
(Mas se for a pensar bem, nunca vi a Hélia mudar camas vomitadas às 3 da manhã em 2 minutos... )

08 dezembro 2014

#8 das coisas que 2014 me ensinou...

A esperar diagnósticos pacientemente. E a aceitá-los. 

Sometimes I get lost inside my mind…

[Acordo a meio da noite, por vezes, com a sensação de que não sou: não sou suficiente, não sou tão como, não sou tanto como, não sou isto, aquilo, não sou tudo e sou nada. Não sou. Simplesmente, não sou. Acordo com dores agudas no peito, nessas noites, já as conheço. O ar que não chega ao fundo dos pulmões. Chamam-lhe ansiedade, os entendidos. Talvez sejam apenas dores de não ser. Há dias em que sinto que não sou colo suficiente, bonita o suficiente, interessante o suficiente, não sou suficiente. Nada em, pelo menos, suficiente. Sim, há noites que antecedem dias assim. ] 
Quando o sol nascer, quando for manhã, vão voltar para o armário, já saíram para dançar. Enough. 

07 dezembro 2014

#7 das coisas que 2014 me ensinou...

A Francisca começou a parecer um Pierrot com camisolas de golas bordadas pipis. Foi muito giro enquanto era piquena, mas agora é tempo de passar para blusas e camisas. 

De Vilas Natais e doenças infantis.

Francisca não se interessou minimamente pelo Pai Natal. Gritou-lhe, de onde estava, que queria um Dra. Móvel. Disse um "Não" decidido quando o suposto Pai Natal lhe perguntou se queria sentar-se à sua beira e eu senti-me feliz. Por muitos motivos, fiquei feliz quando disse que não se queria sentar perto daquela personagem que não conhecia de lado nenhum. Senti orgulho na criança que a minha Filha é. Muito. Despachou uma "fada madrinha" que lhe apareceu pelo caminho, dizendo que "agora não posso, tenho de ir andar no carrossel com a Mánhe". E eu senti-me pequenina para tamanha declaração... Uma " Vila Natal" inteira e a única coisa que Francisca quis foi andar de carrossel comigo. Zero interesse por Pais Natais, árvores, bonecos de neve. Uma volta no carrossel foi o que pediu. "Mánhe, estamos no carrossel e o carrossel está a girar, a girar, a girar!" Horas depois, chegou em força a doença que a faz agora dormitar ao meu lado. Francisca agarrada à barriga, encolhida. As lágrimas. Doenças infantis, diz-se, fazem parte, mas não custam menos por isso. Francisca tem frio e eu aconchego-a com uma manta. Passo-lhe a mão no cabelo e ela adormece de novo. Dói-me a cabeça, parece que vai explodir. De tudo que tinha à sua disposição, uma ida à Vila Natal de propósito para ela , a única coisa que o meu passarinho quis foi andar no carrossel comigo. É tão fácil fazê-la feliz. Meu pequeno passarinho doente, de asa murcha a dormitar, shhhh... vamos ter sempre um carrossel para nós, a girar, a girar, a girar... agora fica boa. Depressa. 

06 dezembro 2014

#6 das coisas que 2014 me ensinou...

A minha bata nunca vai ser como as batas de CSIs desta vida; brancas imaculadas, sem vincos e bolsos sem coisas estranhas. A minha bata branca  terá sempre nódoas de BB cream, porque nem sempre me apetece tirar as luvas para coçar a cara ou afastar o cabelo dos olhos. A minha bata branca estará sempre meia encurrilhada, abandonada na cadeira onde me sento horas a fio. Não é fancy, não tem nomes ou paneleirices bordadas, mas é minha. Sempre com lenços e luvas duvidosas nos bolsos. Sempre de apertar mas costas. Já aprendi que não terei uma bata pristine. E não me importo. Passamos muitas horas juntas, mesmo que a meta a 90 na máquina, sozinha. Curiosamente, saem as nódoas de BB cream, mas nunca o meu nome, no lado direito da parte de trás, escrito há anos com uma qualquer caneta de acetato. O meu nome está naquela bata há anos. E assim continuará enquanto a decidir vestir. 

05 dezembro 2014

#5 das coisas que 2014 me ensinou...

Mesmo que tenha 30 anos, continuo a espetar-me contra as portas e esquinas de móveis como se tivesse 3.

...

(cliché? sim. verdade? sim)  

Memórias dos calendários de advento...

Tenho duas. As suficientes. Um ano, o meu Pai comprou-me um, com um Pai Natal barrigudo, em tons de azul e vermelho, sinistro todos os dias. Comi os chocolates todos nesse dia e fechei, religiosamente, as janelinhas de cada dia que supostamente faltava até ao grande dia. Não me queixei com as cólicas que tanto chocolate mau me deu, sob pena de ser descoberto o meu fraco espírito da época e "tão giro, estou que nem posso para abrir a última janelinha mas como sou muito bem comportada fico a olhar e não dou numa de selvagem". Yeah, right. A outra memória passa por um calendário cujo chocolate era de velha. E pensais: "que é isso, chocolate de velha?". Eu explico: é aquele chocolate que as tias-avós da aldeia têm em casa desde que o Salazar quinou da cadeira, mas que vos é carinhosamente oferecido como tendo sido para vós comprado propositadamente. O problema: está ressequido e eu nem projecto era no 25 de Abril,  5 anos depois da morte do dito.  Fui às compras e vi uns calendários de advento. Pensei se deveria trazer um para a minha criança, anos de terapia que a esperam com a prima do Grinch como Mãe. Assim que as minhas memoires associadas aos calendários vieram à tona, passou-me depressinha o "I suck at parenting". Nisto, trouxe mais uma garrafa de Defesa tinto, que estava em promoção. Posso ser a prima do Grinch mas pelo menos tenho vinho tinto bom na garrafeira. E é isto a minha vida. 

04 dezembro 2014

Sometimes I get lost inside my mind...

A notícia de duas mortes. Perguntam-me se conhecia. Respondi que não. Não lhes sabia o nome, se eram altos, se eram bem dispostos. Respondi que não conhecia. Nunca, sequer, os tinha visto. "Ah, ainda bem então! Ufa!". Dou por mim a pensar que é, talvez, na morte que me apercebo sempre que a natureza humana é, nos seus instintos mais básicos, do mais egoísta possível. E, no entanto, admito que não poderia ser de outra forma. Ou sobreviver seria absolutamente impossível. 

