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19 abril 2013

Ah, Sexta-feira...

Há qualquer coisa num laboratório vazio que me fascina. O "meu mundo". Todo para mim. Sem phones. A minha música no meu mundo. Encaixam. Enquanto olho para o tic tac. Time point. Tic tac. As horas a escorrerem na ampulheta digital. Apita. Time point. Tic tac. A luz que escorre por entre os estores, fazendo com que a pouco e pouco se formem sombras, recantos. Há qualquer coisa nisto tudo que me dá segurança. Porque posso nunca na vida encaixar em mais alguma coisa, mas sei que este é o meu mundo. E gosto disto. E do silêncio de um laboratório vazio rasgado pelo que ouço, fazendo com que coração e razão se encontrem, se misturem. Na frieza dos tic tac, microlitros e esterilidade, misturam-se palavras cheias de tudo, onde não existe assepsia de sentimento. E começa assim, o meu fim-de-semana. 

22 março 2013

Ah, Sexta feira...

Há uma frase de uma música (que não é bem uma música... mas eu acho que se qualifica a meio termo como música... adiante, não é o importante) que me costuma ocorrer quando o corpo me falha: " 'Cause the older you get the more you'll need the people you knew when you were young". Volta-se ao conforto destas mantas e à voz guinchante e estridente da Mãe, reclamando e insistindo, qual velho do Restelo, que um dia me corre mal. Volta-se aonde ninguém sabe onde está o telefone e o desgraçado toca e toca e toca... Volta-se à meia de leite que a D. Fátima me trouxe, aldrabada de café como só ela sabe, arrombando porta do quarto adentro, e "óh Menina, pelo amor de Deus, tudo lhe acontece! Já para cima  sentadinha e a comer tudo. E sem desculpas a enfardar a medicação, vamos lá... Fique aí quieta, não a quero ver nem ouvir, entendeu? E coma tudo que eu estou a ver!" É..." 'cause the older you get the more you need the people you knew when you were young... ". 
Bom fim de semana!

15 março 2013

Ah, Sexta-feira...

Mudança de planos. Stop. Francisca doente. Stop. 450 km. Stop. Febre alta. Stop. Impraticável e cruel para piquena. Stop. Cancelam-se almoços&jantares. Stop. Ela é A prioridade. Stop. Fica-se no Burgo.  Stop. Está tudo bem na mesma. Stop. Continua a ser Sexta-feira... Bom fim-de-semana! 

08 março 2013

Ah, Sexta-feira ( dia da Mulher ?)...

Uma Mulher é forte. Uma Mulher é frágil. Uma Mulher seca as lágrimas. As dos outros,  as suas, com as suas próprias mãos. Uma Mulher pede. Uma Mulher exige. Uma Mulher olha nos olhos mas só deixa ver os seus, na sua profundidade, a quem quer. Uma Mulher ama como só uma Mulher sabe amar. Como só uma Mulher pode amar.  Uma Mulher tem um regaço quente e um peito aberto para oferecer conforto, mesmo quando em ferida. Uma Mulher cala. Uma Mulher fala e fala alto quando é preciso. Uma Mulher cura as suas dores em silêncio, no seu silêncio. Uma Mulher tem recantos escondidos em si que os sabe mas não permite que os saibam. Uma Mulher sabe a graciosidade dos saltos altos vertiginosos sem deixar nunca de ter os pés bem assentes no chão. Uma Mulher mima. Uma Mulher cuida. Uma Mulher cuida-se, nas curvas de um corpo que só uma Mulher sabe, sente, que lhe pertencem. Uma Mulher pertence-se a si, nunca a mais ninguém. Uma Mulher pode dar vida num sopro de uma palavra. Ou gerá-la no seu ventre. Uma Mulher é quente de emoção e fria à luz delas. Uma Mulher é completa. Todos os dias. Não só hoje. Sempre. 

22 fevereiro 2013

Ah, Sexta-feira...

