11 julho 2011

Para ti, Francisca

Depois de meses (mais de um ano, tenho de ser honesta) sem me lembrar que tinha um blog, resolvi voltar em força :) Vou ( tentar ) resumir um bocadinho a minha história para vos situar até ao dia de hoje ...
Daqui a  8 semanas (mais coisa menos coisa) vou conhecer-te Francisca. És uma bebé muito desejada ( e já muito, muito, muito, muito amada e mimada) mas que mesmo assim para mim chegou como uma surpresa de Ano Novo. 
Depois de quase um ano desterrada  de Marido, Família e Amigos nos EUA por causa do Doutoramento (um caminho muito atribulado que discutirei quando falar disso não me der ataques de urticária, o que provavelmente acontecerá quando e se algum dia o terminar ) e tendo como única companhia uma Yorkshire com personalidade de Labrador, eis que regresso, acompanhada do teu Papá em Dezembro de 2010. E voltar a casa tem um travo único, indescritível. Nunca me vou esquecer do dia em que finalmente entrei no avião, pus a transportadora debaixo do banco da frente, olhei para o teu Pai e disse: "Vou para casa, finalmente! Já não fico louca de vez. Obrigada por me vires buscar Querido". ( tenho de referir que sem o teu Pai ter ido buscar a Mamã teria sido muuuuito complicado trazer todos os sapatos e outras coisas compradas no âmbito da "retail therapy")
Há algum tempo que falávamos sobre ter um filho. Sempre quisemos ser pais novos. E nisto veio o " vamos não fazer nada para que não aconteça. Não estamos a tentar, estamos a não evitar".  Na minha cabecinha, iria demorar imeeeeeeeenso tempo até conseguir engravidar. O meu passado não abonava muito a meu favor no ponto fertilidade (achava eu).  Depois de anos às voltas com anorexia nervosa e depressão (sim, faço parte dos números dos que "Vivem livres dentro de uma prisão") e de muito esforço para voltar a ser "normal" (seja lá o que isso for, nunca percebi muito bem o que é ser normal) achava que o ter filhos tinha sido algo que algures pelo caminho de volta a ser Eu se tinha estragado. Não podia estar mais enganada... ( e ainda bem!!!). 
Dia 6 de Janeiro, enquanto fazia uma das muitas viagens de pendular Porto-Lisboa, recebo uma chamada do Papá: "Tive um acidente" disse ele. Fiquei sem reacção, perguntei se estava a brincar. "Não, não estou a brincar. Tive um acidente, não estou ferido, mas o carro está em mau estado. O que faço?'" (e nisto apercebo-me que fui a primeira pessoa a quem ligou, qual GNR, qual 112). E volta-se a ouvir do outro lado " O que é que eu faço?"  Por milagre ou algo do género, não teve um único arranhão, uma nódoa negra ( e todos os dias agradeço por ele continuar aqui, ao meu lado, a segurar-me nos seus braços). Quando finalmente nos encontramos, a única preocupação que existia para ele era que eu fizesse um teste de gravidez (qual carro, qual quê, precisas de fazer um teste, hoje!). Já tinha comentado que estava com um atraso de 3 dias, algo nunca visto em mim. Tivemos de esperar até ao dia seguinte, não encontramos uma única farmácia aberta nas redondezas. Sexta feira, dia 7 de Janeiro, e sobre o olhar atento do Fernando Pessoa na Brasileira, vimos escrito "Grávida" ...e pouco depois a ampulheta parou de piscar e dizia "Grávida 2-3". A minha boca abriu-se qual sapo a caçar moscas... O teu Papá só disse "olha que giro! Até tem acento no a e tudo!!! "homens...Depois de .uns minutos (talvez tenham sido segundos, não sei) ouve-se "Vou ser Paaaaaaaaaaaaii!!! Eu vou ser Paaaaaaaaaiiiiii!!! Um whisky 12 anos por favor." E eu sorria e olhava para aquele mostrador e pensava " e se for um erro? e for um resultado falso?" (e sou eu da área das ciências senhores, casa de ferreiro...).  E foi assim que soubemos que estávamos nesta viagem de ser Papás! ( sim, fiz mais 3 testes de gravidez, só para ter a certeza... tinha de te dizer se não o teu Papá não ia perder a oportunidade de gozar com a Mamã). 
Soubemos cedo que eras tu, Francisca, que estavas a caminho. Às 11 semanas soubemos por um teste novo que era uma menina que vinha para alegrar os nossos dias ( menina do Papá como alguém não se cansa de repetir). Não foi difícil decidir o teu nome, já há muito tempo que estava escolhido (um dia conto a história por detrás do nome :) ). 
E agora faltam 8 semanas, mais coisa menos coisa, para te conhecer... Obrigada pelos pontapés que me vais dando, como que a dizer" sim estou aqui, estou bem e estou quase a chegar!!!" E nisto, apercebo-me que sim, estás quase a chegar. Vou ser Mãe... e tenho muito, muito muito medo de não ser capaz de cuidar de ti como devo, de falhar... Filha, faltam 8 semanas, mais coisa menos coisa, para te conhecer. E tenho medos e receios e dúvidas... E penso em como será a tua carinha, como será o teu choro, as tuas mãos e pés pequeninos.  E se serei capaz de te proteger de tudo o que o Mundo tem de mau...serão os meus braços o suficiente para te envolver? E faltam 8 semanas, mais coisa menos coisa... 

2 comentários:

guilherme alexandre disse...

Está como tudo em ti.. Simpesmente fabuloso, meigo e escrito de uma forma bela mesmo.
Os meus Parabéns! E agora.. não percas o ânimo.. Continua.. Eu e a Francisca queremos mais!! :D
Parabéns

raquel disse...

Adorei!
Muitos parabéns pelo blog, pelas palavras, e acima de tudo pela Francisca.
Desejo-vos tudo de bom, minha querida.
É um prazer "conhecer-te".
Beijinhos grandes,
rar*