Já não consigo ver baby TV. Eu estou em agonia. Eu agonio quando a Francisca pede para ver "os animados". Apetece-me pegar num bastão e ir-me à TV. Não tenho um bastão mas tenho o sabre de luz azul do Luke Skywalker o que faria do meu acto de desespero uma coisa muito geek. Mas depois não tinha dinheiro para outra e quando não há animados há coisas para mim. Nem que seja trash TV. Mas estou em agonia com a porra do baby TV. Definitivamente, estar fechada em casa atrofia-me os circuitos neuronais.P.S- A Francisca hoje está melhor :)
31 outubro 2013
Inconfessável...
29 outubro 2013
Seringas, a minha Avó e Epás de fruta.
Até às quatro da tarde, a Francisca tinha comido 3 ou 4 colheres de cerelac. Ofereci de tudo e mais alguma coisa e nada. Chorava, cerrava a boca e nada na pançola da piquena. Nem gelado, nem leite com chocolate. Mas abria a boca para eu lhe enfiar ben-u-ron goela abaixo. A miúda curte à brava tomar xaropes, o que é um bocado sinistro mas isso agora não interessa nada. Lembrei-me da minha Avó. Quando o meu Avô teve o AVC e se recusava a comer, a minha Avó pegava num prato de Nestun, numa seringa e alimentava-o assim, não deixando que definhasse. Acho que foi isso que manteve o meu Avô vivo durante 4 anos após o AVC, a incapacidade de desistir da minha Avó. Mas quanto à pneumonia que acabou por o levar, não conseguiu lutar. Pus-me a pensar nela. Juntei tudo na cabeça. "Francisca, abre a boca. Olha o remedinho". E foi assim que lhe despejei, literalmente, um epá misturado com fruta de boião. Eu quero é que ela se mantenha alimentada. E se tiver de ser à seringa, à seringa vai. E sim, epá derretido com fruta pode não ser o mais saudável. Mas alimenta. E já tem mais qualquer coisa que 3 ou 4 colheres de cerelac na pançola. Graças à lembrança da minha Avó. Se é um método pouco ortodoxo ou sinistro? I don't give a shit. Uma pessoa faz o que tiver de fazer. E eu sou a Mãe dela. Faço tudo o que for preciso. Até alimentar à seringa.
28 outubro 2013
São aftas, senhores...
Gosto muito de arrastar o meu real pandeiro para as urgências infantis desta Terra do Inferno. Deliro. É que para além do ir lá implicar que tenho a minha Cria mai'linda doente, é toda uma experiência alucinante que me faz querer beber copos de vinho às três da tarde. Seria cocktail hour nalgum ponto do planeta mas ainda não me desgracei a esse ponto. Maneiras que após dias sem comer, um hálito de levantar mortos para os assassinar de volta, muito choro, prostração e febre, vamos lá outra vez. Diz que é estomatite aftosa. Um nome pónei para traduzir a boca, garganta, língua cravejadas de aftas e gengivas em sangue de tão inflamadas. Diz também que é contagioso e Escola por uns dias nem pensar. Mas tem um lado bom, sua Alteza Sostra tem ordem médica para enfardar quantos gelados quiser. Ah, as maleitas infantis são todo um Mundo com coisas novas para descobrir. Acontece que eu gosto de descobrir coisas num laboratório, não propriamente no Mundo infantil.(só quero que ela melhore que isto é uma dor d'alma. sim, eu tenho disso)
26 outubro 2013
Coisas hi tech que uma Mãe em desespero descobre.
Descobri que o meu iPad serve para mais que fazer apresentações de defesas de Teses do Inferno, desvairar-me em compras online e ler as ultimas cusquices deste Mundo. Aprendi que serve para distrair criancinhas virosas e vomitantes enquanto lhe despejo pela goela a canja que aprendi a fazer à conta dos vírus infantis. Passadinha que se não vem logo fora, ou seja, uma água amarelada. A viola, o ursinho não sei quê, os dentes e outros. Descobri que o Ruca me dá azia mas deve ser psicológica, que a visão de tanto vómito e a visão de canja já me tira os apetites, quanto mais águas de aspecto duvidoso. Todos ao meu dispor no meu bichinho hi-tech fófinho. Serve também para entreter criancinhas durante um certo período de tempo a ver se a coisa fica dentro da pançola e não no meu cabelo, no chão, nos móveis e outros que tal. Ou não.
25 outubro 2013
Dramas de canja entre doenças de criancinhas...