Existem auto-estradas. Existem estradas nacionais. Existem caminhos de terra batida. Todos eles vão dar a algum lado, todos eles levam ou trazem de e para. Todos eles, possivelmente, se interceptam em algum ponto no caminho que todos os caminhos fazem no seu caminho. Nem sempre calha percorrer uma auto-estrada. Às vezes, se se sair do directo e rápido, vê-se muito mais do que o que a alta velocidade permite: a visão em túnel, os separadores que passam a uma velocidade estonteante. Traço contínuo, traço descontínuo, liga o pisca, o olhar passa em fracções de segundos pelos retrovisores para confirmar que, apesar de a alta velocidade, é seguro. Sim, às vezes é preciso usar os outros caminhos, os cheios de curvas, por onde se vai lentamente. E apreciar. Saborear. Sem esquecer que eventualmente, se cruzam. Com calma, saborear cada bocadinho do bom que se tem, que se vê. E guardar, algures. Para que quando se retomar à auto-estrada, se lembrar que há outros caminhos possíveis. Todos eles válidos. Bom fim-de-semana! 

08 fevereiro 2013

Ah, Sexta-feira...

Ah, hoje é de Carnaval. Portantos, a ver, o que acha a minha pessoa do Carnaval? Qualquer coisa entre o horrendo, o sinistro, a náusea e o drama. Não, a Francisca não se vai mascarar. Não, eu não me vou mascarar. Ou melhor, ela pode ir de Terror d'Aldeia, o habitual e costumé. Não gosto de Carnavais. Não gosto de pré-adolescentes e adolescentes mascaradas de tramp. Não gosto de mulheres de carnes fartas a abanar-se no meio da rua com um frio do camandro. Não gosto de ver os meninos a passear pela rua. Está bem, está bem, eles gostam, diz que a minha um dia também há-de lá chegar. Nesse dia, mascaro-a de Leia. Assim, sem discussões. Pode ser Princesa (é a Rainha do meu coração) mas ao menos uma que não viva num castelo e mundos encantados, não dou para o peditório da treta dos fairy tales. A vidinha não é rosa, é bem melhor que isso, mesmo com cinzentos e negros. Portanto, o que tenho a dizer do Carnaval? Nada. E de Sexta-feira? Ah, coisa boa!!! Docinha, docinha, docinha... Com sol, muito sol... 

01 fevereiro 2013

Ah, Sexta-feira...

... de uma semana dividida entre cá e lá e no fundo, lado nenhum. Entre o que me é familiar e o que (ainda???) não me diz nada. Entre ruas que conheço de olhos fechados e ruas de uma cidade que não me quer. Coisa estranha de se dizer, que uma cidade não quer alguém... Até pode ser, who cares anyway? Faço coisas parvas, como ir por um caminho diferente de manhã, depois de deixar a Francisca na Escola. Talvez porque ache que eu também tenho de fazer a minha parte, também tenho de dar algo de mim ao sítio onde estou, também tenho de dar o benefício da dúvida e do desconhecido e por isso, querer saber, conhecer, perceber. Mas a sensação é sempre a mesma. Perco-me em ruas de sentidos únicos, ruas estreitas de calçada e demoro-me nestas andanças, enquanto a melodia vai saltando de rádio em rádio. E mesmo assim, mesmo fora de rota muitas vezes e sentindo que não, que esta cidade não me quer no seu ADN, fico. É que dê por onde der, o rio corre sempre para o mar. Sempre. Seja aqui, seja onde for. Por isso, venham daí mais dias em que me perco, dias em que já não sei muito bem onde o Norte fica, dias em que todas as rádios que sintonizo me fazem carregar no botão de forward. Dias em que me perco na minha cabeça em pensamentos soltos. Porque sei, indubitavelmente, que me encontrarei de novo. Uma e outra vez. 
Bom fim-de-semana! 

25 janeiro 2013

Ah, Sexta feira... (ou o colo da Avó)...