Ah, os dias de Oksana!

Maneiras que quinta é sempre dia de alegria e detergentes diversos!  Oksana Maria desce ao meu pardieiro e ao fim do dia, tenho a casa mais habitável, sem everestes de roupa para passar e camas para fazer. Por cinco minutos mas é melhor que nada. Deu-se-me nas ideias que há que limpar os azulejos da cozinha e das casas de banho. Dar-lhes assim uma boa esfrega que não se vão limpar sozinhos. Dada a minha aptidão para quedas e sendo que a coisa envolveria escadotes e afins, achei melhor assumir a minha incapacidade sopeira.Pus-me cá a pensar e decidi pedir a Oksana se por acaso, assim na loucura, não queria ir mais umas horas tratar desse assunto que me anda a afrontar a psique: limpar os azulejos todos. É que hoje ou bem que arruma, passa a ferro e essas coisas ou bem que lhe dava nos azulejos. Oksana, disse logo que sim, que ia no sábado mais umas horas. Mas eu que não fosse louca e marcasse hora para ir, que de manhã tinha que ir à feira e quando estivesse despachadinha das suas compras, logo me aparecia. Está certo.

#4 das coisas que 2014 me ensinou...

"And all the science I don't understand, it's just my job five days a week".
Deixou de ser só uma parte de uma letra que gosto em 2014. Passou a ser algo que repito em surdina em muitos momentos de frustração e desânimo. 

03 dezembro 2014

#3 das coisas que 2014 me ensinou...

A segurar a mão da Francisca para a tranquilizar enquanto desmoronei por dentro. 

A dita Estrela.

A Estrela, à beira de outras obras que por lá vi, é um cão. Foi o que se arranjou.  

[Mas Francisca estava orgulhosa da sua estrela, segurando-a e dizendo que "a Mánhe pôs cola e eu soprei brilhantes". E eu, no meu íntimo, fiquei feliz por a ver tão orgulhosa.]

02 dezembro 2014

A (porra) da Estrelinha.

Francisca, bicho bom desta Mãe, coisa mais boa, já tem a porra da estrelinha solicitada pela Escola feita. Até escrevi o que Francisca quis transmitir aos amiguinhos "O Natal vem já e ah olá!" (WTF?!?! bicho bom de sua Mãe!) A coisa vai na deadline, que é amanhã, nada de confusões! Há purpurina dourada em 7 divisões da casa, Francisca é toda ela bling-bling, há purpurinas doiradas na Chica, na Mofli, em mim e por to-do o santo lado. Reconforta-me especialmente e consola-me pensar que, quem teve a ideia dos adornos feitos pela canalha, vai ter de manusear a coisa. Yes, karma is a bitch! And so am I. Nailed it. 

* Francisca pediu para fazer mais estrelas. Rejubilo por não a ter traumatizado mas ... not gonna happen... 

#2 das 31 coisas que 2014 me ensinou...

Que nos lugares onde e pelas pessoas por quem não sou desejada é inútil tentar encontrar  uma explicação, o querer saber porquê, o entender. Pura e simplesmente, basta seguir em frente, afastando-me. 

...

01 dezembro 2014

Olha, diz que é hoje.

Estava eu a ver o instagram e reparei que hoje, dia 1, diz que é tradição fazer a Àrvore de Natal (na Tribo, era dia 24 às 20h e eu que não dissesse que ia dali). Criatura chegou-me a casa com uma conversa estranhissima sobre "Óh Mánhe, onde está a minha árbore de natále?". Bem, lá lhe respondi que terá não uma mas duas, du-as, em casa dos Avós, no Porto. Depois, pus-me a pensar que a gente não é royal mas é royalty e que a última invenção da minha sogra afinal não era só um um monte de papel-apanha-pó. Assim, na tradição de gente bem do 1 de Dezembro, apresento-vos:
a micro árvore com folhas de panfletos! E enquanto não é um gatinho daqueles dos chineses que abana a pata para cima e para baixo ad eternum, é muita alegria junta. 
Afastem-me das luzes. Epilepsias muitas e ataques de urticária por de mais... 

iBitch.*

Estava eu em modo "iBitch", dissertando sobre a minha Cria ter de levar a porra de uma estrelinha ou o camandro para a Escola, quando uma Amiga, em profundo acordo e solidária com a minha dor e sentimento de "óh pá, deixem-me ser desajeitada e deslarguem-me dessas pantominas", me sugere comprar a dita já feita. Ponderei a coisa. Em boa verdade, já me tinha ocorrido diversas vezes essa hipótese e até tinha um plano delineado: comprava a estrela d'um raio e depois dava-lhe uns cortes, para a coisa parecer mais tosca  e handmad. Seguidamente, pedia à piquena criatura para a esborratar colorir. Depois de muito pensar (not, que tenho mais que fazer), concluí que isso pouca carga daria ao meu iBitch. Assim, fui comprar um papel-cenas-qualquer A5 que me custou 50 cêntimos, cola UHU em stick (a de tubo temi que a gata acabasse a snifar aquilo, sei lá, só dá doidos, e eu tão sã, bom de ver) , purpurinas douradas e estrelinhas douradas. O plano consiste agora em tentar fazer uma estrela no papel-caro-todos-os-dias, encher de cola o que dali resultar  e dizer "Francisca, atira aí purpurinas para cima da estrelinha tão linda! E atira estrelinhas doiradinhas támen como se não houvesse amanhã". Francisca vai gostar que isto Mom knows best. E eu, ah, eu vou ter a bateria do iBitch carregadinha por uns tempos, que isto não vai ser só a pseudo-estrela a comer cola, purpurinas e estrelinhas doiradas. Nah, nah, nah!!!! Tu-do vai comer com esses artefactos e decorations bling-bling. TU-DO, desde sofá a cadela espanador. E eu vou poder ranhosar, de iBitch no máximo, com a porra da estrelinha de Natal. E com um bocado de sorte, na mensagem que também é solicitada, ainda escrevo "Ho fucking Ho!". 