Ontem à hora de almoço fui buscar a Francisca à Escola. Vomitou o almoço e tinha febre. A Francisca quando faz febre faz coisa digna do nome, assim 39 que não vamos cá fazer por menos. Vim para casa com ela. Aguentou o lanche. Vomitou o jantar. Febre. O tradicional alternanço de 4 em 4 horas entre os também tradicionais medicamentos. Passou a noite no registo do costume mas com menos pujança. De manhã, febre. 39. Aguentou o pequeno almoço. Dormiu 30 minutos de sesta e almoço fora. Febre. Passeio nas urgências. O tradicional diagnóstico: virose. Maneiras que no meio disto tudo ainda (também) decorre o meu drama sopeiral: já perdi a conta às peças vomitadas que lavei, à quantidade de máquinas de roupa que fiz (agradeçam à minha rica Filha, chupistas da EDP!) e descobri ainda que não sei fazer canja. Nunca fiz tal na minha vida! Santa Bimby, desenrasca-me! Fui à procura de uma receita (um bocadinho a medo de encontrar um "seriously?!?que espécie de Mãe não sabe fazer canja?"). Mas encontrei e ainda descobri que a coisa desfia o frango por mim. Maravilha. Sou tão... domestically disabled que parece anedota. Por isso, rio-me. Porque no meio de tanto vomitado e supositório, aprendi a fazer canja. Ena, que prendada sou. Algo me diz que a canja-da-vergonha-de-naba-sopeira vai, na melhor das hipóteses, acabar no chão. Mas é assim, faz parte.
22 outubro 2013
E com o tempo...
... this too shall pass. Foi o que repeti depois de a deixar na Escola, quase a fugir escadas abaixo, com as lágrimas a escorrerem-me pela cara abaixo. Eu não choro em público nem para público. Repeti vezes sem conta, and in time, this too shall pass. Afinal, sempre choveu esta madrugada. E hoje de manhã. Por algum motivo, a privação de sono é usada como tortura. Dói-me tudo no corpo, sinto que a pele me dói. Tenho o coração tão pesado que me custa a respirar. É uma fase. And in time, this too shall pass. Paciência. Calma. Aguentar. Não vacilar. And in time, this too shall pass. No alarms and no surprises... Silent... This too shall pass.
21 outubro 2013
Vai tudo na vassoura.
Quero comer chocolate até me sentir agoniada. E gomas. Quero comer chocolate e gomas até me sentir agoniada. E juntar tudo com vinho tinto até me sentir agoniada. Quero que chova, que chova muito, mas sapos e rãs dispenso. Quero que ou seja Outono ou Inverno e não este tempo que não é carne nem é peixe. Quero dormir e babar-me a dormir e quero pouco saber se é assim meio ao nojento eu dizer que quando estou a dormir profundamente me babo. Ba-bo. E sabe-me muito bem porque é o melhor sono de todos. Mas eu quero mesmo é dormir, nem preciso de me babar, não me vou por com esquisitices. E comer chocolate e gomas e misturar tudo com um (-ns) copinho(s) de vinho tinto. Até pode ser zurrapa que eu hoje estou pouca dada à finesse. Não que tenha muita mas tiram-me o dormir, aquele em que me babo e fico ainda mais estrebeira e eu quero é que vá tudo rebolar no feno. Isto porque se fosse dizer que queria que fosse tudo para o inferno, rimava com aquecer neste Inverno e isto nem é carne nem é peixe, é tempo nhónhó, cócó, qualquer coisa assim. Em boa verdade, eu quero mesmo é dormir. E se hoje alguém me diz que vais ver que esta noite dormes como um bebé eu convido-os a passarem a noite em minha casa. Ou atiro-lhes com a coisa que estiver mais à mão à cabeça. Os bebés não sabem dormir, ensinam-se a. E tal como ensinei uma bebé enfezada a dormir, hei-de conseguir ensinar uma criatura nos seus terrible two a dormir calada. Até pode não dormir, mas calada tem de estar. Porque eu gosto muito de dormir. Especialmente se me babar. E eu fico disfuncional sem dormir. Estou embriagada de sono.
Desabafo de uma Mãe à beira de um ataque de qualquer coisa.