Rumo a Norte ao por do sol. Aos meus atalhos, às minhas esplanadas, ao meu doce nevoeiro, à curva que o rio faz antes de encontrar e se perder no meu mar, tão revolto. Rumo a tudo que também vive em mim, àquela luz difusa que é preciso aprender a compreender para a deixar correr célere nas veias. Rumo a Norte por mais dias que os dois de sempre quando posso, com obrigações que cumprirei o melhor que sei e que faço com prazer. 
Mas vou principalmente porque a minha Avó Materna, a única que me resta, faz hoje 86 anos. A minha Avó chama-se Maria Alice e tem olhos cinzentos, gastos pelos anos e por tudo o que eles lhe deram, uma vida cheia. Em tempos, foram azuis cristalinos, claros, profundos. Há poucas fotos dela quando nova, mas as que vi, já desbotadas, mostram-me uma jovem muito, muito, muito bonita. A minha Avó é baixinha, curvada, com a cara cheia de rugas profundas, rugas vividas e marcadas profundamente. Também ela, curiosamente, foi filha única numa época onde tal era visto como anti-natura. Pariu 9 filhos e criou 7 com a sabedoria que desejaria um dia vir a ter, a que não se aprende nos livros,  que esses apenas chegaram à 4ª Classe. E mesmo assim, faz contas de cabeça muito melhor que eu. Criou os filhos quase sozinha, sendo que o meu Avô era homem pouco dado a tudo que se relacionasse com os descendentes, que não os fazer. Quando o meu Avô foi fulminado por um AVC, cuidou dele incansavelmente durante anos. O meu Avô perdeu toda a mobilidade e capacidade de comunicação, ficando preso num corpo sem dono e numa mente intacta, sendo a minha Avó a única capaz de decifrar as suas necessidades. Uma pneumonia acabou por levar a melhor. No dia em que a minha Avó o enterrou, uma parte dela também ali ficou. E nesse dia, a idade abateu-se sobre ela. Hoje, move-se com muita dificuldade, imagino que numa dor constante que ela insiste em dizer (-me) não existir, mas que lhe leio nos olhos. Tal como lhe leio nos olhos a alegria que sente quando chego a ela com um chocolate ou uma caixa de gomas, uma alegria genuína, quase infantil. A mesma com que recebe o meu abraço e o meu beijo. A mesma com que mantém o seu riso e lágrima fácil. Aprendi muito com o que a minha Avó me foi ensinando, mesmo sem o saber. Um dia, disse-me "Filha és, Mãe serás" e eu nunca o esqueci, apesar de só anos mais tarde compreender o que me queria dizer. Claro que como boa Transmontana, é um poço de ditos e palavras maravilhosas, que guardo em mim, porque em mim vivem. Hoje, faz 86 anos. E apesar de rumar a Norte ao final do dia me saber a voltar aonde pertenço, a uma Cidade que me quer perdidamente e por isso me enfeitiça, me prende, num tango, volto com a felicidade de mais uma vez, lhe poder dar um beijo, no dia dos seus 86 anos. Parabéns Avó! Obrigada pelo teu colo durante toda a minha Vida e que a mesma, me deixe repousar a cabeça no teu regaço por muitos, muitos mais. 

18 janeiro 2013

Ah, Sexta-feira

Encontro surpresas onde menos espero. Como este bolo levado para um simples jantar, que achava eu ser mais um da saga Girls night. Disseram: "Repara, és tu! Tem os teus sapatos, os teus trapos, os teus livros, a tua Francisca e o urso que era para ser a Mofli. Ah e claro, o belo do copo!!!". Emocionei-me e penso que sou mesmo bicho, not a people's person, porque não soube dizer o quanto me tocou este gesto. Encontro surpresas em pessoas que me querem bem e eu, nem suspeitava. Mas a maior surpresa, encontro-a muitas vezes em mim, nos meus lados mais escondidos. Aqueles que nem à Mofli confesso... E assim, se chega a Sexta-feira!!! Bom fim-de-semana!!!

11 janeiro 2013

Ah, Sexta feira...

E diz que vem frio que é como quem diz uma aragem mais fresca, lá 10ºC em Janeiro é frio? Óh para mim, que sou tão fogosa!  Ai córrore Mêhóme, teremos (terás) de castorar muita lenha que tu alombarás escadas acima para eu não reclamar com o frio e ai Mêhóme que a casa é gelada e eu tenho frio nos pés, nas mãos, em todo o lado, e eu bufo nas mãos mas olha, não adianta de nada, está a ver? Uma chatice é o que é. E diz que vem frio pelo fim-de-semana afora e quero lá eu saber, pois que tenho lareira e mantas e filmes e eles todos e ainda uma provisão de gomas e croissants e doce húngaro cuidadosamente planeado, claro está, é que a gordura, ou a camada adiposa que me veio agora à cabeça e era palavreado pónei e olha, diz que sim, que protege do frio e eu tenho de contribuir para isso senão depois eu tenho frio e ele alomba com a lenha e tu és um castor e pérolas que tais atiradas à minha pessoa. Mas no final de contas, é Sexta feira, who cares? 
Bom fim-de-semana!!!