*app incluída desde os primórdios dos anos 80. De nada. 

#1 das 31 coisas que 2014 me ensinou.

A admitir que não sou a super-mulher. Que tenho fragilidades, minhas, muitas. Que não posso querer ser a super mulher. Que, simplesmente, não sou capaz de o ser. 

30 novembro 2014

Nem à Mofli confesso.

[a Princesa Sofia, personagem principal de uns desenhos animados da Disney, tem uma música que versa qualquer coisa como "quero a Mãe... e o que faço eu então, quando eles aqui estão? eu queria ser só eu e a Mãaaaaeee. Francisca canta-a, de voz melada e olhos de Gato das Botas. Eu canto a música com ela. A música emociona-me. Não pela música. Mas pela forma como ela me abraça e a cantamos. ]*

Disparate, emocionarem-se com musicas de bonecada. Non-sense. 

*[lamechas/kg de peso]

29 novembro 2014

Princesa sem Reino, que fazeis este fim de semana?

Voluntariado. 
(#FAZESFALTA)

Alimentem esta ideia!

Este fim de semana, ajudem a que a fome seja uma realidade menos presente em muitas famílias, contribuindo para a recolha de alimentos do Banco Alimentar contra a Fome. Por pouco que possam dar, 1 pacote de massa, por exemplo, fará a diferença! Obrigada por alimentarem esta ideia! 

28 novembro 2014

A sério?!? A SÉRIO?!?!

Um dia, o meu pior pesadelo, torna-se realidade. Na mochila da Cria, um puto de um bilhetinho a informar que este ano, gostavam muito (e o que é que eu tenho a ver com os vossos quereres, hein?) que os meninos levassem uma decoração de Natal feita em casa para a Escola, para enfeirarem a dita com isso (se calhar só querem poupar uns trocos e dão esta desculpa masé, até porque aqui não há o senhor ou senhora, ou lá o que é, sueco para ir comprar estrelas da moda. Adiante. Pedem ainda (mais nada, não? Um perú recheado com Prozac, que tal?) para que o dito adorno artesanal leve uma mensagem sobre o Natal. Ah. Ah. Ah. ... Ah. 
Maneiras que, a ver, alminhas: 
- eu não gosto do Natal; 
- eu não tenho paxorra para estas pantominas;
- eu tenho o mesmo jeito para artes manuais que um elefante teria, nuns stilletos de 15cm dois números acima da pata, para dançar o tango;

Posto o acima, avizinham-se mais uns anos valentes de terapia para a minha Criancinha. A malta faz lá as cenas, que fama de bicho já tem (e eu com isso) mas não promete que não seja uma experiência absolutamente traumatizante... para todos os envolvidos. 



Ah, o Burgo...

Não há Burgo-cú-de-judas sem a existência do "Xerife". Facto. Dogma. Não o Xerife do Velho Oeste, aquele com dois coldres e chapéu giro, nada disso. O "Xerife" é aquela mítica personagem que apenas se vê nas terreolas e que possui mercearias, lojas de roupa, lojas de quinquilharia, medeia seguros, dá uma perninha de dança e mais outros 500s. O "Xerife" detém 85% do comércio local (nada em escalas de Tio Belmiro ou do Tio Ortega, esses fofos, não vos desgraceis em confusões 'plo amor da santa, que eu estou a falar de coisas piquenas!) O "Xerife" é um faz-tudo-sabe-tudo-and-I-am-a-big-shot-in-terreola-pow-like-a-boss. O "Xerife" vive um nível acima de todos, numa nuvem de piqueno-pónei-rainbow-style, pairando sobre os comuns seres "burgoenses" porque afinal de contas. se é para ser Xerife, há que transportar uma aura de superioridade e olhar, com ar de verdadeiro enfado, para os que por ele passam, pobres criaturas serventes da sua "autoridade" e sabedoria. Maneiras que constato que esta criatura não é mítica, existe verdadeiramente. Ah, gosto taaaaaaanto mas taaaaaaanto da vida no campo… NOT! Arre lá para a Terrinha e mais o camandro. Valei-me! 

26 novembro 2014

Para memória futura.

Francisca, 
Não tenho grandes ensinamentos para te deixar, passar, transmitir. Cada vez mais, estou em profundo crer que sou uma espécie de "brócullis" andante e que vais pelo mesmo caminho, com esta tua Mãe, que tem a mesma paciência para frosquices que tem para pantominas à coroa. No entanto, deixo-te este alerta para a tua vida futura: desconfia sempre de gente que nunca se passa da marmita e manda um merda, @uta que pariu ou f&da-se. Quando lhes estiverem a apertar os calos e tal não lhes sair da boca porque sentem as entranhas revolvidas, desconfia. Não que não possam ser boa gente mas diz-me a minha mísera experiência que são mais de confiar aqueles que de vez em quando põe o coração na boca. Não mastigam tanto a vida e a quem por ela lhes passa, percebes?
Não te atrevas, no entanto, a dizer estas belas palavras do vocabulário português tão cedo, terás a tua vida adulta toda para as destilares com quem te mói o juízo. Nunca te deixes pisar. Nunca te sintas inferior. E desconfia sempre dos nhónhós, dos que tanto se lhes dá como se lhes deu.  
A tua Mãe. 

Sometimes I get lost inside my mind...

Adorava ver Mentes Criminosas. Fascinava-me o quão retorcida, sombria e fria a mente consegue ser. O lado escuro de humanos desprovidos de humanidade. Esta semana apanhei, de raspão, um episódio. Quando terminou fiquei com a sensação de que, apesar de ser ficção, haverá no mundo real algo semelhante. Pela primeira vez em muito tempo, tive medo do Mundo. Não das pedras, das máquinas, dos desastres naturais, Tive sim, medo das pessoas. Do que a mente humana é capaz de fazer. Do que se fica quando a alma, a suposta alma, aquelas estimadas 21g, desaparecem de corpos vivos. Talvez não volte a ver a série. Talvez tenha sido um medo irracional e me passe. Talvez tenha medo de viver num Mundo assim. 

25 novembro 2014

Me, my make up & I ...