Anda há dias que diz que vai chover. Choveu um pouco um destes dias, mas não o prometido pelo meu telemóvel. Também só sei que dia é hoje porque está escrito no verso da estúpida da pílula que ando a tomar. Hoje, ninguém dormiu. De novo. Mais uma vez. Francisca passou o seu dia de Domingo a pintar a manta. Fez asneira atrás de asneira, berrou, gritou, esperneou o tempo todo da sesta, atirou-se da cama, onde foi de novo colocado o dossel, que a fez cair e não sair sorrateiramente como na noite anterior. Hoje a grade sai, para evitar acidentes. Fez 30 por uma linha, bateu na Mofli, mexeu em tudo que não devia. Ficou de castigo sentada numa cadeira 2 minutos, até ter ordem para levantar. Não sei onde fui buscar esta, mas sossegou um pouco. Dei-lhe banho. Fiz-lhe o jantar. Vomitou parte do jantar porque puxou o vómito de propósito. Fui deitá-la, com a nossa lengalenga de sempre. Deu luta mas adormeceu. Dormiu 2 horas, tranquila. Depois, recomeçou tudo, de novo. Francisca quer que alguém se sente na cadeira e ali durma, em adoração da sua existência. Francisca grita, chora, berra. Birra, birra, birra. Francisca puxa de novo o vómito porque sabe que se o fizer alguém aparece. Troco a cama, lavo o vomitado da colcha à mão e apetece-me chorar. Mas não choro porque, pelo amor da santa, alguém com dois dedos de testa não se vai por a chorar porque está a lavar vomitado de madrugada e tem frio e sono. Francisca, está tudo bem. Fazer ó-ó com o KikoNico, com o Ursinho, com sei lá mais qual boneco. Luz de presença ligada. Luz do corredor acesa. Tanto faz, é indiferente. Eu sentada no chão à porta do quarto. Francisca, está tudo bem, a Mãe está aqui. As horas a passarem. Francisca só se cala quando alguém se senta na cadeira. Aí, deita-se em regozijo com a sua vitória e adormece num sono leve, que é interrompido pelo som do levantar da mesma. Não pode ser. Não há cadeira. Cadeira para o corredor. Fazer ó-ó, está tudo bem. Frio, tenho tanto frio. Francisca berra noite fora, madrugada dentro. Oscila entre gritos, berros, choro e conversa melada. Às sete e e meia, não quer dormir, não dorme. Enfio-lhe a papa pela boca abaixo, visto-a em modo automático e mando-a para a Escola com o Pai, que sai sempre muito antes de ela acordar. Nem sei se lhe lavei os dentes. Pede-me para lhe cantar uma canção qualquer das que costumo, mas digo-lhe "não". Dou-lhe um beijinho, digo porta-te bem na Escola e enfio-me no banho. Ah, a culpa. Será que a água me lava a alma da culpa? Não pode ser, não pode ser, não pode ser. Não é vida dormir numa cadeira, não é vida não dormir. Eu preciso desesperadamente de dormir, de descansar. Tenho frio. Hoje, tenho frio. A culpa, ah a puta da culpa. No sítio do meu coração hoje está uma uva passa, mirrada, pesada. Não, não, não. Não vem dormir para outra cama que não a dela. Não dorme ninguém na cadeira. Ainda a consigo ouvir nos seus gritos de birra, como se estivesse gravado na minha mente. Em repeat. Ligo para a minha Mãe em busca de um colo, de mimo, de carinho, de compreensão e apoio. Levo um atestado de incompetência enquanto Mãe, "que estou a fazer tudo mal, a traumatizar, a ser um bicho, que não sei fazer seja o que for bem, que sou casmurra e teimosa e "qual é o mal de a meteres a dormir contigo?!?" Oi?!?!?!?. Apetece-me chorar mas não choro. Não choro. Desligo a chamada e depois falamos, beijinhos. Recuso-me a chorar porque a minha Mãe não o soube ser e foi Avó. Recuso-me a chorar porque tenho sono e frio. Recuso-me a chorar porque me sinto uma merda, um farrapo, uma péssima Mãe mas que só quer o melhor para a Filha. E o melhor não é ela dormir comigo ou de uma cadeira ser feita cama. Não, não, não. Hoje não me apetece ser Mãe. Hoje, apetece-me ser Filha e ter colo e carinho e que alguém me passe a mão no cabelo e me diga que vai ficar tudo bem e que eu não sou a reencarnação do Demo versão Maternidade, porque escolho não ceder às birras de uma criança de dois anos. Apetece-me enrolar-me sobre mim mesma, em silêncio. Hoje não me apetece ser Mãe mas isso é delírio. Sou-o todos os dias. Espero que hoje chova. Pelo menos, fica o cheiro bom da terra molhada no ar.
19 outubro 2013
Esta deve achar que é o Macgyver...