04 janeiro 2013

Ah, Sexta-feira...

Pena, hoje não o é para mim. Não, não, não. E bato o pé e digo não, quero lá eu saber do que diz o calendário. Sexta será Quarta. Para mim. 
Mas mesmo assim, bom fim-de-semana!!!

28 dezembro 2012

Ah, Sexta-feira...

A última Sexta feira deste ano. A próxima será já num outro ano, num caderno limpo onde os decalques de 2012 estarão marcados mas invisíveis. Não importa, será sempre Sexta-feira desde que me traga um sorriso mais aberto, será sempre, sempre, sempre bem vinda. Acarinho quem e o que me rouba sorrisos sem pedir nada em troca. Acredito que o que nos faz sorrir faz-nos bem. E que no novo ano que espreita ao virar da esquina, que Sexta-feira não deixe de me sorrir todas as semanas. E eu? Eu prometo que lhe devolvo o sorriso... 
Bom fim-de-semana!!!

14 dezembro 2012

Ah, Sexta-feira...

Ele acorda sempre primeiro durante a semana, após desligar o despertador aí umas cinco , seis vezes. Pelo menos já não é the Star Wars score às sete da manhã, mas creio que tem vindo a piorar drasticamente. Não me lembro do que foi hoje. Não é importante. Sai devagarinho da cama, sem fazer barulho, não quer acordar o bicho dormidoiro à bruta, não iria correr bem. Fico mais um bocadinho, aninhada na almofada dele, porque me sabe melhor que abraçar a minha. Volta devagarinho, sem fazer barulho. Quando está pronto, vem à minha beira com um beijo doce, meigo, ternurento. Um beijo muito leve nos meus lábios sonolentos, enquanto me diz "Bom dia Princesa, dormiste bem?". E depois, sai. E são estes pequenos tudos da minha vida a essência que me faz sorrir e acreditar que por muito que o mundo lá fora não seja o que me ilumina os olhos, vale a pena. Esta Sexta-feira e todas as outros, todos os dias, assim, juntos... This is the way it should be... 
Bom fim-de-semana!

07 dezembro 2012

Ah, Sexta-feira...

Há um spot publicitário na rádio que versa qualquer coisa como "tenho um plano para daqui a caziliões de anos e não sei quantos dias". Sempre que o ouço, lembro-me dos meus planos e dá-me vontade de rir. Mas rir a sério, com vontade. Acho que nunca fiz um plano que corresse de acordo com as linhas com que o cosi, pelo menos que me lembre, assim de repente. Ou saíam ao lado, ou era tudo ao contrário, ou "ai que não posso que me dói a barriga" ou nem pernas para andar teriam, mesmo com toda a boa vontade do mundo e arredores. Nem no lado profissional onde penso antes de fazer, matemática para frente, química para trás, onde se põem as hipóteses todas na berlinda (sim, não, esquece lá isso) as coisas seguem ao décimo do microlitro ou nanograma que se estipula porque nem sempre 1+1 são dois. Não há cá linearidades por estes dias, nem mesmo nas regressões. 
Maneiras que ao fim de uma série de anos em que me chateava com os planos furados e desilusões forçadas por expectativas elevadas, decidi virar-me para outra espécie de plano, aquele... o Carpe Diem. Também é um plano, não é? E muito válido, digo eu. E esta Sexta-feira, resta-me o meu único plano: Carpe Diem! 
Bom fim-de-semana!