Este é "só" o melhor iluminador ever! Toda eu pareço menos morta viva! Hooray!  
(Se não tivesse mais que fazer ao dinheiro, era menina para me dedicar a coleccionar mais e muitos tarecos da Benefit! )

23 novembro 2014

[And we'll never be royals]

[geneticamente, eu e a minha Cria, estamos programadas erroneamente. temos o estranho hábito de usar roupa quente no Inverno. layered up winters, camadas de roupa, com a intenção de não entrar em hipotermia e arroxear para a vida. meias calças. botas. kispos. não padecemos de frio apenas na cabeça ou nas orelhas, as quais cobrimos com gorros ou chapéus. Francisca sempre viu  o uso de touca interdito sobre o pretexto de se assemelhar a uma criança von Trapp. Não há saia, vestido ou calções que não leve umas meias calças. Deveria ser meias até ao joelho, com berloques ao dependuro de preferência, mas veda-se o acesso a um mundo de elite-pópi porque as pernas são vestidas com meia calça. * Yes, we'll never be royals. But we will always be royalty] 
Porque raio é que as criancinhas über féshione andam sempre com a perna ali de fora da saia ou do calção?!?? Não sofrem de frio? Ou uma pessoa diz "óh Filha bota-te aí pá foto, não tremas, sorri criança, sorri muito que quando tiver frames do mais nice, logo te visto umas meias daquelas que os sem berço usam no Inverno, tá bénhe?". É assim que funciona a coisa?  
* as da Zippy são uma boa compra, caso vos interesse saber. 

22 novembro 2014

O primeiro (pseudo) corte de cabelo.

O primeiro corte de cabelo de Francisca foi assim…  uma emoção... ! Francisca, bicho bom pindérica de sua Mãe, a-do-rou ir ao cabeleireiro! Desde o lavar o cabelo "comá Mánhe e oh Mánhe vamos ficar princesas Mánhe, e vou-me ver nos espelhos Mánhe"! Foram só uns poucos cms de cabelo, a ver se começa a crescer mais forte e sem perder os caracóis (ainda). Mas o melhor da coisa foi ver Francisca feliz da vida no Cabeleireiro. Gosto disso! 

21 novembro 2014

Sometimes I get lost inside my mind…

[vivi muitos dias da minha vida verdadeiramente zangada com o meu corpo: porque tinha 10 microgramas de celulite aqui; porque tinha a pele mais flácida ali; porque devia ser 3672 gramas mais magra, 12 cm mais alta; porque não era o que o que queria na minha mente doente. vivi muitos anos zangada com ele. maltratei-o. e maltratei-me a mim. agora, de cada vez que adoeço, como nos últimos dois dias, penso que agora é o meu corpo que está zangado comigo, verdadeiramente zangado comigo. havemos de fazer as pazes. agora agradeço o e ao meu corpo. as cicatrizes que carrego, as estrias que se formaram, as rugas dos anos, das lágrimas e dos risos, o milagre de, apesar de tudo e contra a estatística, me ter permitido gerar uma vida, saudável e perfeita, no meu ventre. agradeço-lhe a resiliência para quando tudo me parece demais não me fraquejar. havemos de fazer as pazes. eu já as fiz. ]
Podia ser pior. Pode sempre. A recuperar de mais um episódio das heranças de família, continuo a pensar que apesar de tudo, mais valia estar na lista de heranças os pratos e canecos de porcelana, aquela louça cara horrorosa e aquele serviço de chá inglês às flores rosa, que diz que custa uma pipa de massa, mas que a mim só me aflige as vistas. Não há cães de louça para herdar, o que é uma pena, porque dava um ar kitsch à coisa e sempre os podia por à porta de casa a ladrarem aos vizinhos de cima, bichos horribilis, que me agoniam com tanto berro, todo a santa manhã, todo o santo fim de tarde. Quase boa. Não tenho tempo para doenças. 

19 novembro 2014

Quem minha Filha beija...

Francisca chegou a casa a dizer que lhe tinham dado determinada coisa. Francisca tem un bocadinho a mania de inventar. No dia seguinte avisei que Francisca tinha levado algo que não lhe pertencia. Foi-me então dito que Francisca não tinha inventado e que sim, aquele travessão era agora para os cachos dela. Ia morrendo de qualquer coisa que me deixou de boca aberta de tão feliz e sem jeito de agradecer. Não tanto pelo travessão mas pelo carinho que ela lhe dá, todos os dias. E quem minha Filha beija, minha boca adoça. E muito. 

18 novembro 2014

Nop, still not a morning person… *


O meu estado basal é ter sono. Existem depois algumas variantes da coisa: 
- o tenho muito sono; 
- o tenho tanto sono que me apetece chorar; 
- tenho tanto sono que me dou mini-bofetadas para não adormecer em qualquer canto; 
- o tenho tanto sono que se tens a infelicidade de me dirigir a palavra descobres que estou possuída pelo Dexter.  
Mas o normal mesmo é mesmo ter sono. 
*para piorar este meu transtorno quiçá patologia, arranjei um grown-up-babygrow polar, daquela loja que quando abriu em Matosinhos a senhora se emocionou muito e enfio-me dentro daquilo, fecho até ao pescoço e pronto, o Mundo pode desabar. Mas, de preferência, quando não tenho o carapuço com orelhinhas posto, o que vá, volta e meia se sucede. 

17 novembro 2014

A sério?!?

Malta em desespero absoluto e agonia profunda porque ainda não fez a porra da árvore de Natal… : eh pá, a sério?!?! a sério?!?! São essas as vossas angústias e preocupações?!?! Estrelinha que vos guie mais ao wish coiso! 

Ainda falta muito para Janeiro? 

15 novembro 2014

Perlin plim pim.


Mánhe, vou transformar-te numa princesa! 
(não fossem os plins e pluns e coiso que o arabesco faz, até era menina de me por a jeito a ver se a coisa fazia efeito... mas como sofro dos nervos estou a tentar, disfarçadamente, soltar a patilha mágica da pilha e plin, silêncio de plin perlin pim pim..."

14 novembro 2014

Hospitais, aprendizagens e afins.