Francisca voltou e no seu melhor ao estilo "se-eu-não-durmo-acompanhada-ninguém- dorme-nesta-casa!-(mais ou menos, vá, o que eu gostava de ter um y em vez de outro x)-nem-cão-nem-gato-nem-periquito-se-o-houvesse". Acho que tem assim uma queda para o regime ditatorial, a catraia. Está enganada, que isto aqui é uma democracia e quem manda, sou eu! É ouvi-la do seu quarto, quando faz shift gears no sono, porque até meio da noite ressona que é uma categoria, "Mánheee, anda cáaaa!" (já vou, quando forem horas de ir, dorme criatura), "Mánhe, senta na cadeira" (sento na cadeira o catano, que sento na cadeira), "Mánhe, quer fazer xixi e cocó" (o que tu queres sei eu minha Menina, que na Escola onde tu andaste já eu fui Professora (ditado Transmontano adaptado para não chocar ninguém), "Mánhe, olha a mosca" (deixa-a estar, tem proteína, é nutritivo), "Mánhe, dói a barriga" (yayayayaya), "Mánhe, dói as maminhas" (espera pela puberdade para isso, criatura). E mais um rol infindável de tentativas de persuasão a ver se alguém cai na ideia de lhe entrar quarto dentro e se sentar na cadeira a adorá-la. Vai-se ouvindo... da sala, do corredor, da cama, da sala outra vez, da varanda e vai-se ao vício, da cozinha e tenho de pedir à Oksana que limpe os azulejos, córrore, do corredor, da cama. Nisto, as horas vão passando e eu a vê-las e a ouvir o meio metro e mais uns cms de criatura ululante, que oscila entre a argumentação lógica e os gritos de birra. Até que às seis da manhã de hoje, estava o filme "não dei más noites em bebé, come com elas agora" a passar desde as quatro da manhã, comecei a ouvir a voz da piquena mais perto do quarto. Pensei para comigo que tinha ficado chalupa de vez e agora é que vai for. Cada vez mais perto aquele "Mánhe, anda cá! Óh, Mánhe, anda cá!". Pronto, pifei, o fusível queimou e o ratinho enforcou-se na roda. Mas não. Pela porta do quarto espreitava uma cabecinha de cabelo encaracolado, com os seus olhinhos de azeitona, meio a medo. Francisca ainda dorme na cama de grades, toda ela gradeada. Francisca não caiu porque se o tivesse feito eu tinha ouvido o tombo. Francisca tem dormido com a cabeceira ligeiramente elevada devido a uma tosse. Francisca deve ter aproveitado isso para alçar a perna e deslizar para o lado de fora da cama, abrir a porta do quarto e deixa cá ver onde esta marmanja se enfiou que isto assim não está com nada. Pois ali estava ela, com cara de quem sabe que fez asneira e fofinha e a sorrir e a pestanejar-me e olha, porra, eram seis da manhã, eu tinha sono, tinha frio, hoje estou a trabalhar e ela com aqueles olhinhos a olhar para mim, zumba, anda cá, whatever. Aninhou-se no meu peito e dormiu a fazer-me festinhas na cara. Se me soube bem? Até podia dizer que não, mas soube. Cedi, fui mole e não pode ser. Hoje, a Nazi do Colo e agora Nazi da cama volta a baixar em mim. E vai-se baixar também a cabeceira da cama, que ela nunca viu o Macgyver, por isso que não se ponha a inventar. Era só o que me faltava. Em dois anos, dormiu a primeira vez comigo. E a Nazi da cama diz que foi a última. Para ditadora de meio palmo e mais uns trocos, Nazi de salto alto. É a vida. Habemus pena.
18 outubro 2013
Piadas secas às bolinhas e querem ver que ela tem queda para politiquices?
Ontem à noite:
- Mánhe, conta os Dálmatas!
- Um Dálmata, dois Dálmatas, três Dálmatas, quatro Dálmatas...
...
Hoje de manhã:
- Vá. anda lá Francisca, a Mãe canta uma música para lavar os dentes... Deixa cá pensar... "Eu perdi o Dó da minha viola, da minha viola eu perdi o Dóooo. Dormir é muito bom, é muito bom, dooooormir é muito bom, é muito bom. É bom camarada, é bom camarada, é bom, é bom, é bom.
- Mánhe, Máaaaanhe, canta o camarada! Canta o camarada.
- A viola Franicsca, a viola!
- Não Mánhe, o camarada!
- A viola Franicsca, a viola!
- O camarada, Mánhe!
- A viola! É a viola, Francisca! A viola!
- Nãaaaao! O camarada!
(será que devia ter dito: Avante, Francisca?!?)
E nisto, se virem um buraco, é lá que hoje me encontram. Eu a dar-lhe na viola, ela no camarada e estou a ver que daqui a uns anos ainda me vai para a Quinta da Atalaia. De tanta coisa na música, o que havia de lhe ficar na memória. Aiiiii!!!
17 outubro 2013
Agora sim... Bom dia, bom dia!
É bom que melhore...
Francisca deu os seus bons dias hoje à "Mánhe", a minha pessoa, aos gritos do outro lado do corredor e da seguinte forma:
- Mánhe, fez um pum! Fezê um pum, Mánhe!
U a u! É o sonho de qualquer pessoa acordar com informações destas, assim, tão preciosas. Espero que o dia melhore, tendo em conta as primeiras notícias do dia...
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