30 novembro 2012

Ah, Sexta feira... (15 aos 30)

A inocência dos seus 15 meses. A capacidade de ainda se maravilhar com os pequenos grandes nadas que a rodeiam. O Mundo é agora o grande laboratório das suas experiências. Conhece-o Piquena, saboreia-o, vive-o em ti, pelos teus olhos, pelas tuas pequenas mãos. Mas aprende, também, que apesar de toda a rosa ter espinhos, o seu odor não será nunca menos inebriante, menos apelativo. Mas lembra-te dos espinhos, não os deixes entrar sob a tua pele. Andar, correr, explorar, cada vez mais depressa, mas com uma necessidade enorme de trabalhar a parte da travagem, menos Fiitipaldi Francisca, até que não seria mau. Doce e arisca, tem tanto de doce como de arisca A Menina dos meus olhos. Lembra-me o dia em que nasceu, de um sol doce de Verão, refrescado por um aguaceiro. Antíteses que se aprendem a amar e que se entranham em nós. 
E o tempo passa. E ela cresce. E eu cresço com ela, enquanto pessoa e enquanto Mãe. E peço, nem sei muito bem a quem, que não perca tão cedo (ess)a inocência que traz nos olhos, nos mimos desajeitados, nessa capacidade de se maravilhar com o que o dia (lhe) traz no leito. Sei que dor e desilusão também existirão na sua vida, que ninguém vive verdadeiramente sem provar o seu travo amargo. Mas que demorem a roubar-lhe a inocência, que demorem muito... por favor. E peço que nunca, nunca perca a capacidade de sorrir tão abertamente. 
E nesta Sexta 30, são 15. 

23 novembro 2012

Ah, sexta-feira...

 
A luz sombria e tímida dA Cidade faz-me falta. Acende em mim um fogo bom, quente. A sensação de ser acolhida de novo no colo que me viu nascer. A cada rua por onde passo, encontro memórias. A última Queima das Fitas, a primeira saída à noite, o primeiro beijo. As saídas com elas, as aventuras trocadas, o álcool tão doce nas veias que, por momentos, se esquecia de quem era e se deixava levar nesse sussurrar. 
Podemos viver em todo o lado, a condição humana assim o permite. Mas nem todos os sítios conseguem viver em nós, entranhar-se na pele. E o pulsar do meu coração, pulsa com a luz dA Cidade para onde regresso hoje. Por pouco tempo, mas tempo bom... 
Bom fim de semana! 

...


16 novembro 2012

Ah, sexta feira...

 
A vida decorre. Calma, serena, numa tranquilidade que deixo crescer em mim. Com tudo o que não tem preço, mesmo pagando o preço das escolhas. A vida decorre sem ser espectadora de mim mesma. A vida decorre, assim. 
E é bom, muito bom... 

09 novembro 2012

Ah, sexta-feira...

Quero tudo. Quero o ontem, quero o amanhã ainda hoje. Quero descobrir, conhecer, dar, receber. Quero tudo. Mais alto, mais longe, com a pressa da ligeireza das manhãs. Queria tanto deixar-me ir. Anda, deixa o tempo passar. Vê como ela cresce. Tão grande, tão franzina, tão bebé, tão menina. E sorri, sorri tanto. 
Novos caminhos, novos rumos, entrelaçados, torcidos, desvios confluentes. Baralha e volta a dar. 
E nesta sexta-feira, páro. Penso. Respiro fundo. Deixo-me embalar pela melancolia doce do fim-de-semana. E é bom, muito bom. O tudo pode esperar... 

02 novembro 2012

Ah, sexta-feira... (ou Mêhóme que abalaste para A cidade e eu fiquei na planície)...

Mêhóme,  
A tua filha choramingou a noite toda. T O D A. Aquele chorinho lamuriento, que se entranha nos ouvidos e revolve as entranhas de um santo, interrompido por gritos dignos de hiena sempre que se tenta abandonar o quarto de sua Alteza, que o frio já entranha os ossos. Deve ser dentes. Ou TPM. Ou qualquer coisa mas não me perguntes o quê, que eu não sei. Cheira-me a dentes mas também podem ser gases. Estou que nem posso abrir osjólhos. Apetece-me chorar. Tenho sono. A meio da noite já gania com ela.  O teu gato acha que o meu pescoço é o sitio ideal para repousar a banha. Tenho sono. Esta sexta-feira não traz dois dias a três, mas mais dias a duas. Vai estar de chuva e vamos ficar em casa a remelar-nos pelo chão da sala. Tenho sono. Preciso de um soro de cafeína. Hoje estreou os sapatos novos do laço dourado e foi a sensação da manhã no infantário, mas acho que precisa de mais um par. Vou à Zara online escolher uns quaisquer que estou aborrecida. E tenho sono.