[durante anos, muitos, não percebia a coisa de levar flores a quem estava doente num hospital. achava um desperdício de dinheiro e que não iria fazer a pessoa doente sentir-se melhor... o que ajudava mesmo era o ir lá, só. depois, passei muito tempo em camas de hospital, em corredores frios e percebi que fazem sentir melhor, sim. quando a hora da visita acaba, quando todos vão embora, quando se fica com as dores e as cicatrizes a sarar, ajudam a lembrar que nos esperam recuperados, que precisam de nós. hoje fui visitar a minha Madrinha. espero que as flores a lembrem que a menina dos cachos nunca se esquece dela. nem a que os teve, nem a que hoje os tem]. 

Faz-me confusão visitar os meus em hospitais. Muita. 

13 novembro 2014

Nos dias de chuva ...

… de que tanto gosto, esta música, em repeat… Homesick… 

Sometimes I get lost inside my mind…

Há alturas que penso e repenso a minha vida. Alturas em que me coloco apenas no papel de espectadora de mim. Vejo mentalmente, de forma mais ou menos vagarosa, os anos que passaram por mim. O que fiz e o que me fiz neles. Sempre em retrospectivas. Sempre o que foi. Sempre o que fiz: bem, mal, o que não consegui simplesmente. Aceitar, sempre, o que não foi como era suposto, esperado, desejado, aquilo que nunca chegou a ser. Agradecer por tudo de bom mas, sobretudo, agradecer por tudo de mau e o bem que isso me trouxe. Sempre em retrospectivas. Nunca em projecções futuras. Porque não sei desenhar mapas, porque não sei ler mapas, porque tudo é uma constante inconstante, hoje será ontem amanhã, presente que passará a ser passado mas que já foi um futuro. E nestas certezas, penso-me em retrospectiva. Aceito. E humildemente, agradeço por tudo que me faz o todo que sou. 

12 novembro 2014

"Nós somos Porto. Somos Porto. Porto. Ponto"

"Nós somos Porto. E digo “nós” porque é essa a nossa essência. A nossa alma. Somos mais que o conjunto de cada “eu”. Somos Porto. Uma força que não se explica, mas que se sente. Uma forma de estar. De ser. Podemos ser de qualquer clube, torcer por qualquer cor, mas somos sempre Porto. Somos o talento, a irreverência e a coragem.
 
Nós somos Porto. Podendo viver em Londres, em Luanda ou em Lisboa. Somos a marca que nos define. Uma marca que atravessa os limites da cidade. Uma marca que representa todo um Norte. Tantas vezes desprezado. Tantas vezes esquecido. Tantas vezes...
 
Nós somos Porto. Da terra onde são feitos os empreendedores. Os industriais. Os melhores arquitetos e jornalistas. Somos a investigação, a medicina, o calçado e o mobiliário. Somos os têxteis, as indústrias criativas. Somos a indústria transformadora. Somos o vinho. O rio. Somos a grande universidade.
 
Nós somos Porto. Da terra onde se escrevem e cantam as grandes canções, os melhores poemas. Onde se fazem os realizadores. Da terra onde se vencem as taças, onde se cortam as metas mais difíceis. Da terra onde se pedala mais que os outros. Onde nunca de desiste.
 
Nós somos Porto. O Porto da gastronomia. Do turismo. Do património. O Porto que sabe receber. Que se preocupa com quem o rodeia. Com quem o visita. O Porto do teatro. Da fotografia. Da ligação ao passado projetado para o futuro. O Porto da literatura, da filosofia, da moda. O Porto da pintura, da escultura e até da política. Somos Porto.
 
Nós somos Porto. Somos o Porto da religião. Da engenharia. Da criatividade. Somos o Porto que faz acontecer. No Porto ou fora dele. Somos Porto. Mil vezes somos Porto. Somos equipa. Somos força. Somos Porto. E cada um de nós que se espalha pelo mundo alastra ainda mais este sentimento nortenho de ser Porto.
 
Nós somos Porto. Esteja ou não o Governo preocupado com isso. Haja ou não apoio para o que é preciso fazer. Existindo ou não centralismo. Tantas vezes exagerado. Quase sempre exagerado. Nós somos Porto e haveremos sempre de ser Porto. O Porto que resistiu e que ainda hoje resiste. Sem ceder. Sem se vergar.
 
Nós somos Porto. Um lugar que extravasa os seus próprios limites. Um conceito inclusivo. De participação.
 
Não é por isso de estranhar que foi no Porto que nasceu o P3. Só podia.
 
Nós somos Porto. Somos Porto. Porto. Ponto."

Sempre. 

Aquele momento para lá de estranho...

… em que vejo uma chamada não atendida no meu telefone e leio "Obama". E em que demoro mais do que o que devia a perceber que afinal quem me queria falar era mesmo Oksana, a Mandona e não Obama, the Big Boss. Que não me trate que não preciso não… 

11 novembro 2014

De São Martinho a Casa.

Não gosto de castanhas. Nem cozidas, nem assadas, nem coiso. Não gosto. Mas gosto do cheiro de castanhas assadas. Gosto muito. Faz-me lembrar a Rua de Santa Catarina em dias de frio. E a calçada molhada, escorregadia, irregular. Faz-me lembrar a Capela das Almas e o vendedor ambulante que tinha sempre poiso naquele cruzamento, com as suas Páginas Amarelas. Faz-me lembrar o esperar pacientemente, uma hora, duas horas, três por vezes, até que a minha Mãe saísse para depois me encontrar e lanchar na Mengos. Ou na Império. Sou de cheiros. Sou péssima de nomes e de caras. Mas dificilmente me esqueço dos cheiros dos dias. Castanhas assadas cheiram a Casa, cheiram a Santa Catarina, cheiram a tarde escura e à azáfama de gente em direcção à Praça da Batalha. 

...


10 novembro 2014

"The perfect body".

Há uns dias gerou-se uma onda de polémica em torno de uma nova linha de soutiens da Victoria Secrets (saudadinhas de Terras de Tio Sam, pá). Tudo porque a dita se intitulava "The perfect body" e aqui d'el rei quem é a Victoria Secrets para dizer o que é o corpo perfeito. Não há corpos perfeitos. Nem os Anjos da VS são corpos perfeitos (mas andam lá muito perto). No entanto, não percebi o porquê da celeuma. Pus-me aqui a olhar para uma série de cremes e besuntices que possuo, metade das quais uso uma semana e depois me esqueço que existem, e há, no mínimo, umas 4 marcas diferentes que apelidam de perfect qualquer coisa ou dizem que vão fazer não sei o quê perfect, desde pestanas a pernas. O mal não está na VS, não, não reside na marca o demo *. Há muitas mais marcas que usam o termo para nos entranharem coisas olhos a dentro. Não acho nem bem, nem mal. Sou contra a perfeição, essa coisa utópica,que me levou muitos anos de vida e me deixou sequelas. Aprendi que cada corpo é único, bonito e perfeito nas suas imperfeições. Com cicatrizes, marcas do tempo, marcas de ser Mãe, marcas da vida e quem não gostar, não olhe ou então que bote na beirinha do prato. Maneiras que continuo a não perceber o porquê de tanta indignação contra a VS... Será porque se trata de lingerie e coisas mais desnudadas? Não sei. Estou aqui a olhar para um creme que diz "the perfect cover" e nem por isso me assusta para longe as minhas olheiras até ao rabo. Não me vou insurgir contra a marca, é marketing e eu caí nele. Ponto. Se acho que se deve, cada vez mais, apelar ao não estereótipo da beleza doente? Sim. Se acho que é caso para tanto protesto contra o nome da linha de lingerie da VS? Not in a milion years. Mesmo que uma pessoa olhe para os "Anjos" e pense que porra, a perfeição anda por ali muito perto, não adianta puxar cabelos e insurgir-se contra a marca. São modelos, o corpo (e cara) são a sua maior fonte de rendimento e trabalham horas a fio para o exibirem na passarele e em sessões fotográficas. Se são perfeitas? Não. Nem todos podemos ser Alessandras por muito que gostássemos, mas tenho para mim que até a Ambrósio, aquele Mulherão, é moça para ter dias em que não se suporta ao espelho e que até gostava mais disto assim ou assado. Aceitar o nosso corpo é o principal, sobretudo as imperfeições, o que nos torna únicas e não Barbies. Uma opinião, que vale o que vale, 
p.s- a VS só é o demo porque na Europa diz que não abre lojas, excepção feita a terras de sua Majestade...

Bom dia lá lá lá (rosno?)

09 novembro 2014

Portugal mesquinho.

Não há adjectivo para qualificar esta notícia do Expresso. Baixa, no mínimo. Tudo porque estava a trabalhar no aniversário do Filho. Tudo porque é Mulher e Mãe. Se fosse Homem, suponho que se acrescentaria que tinha feito um grande sacrifício e mimimi. Enoja-me profundamente este tipo de informação e jornalismo. Deixa-me mal disposta, com o estômago às voltas. As Mães também são profissionais. Também continuam a ser Mulheres. A quem teve a lata de escrever esta bela bosta, sugiro que vá obrar para o meio de um mato. Portugal mesquinho de mentes tacanhas. 

Sometimes I get lost inside my mind...

Better. Faster. Stronger. Mais. Melhor. Nada ao acaso. Perfeita. Irrepreensível. Perfeição? Chega! Nunca mais. Enough. 

08 novembro 2014

07 novembro 2014

(D)as dores (do mundo).

Diz-se que o limiar da dor tem um valor para cada indivíduo, na natureza única de cada um de nós... "Como classificaria a sua dor numa escala de 1 a 10?". Consigo apontar para onde me dói, sei que é de natureza palpável, visível aos olhos da medicina moderna. E isso, para mim,  é um conforto. Antítese? Não. Durante anos, existiam outras dores tão mais fortes e que não eram vistas num ecógrafo, num raio-x, em valores alterados de análises. Prefiro estas. Diz-se que uma pessoa se consegue adaptar e habituar a quase tudo, até a viver com dor crónica. Sim, uma pessoa habitua-se a tudo. Sim, a vida decorre, a terra continua a girar sobre o seu eixo, dia-noite-dia-noite... Prefiro dores claramente identificáveis, aqui, ali, mais para a esquerda...sim, prefiro estas, as que cedem a analgésicos. E depois, "after all tomorrow is a new day...". E a vida decorre, dia-noite-dia-noite... 

06 novembro 2014

Sometimes I get lost inside my mind..

Quando andava a tirar a carta, sôfrega de pegar na chave e ir para onde quisesse a meu bel prazer (ou assim achava eu, que depois de recuperada de uma cirurgia ao pé que me tinha deixado dependente e de canadianas durante 10 meses, estava tola da vida para dar uso ao carro que me esperava na garagem, tão tontinha senhores… ), o percurso acabava sempre, invariavelmente no regresso à casa de partida, por passar pela Rua da Escola Normal. Fazia-me muita confusão ter de travar naquela rua, chegava a ser pânico. Para quem não conhece, a Rua da Escola Normal desce a pique e desemboca em Santa Catarina, rua de sentido único, com uns semáforos mesmo, mesmo, mesmo no fim. Invariavelmente, acabava a pedir às alminhas que o semáforo estivesse verde. A Rua da Escola Normal, mais propriamente as travagens na dita, inundavam a minha cabeça de imagens dantescas, em que eu travava a fundo e o carro girava sobre o seu próprio eixo 180º, acabando eu assim de cabeça para o ar, a ver o fio grosso de ouro com o crucifixo do meu instrutor pendente do seu pescoço, a abanar como nos filmes trágicos enquanto a poeira assenta (ou algo assim, só para dar a ideia de cenário de horror). Em todas as hipóteses que eu colocava, o ter de travar naquela rua angustiava-me sempre.  E se o carro fizesse o pino? E se os travões falhassem e eu me enfaixasse na montra da Hertz? (muito cena à 007, mas aí não era um Yaris vermelho nem a Hertz, era um Série 7 e uma Avis, mas vai dar ao mesmo, não interessa muito ao caso). E se eu acertasse no semáforo? E se eu ficasse daltónica e visse verde e fosse albarroada por quem descia do Marquês? Ou pior, se fosse albarroada por um autocarro dos STCP em hora de ponta, cheio de gente irada? Tirei a carta.Travei muitas vezes nessa rua e noutras a pique. Até hoje, nenhum dos carros que conduzi deu uma volta de 180º, fez o pino, nem eu entrei num salto galopante para dentro de uma montra qualquer ao volante. Independentemente disso, nunca me esqueci do que a Rua da Escola Normal fazia ao meu imaginário de condutora maçarica. Não sei porquê, mas hoje, ao travar por alguma coisa, lembrei-me da Rua da Escola Normal, dos seus semáforos e de como eu implorava, aos santos e alminhas, que o semáforo estivesse verde. Tudo, para não ter de travar. 

05 novembro 2014

" Remember, remember...

... the 5th of November" 
(V for Vendetta)

Motherhood is not for sissies.

Ralhei-lhe logo de manhã, depois de uma noite mal dormida. Ralhei-lhe porque a sua birra non-sense me fazia sentir ainda mais a cabeça pesada de sono e vazia de calma. Ralhei-lhe baixinho, como faço sempre, sem gritos, de cócoras à altura dos seus olhos, os meus nos dela… "Francisca, acabou a birra". Secou as lágrimas gordas, cheias de sono depois de uma noite de tosse, acalmou-se e perguntou-me se estava triste. Disse-lhe que não, que a Mãe estava zangada porque a Francisca estava a "birrar". Francisca olhou-me nos olhos e perguntou, a limpar o ranho com as costas da mão, se eu gostava muito dela. Respondi que sim, que gostava muito dela, mais do que tudo neste mundo e em outros, mais do que tudo o demais, que sim, que a Mãe gosta muita dela e que a Francisca vai sempre no coração da Mãe. "E a Mãe no coração da Paquica". Ralhei-lhe logo de manhã, como não costuma acontecer. Teve de ser. Motherhood is not for sissies, they said. E eu concordo. 

04 novembro 2014

A sério?!?

Ah, o temido dia… Aquele dia em que a Cria me chega a casa com uma "prenda" de uma festinha de aniversário* (que para grande pena minha não eram gomas para eu enfiar o dente) e ao ajudar a desembrulhar a tão amável oferta, choco de frente, sem airbag nem nada, com um "coisinho" de fazer "bulhas" de sabão da… Hello Kitty. U-a-u! Não fosse a visão da coisa má o suficiente, descubro que a minha Criança, além de reconhecer a bixa horribilis, ainda diz: 
-Mánhe, óh Mánhe, é da Ailou Kéitê
Porquê? Pooooorquê????? Why? Uái? 
* e eu triste como a noite por Francisca, bicho tão bom desta Mãe, me ter nascido em pleno mês de Agosto, altura de férias. Tristíssima da vida… Upa upa!  

Bom dia, bom dia...

(uau, tenho em crer que o ter saído da cama foi o "achievement" do dia… ) 

03 novembro 2014

[and we'll never be royals]

[vi há pouco uma daquelas coisas que me fazem perceber que we'll never be royals. vestidos e fitas e laços e coisas especiais xpto para o Natal. especiais para a ceia e para o dia de Natal. o ano passado os vestidos (?!?) eram polares, sendo que havia, entre outros, um de vaca com tudo a que tinha direito e uma Minnie saltitona, embriagada de sono, brinquedos e mimo. Os polares, daquela loja que a Sra. agradeceu muito por ter aberto em Matosinhos, foram a edição especial Xmas '13. sim, we'll never be royals. But we will always be royalty] 
Ainda falta muito para Janeiro?  
(não, não vou dissertar sobre o meu choque quasi-anafilático à época) 

Em minha defesa.

Para quem diz que eu tenho um problema com compras (eu não tenho um problema com compras, tenho um problema em não ser euromilionária e ter bom gosto, está bem?), aqui fica escrita a minha defesa, sem possibilidade de mais acusações à minha pessoa, a que compra tarecos, trapos e sapatos. Sim, para calar essas vozes que se levantam em coro quando uma nova encomenda chega (palminhas, palminhas, que emoção), aqui fica a minha redenção: acabei de encomendar uma coleira com um laço para a Mofli, que faz matchy-matchy com um laço da Francisca . E assim, começo a minha segunda feira, com a sensação de dever pindérico cumprido. 
(lai lai lai … sou tão pindérica, tão pindérica e estou a criar uma piquena tão pindérica, tão pindérica! yay! "palminhas" lai lai lai )

31 outubro 2014

Doce ou travessura...

Anos depois, 4 (salvo erro), regressada de Terras de Tio Sam, volto a abrir a porta a Mini-Bruxas, Mini-Zombies, Minis dizendo em coro "doce ou travessura", enquanto fazem festas na Mofli e eu despacho os chupas e bolachas de chocolate  (mais que a conta) que os Avós deixaram para a Francisca. Não quero nem saber se não é uma tradição Portuguesa... McDonalds também não é e não há quem ainda não tenha enfardado o belo do hambúrguer. 4 anos depois (salvo erro) recebo fotos do meu querido Matt, maravilhas da tecnologia (obrigada Apple!!!!!!), mascarado para o Halloween. 4 anos depois, a saudade do outro lado do Atlântico, ao ouvir "doce ou travessura"... 

p.s- sou gaja de para o ano mascarar a piquena, a cadela e a mim mesma para ir pedinchar doces. 

Manhãs.

Fui, como faço quase todas as manhãs, levar a Francisca à Escola. Depois de lhe dar um beijinho, foi a correr pousar a mochila no sítio destinado aos seus tarecos. Ia dar meia volta, já me tinha despedido, já lhe tinha dito o tradicional "porta-te bem, até logo", quando Francisca olha para mim e num quase grito, voz elevada, para ter a certeza que a ouvia à distância de 10 passos nas suas pernas pequenitas, disse: 
- Mánhe, gosto muito de ti Mánhe.  
Baixei-me, abri-lhe os braços, Francisca correu para eles. (Está tão grande, pensei. Mas ainda é tão pequenina a minha Menina…)  Apertei-a contra mim e disse a mesma ladainha, a mesma que lhe digo tantas vezes, tão minha e daquele dez reis de gente, aquela menina meia empertigada, teimosa, aquela menina de mim.  
- Francisca onde está a Mãe?
- No meu coração Mánhe!
- E a Francisca, onde está?
- Aqui! (pondo o seu indicador sobre o meu peito. 
Sorriu-me e foi-se embora, sem dúvidas nem hesitações.  (Está tão grande, pensei. Mas ainda é tão pequenina a minha Menina…)
Posso não ter nascido para ser Mãe (que não, faço o melhor que consigo), posso continuar naquela do tentativa-erro-deixa-cá-ver-o-que-sai-daqui, posso perder a paciência mais vezes dos que as que gostaria, posso perguntar-me muitas vezes se sou rígida de mais, se sou complacente de mais, se estou a traumatizar a criancinha para a vida e passará anos em terapia a dizer que a Mãe era um bocadinho estranha…  mas porra, algures pelo caminho, em algum momento, alguma coisa devo estar a fazer bem. 


30 outubro 2014

Eu sofro dos nervos.

Digo muitos palavrões mas muitas vezes mentalmente, não vá a criança ouvir e desatar a repetir. Digo muitos quando estou sozinha e irritada, pior que um carroceiro. Praguejo em excesso. Faço piadas de humor negro, que me darão entrada directa no Inferno e estou-me a lixar para isso, fazem-me rir. Acordo mal disposta e com umas trombas até ao chão. Reclamo por causa do sol nos olhos e por causa do calor. Não tenho paxorra para responder a mais porquês ao fim do décimo primeiro e saco do "porque sim, porque sou a tua Mãe e eu digo porque sim". Perco-me a ver lojas de trapos online e a fazer listas ,também mentais e virtuais, de todas as coisas que gostava de ter. Não percebo o conceito de minimalismo, nem de revivalismo e reciclagem, bem reciclagem, só mesmo a do Gervásio e muitas vezes tenho de pensar para que é o amarelo, pior que um macaco, que sabia a cena de trás para a frente, nódoa que sou, que não sei reciclar roupa ou kits,  como é de bem ser dito. Também penso em todos os sítios aonde não fui e onde tenho de ir, de todas as viagens que me faltam fazer e às vezes vou ver quanto custam passagens de avião para aqui ou para ali.  Gosto muito de vinho tinto, mesmo muito, especialmente de vinhos do Douro mas a ser, serei bêbada perdida e não alcoólica rica. Gosto muito de tascas e não sou da equipa da folhinha de alface, do cenas gourmet com redução do raio que parta, sou até bastante brega se for a pensar bem no caso. Gosto de estar no meu canto, tipo bicho do manto, 'sogadita, tanto que às vezes tenho vontade de rosnar em vez de falar, ou talvez grunhir, depende de como esteja dos nervos. É que eu cá sofro muitos dos nervos. 

True story!

yup!

29 outubro 2014

Bom dia, bom dia!


Cada uma na sua cadeira. Ambas desgredenhadas, com cara de sono, mas ambas felizes. E é isto que também dá cor aos dias!   
Bom dia! 

28 outubro 2014

Respirar. Bem fundo. De novo.

Muitas vezes, escrevo coisas como "este tipo de cancro, afecta não-sei-quantos milhões de pessoas e só 10% sobrevivem num prazo de 5 anos. Muitas vezes, leio sobre outros tipos de cancro, que não aquele que a escolha ou o destino(?) puseram no meu percurso profissional, assim como com o "bicharoco y", cuja infecção é uma das causas do cancro x. Nunca penso muito sobre o facto de os x% não serem uma coisa fria, desprovida de sentimento, nunca penso muito que aqueles números são pessoas, vidas, poderia ser a minha até. Nunca penso muito sobre a hipótese de naqueles milhões poder estar alguém que eu tenha conhecido, me tenha cruzado com, ou venha a cruzar-me de futuro. Nunca. Tal como quando vi os filmes absolutamente extraordinarios que o IPATIMUP (ide aqui) fez sobre 5 tipos de cancro, limitei-me a achar que estavam excelentes (como seria de esperar de um instituto de excelência) não parei para pensar que as % ali referidas são vidas, com outras vidas que gravitam em seu torno, entrelaçadas por laços distintos. A palavra "cancro" faz parte do meu dia-a-dia, felizmente, num âmbito de trabalho e de estudo. Não de realidade. Ou pelo menos, nunca o foi de realidade numa realidade tão próxima e palpável até à biópsia a que o meu Pai foi submetido. Foram dias em suspenso. Em que pensava, racionalmente, que se trata, há tantos tratamentos, tanta coisa nova, tantos avanços. Foram dias em que dava por mim, emocionalmente toldada, a contar quantos parentes meus (nossos) tinham falecido de cancro e concluía, de forma triste, que as duas mãos não chegavam para contar todos aqueles que, ao longo dos anos, mais próximos ou afastados, perderam para o cancro. Também há os que sobreviveram, lutaram e conseguiram, casos de sucesso. Foram dias em que não conseguia ver a palavra "cancro" escrita. Não a podia dizer muito alto, alguém podia ouvir, podia dar azar. Foram dias em que pensei e que senti que era pequena de mais para ficar sem o meu Pai, que a Francisca era pequena de mais para ficar sem Avô, que a minha Mãe era nova de mais para muita coisa. Foram dias difíceis, dias em que muitas vezes queria fechar os olhos e dormir até saber o resultado. Dias em que acordava e pensava que tinha sido um pesadelo meu. Foram dias em suspenso. Já passou. Está tudo bem. Volto a dizer a palavra "cancro", a lê-la e a pensar que não sou assim tão inútil para a sociedade, não obstante a invisibilidade e a (in)significância que uma gota de água faz no oceano. Tenho imenso respeito a esse covarde, o cancro, mas medo…? Não lhe tenho medo, isso, não. E assim, a vida vai retomando o seu ritmo, em cinzas quentes e com a certeza de que ainda sou pequena demais, nova demais, menina demais e que ainda e sempre preciso muito do meu Pai. 

[Mesmo que não lho diga, mesmo que tenha dito um "ah pronto, ainda bem, está bem então!" ao telefone. Eu sei que ele sabe que serei sempre a sua menina, por vezes Leãozinho, por vezes Libelinha. E eu sei que ele também sabe que sou má de pessoas e ainda pior de por o coração em alta-voz. ]