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14 maio 2014

Brincar a sério. De verdade.

 Brincar é a actividade mais séria que as crianças fazem. 
" Há muitos anos, lembro-me bem, ainda brincávamos na rua, melhor dizendo, ainda brincávamos. É certo que muitos de nós não tiveram grande tempo para brincar, logo de pequenos ficaram grandes. Não tínhamos muitos brinquedos, mas tínhamos um tempo e um espaço onde cabiam todas as brincadeiras, quase sempre na rua.
Entretanto, chegaram outros tempos. Tempos que, para além das mudanças muito significativas nos estilos de vida das famílias, também parecem estar a criar outras ideias sobre o brincar e as brincadeiras. As questões relativas à segurança, obviamente importantes, não chegam para explicar a razão pela qual as famílias portuguesas usam tão pouco tempo em actividades de ar livre ainda que o clima seja favorável boa parte do ano. Aliás, nos países nórdicos, apesar das diferenças climáticas, verificam-se os níveis mais altos de actividades ao ar livre com implicações positivas na qualidade de vida, nas suas várias dimensões, de miúdos e crescidos.
Embora consciente, repito, das questões como risco, segurança e estilos de vida das famílias, creio que seria possível tentar “devolver” os miúdos ao circular e brincar na rua. Talvez com a colaboração de tantos velhos que estão sozinhos, alguns morrem mesmo de "sozinhismo", as comunidades e as famílias conseguissem algumas oportunidades para ter as crianças por algum tempo fora das paredes de uma casa, da escola, do centro comercial, do banco de trás do automóvel, do ecrã ou dos “espaços estereotipados” que o mercado criou.
No imperdível O Mundo, o mundo é a rua da tua infância, Juan José Millás recorda-nos como a rua, a nossa rua foi o princípio do nosso mundo e nos marca. Quantas histórias e experiências muitos de nós carregamos vindas do brincar e andar na rua e que contribuíram de formas diferentes para aquilo que somos e de que gostamos.
Como muitas vezes tenho escrito e afirmado, o eixo central da acção educativa, escolar ou familiar, é a autonomia, a capacidade e a competência para “tomar conta de si” como fala Almada Negreiros. A rua, a abertura, o espaço, o risco (controlado obviamente), os desafios, os limites, as experiências, são ferramentas fortíssimas de desenvolvimento e promoção dessa autonomia.
Talvez, devagarinho e com os riscos controlados, valesse a pena trazer os miúdos para a rua, mesmo que por pouco tempo e não todos os dias.
Eles iriam gostar e far-lhes-ia bem.
Por outro lado, ao que parece, afirmam alguns que não percebem de miúdos, os tempos não são de brincar, são de trabalhar, trabalhar muito, em nome da competitividade e da produtividade, condição para a felicidade, entendem. Roubaram aos miúdos o tempo e o espaço que nós tínhamos e empregam-nos horas sem fim nas fábricas de pessoas, escolas, chamam-lhes. Aí os miúdos trabalham a sério, a tempo inteiro, dizem, pois, só assim, serão grandes a sério, evidentemente.
Às vezes, alguns miúdos ainda brincam de forma escondida, é que brincar passou a uma actividade quase clandestina que só pais, educadores ou professores “românticos” e “incompetentes” acham importante.
Muitos outros miúdos vão para umas coisas a que chamam “tempos livres”, que, em algumas circunstâncias, de livres têm pouco e onde, frequentemente, se confunde brincar com entreter e, outras vezes, acontece a continuação do trabalho que se faz na fábrica de pessoas, a escola.
Também são encaixados em dezenas de actividades "fantásticas", com designações "fantásticas", que promovem competências "fantásticas" e fazem um bem "fantástico" a tudo e mais alguma coisa. A vida de alguns miúdos transforma-se numa espécie de sobrecarregada agenda cujas vantagens serão poucas e os riscos são de considerar.
Era bom escutar os miúdos.
Na verdade, se perguntarem aos miúdos, vão ficar a saber que brincar é a actividade mais séria que eles fazem, em que põem tudo o que são, sendo ainda a base de tudo o que virão a ser." 

07 abril 2014

Porque a vida não é para distracções.

O Manuel Forjaz morreu ontem. Achei que tinha sido engano. No dia anterior, tinha postado no facebook algo sobre o caso BPN, já ao final do dia. Algum tempo depois, os filhos de que tanto se orgulha(va), confirmaram. O Manuel Forjaz morreu. Em paz, na sua casa, sem dor. Deixou grandes lições de vida, de quem conseguiu viver ( e não sobreviver) 5 anos após o diagnóstico de um cancro. De certeza que inspirou muita gente ao longo da sua vida, antes e depois de viver com o cabrão do cancro, era impossível ficar indiferente àquele homem de olhos azuis e sorriso rasgado. Também não fiquei indiferente à sua profunda fé, que sempre vincou quando falava da doença. Deixa, para além de outras, a inspiração de que a vida é para ser vivida. Sem distracções. 

02 abril 2014

Nunca te distraias da vida.

Estava a fazer zapping numa noite qualquer, há já algum tempo, quando passei pelo TVI24. Um homem completamente careca, com uns olhos azuis lindos e um sorriso caloroso, cheio de vida. Uma entrevista. Uma pergunta. E uma resposta que teve tanto de humano como de desconcertante, num misto de herói: "nunca me perguntei porquê a mim. antes a mim do que aos meus filhos." Foi a primeira vez que ouvi o Manuel Forjaz falar. Este fim de semana, deu num dos 4 canais umas entrevista mais pessoal. Não me recordo do nome do programa, não é o importante. Não chorei porque estava à mesa, a almoçar em casa dos meus Pais e tive vergonha de começar a chorar. Não gosto de choros assistidos, mas é impossível ficar indiferente. Li o livro. Dormi mal na noite em que o acabei de ler. Não é um livro de auto-ajuda. Pelo menos, não o vi assim. Mas é um livro maravilhoso, de um herói, tal como todos os doentes oncológicos o são. Mesmo aqueles que perdem as batalhas, na guerra desigual contra o cancro. Espero que o Manuel continue a travar as suas batalhas sem nunca perder o optimismo contagiante que se sente, também, neste livro. 

24 março 2014

Não há "Lost" na vida real.

Diz que o avião que estava desaparecido, já foi encontrado. No Índico. No meio do azul do Oceano. Que maneira estúpida de morrer. Não é que ache que há maneiras boas de morrer, mas assim... Pelos vistos, não há "Lost" na vida real. Eu ainda acreditava que alguém o tivesse desviado, tráfico de droga, qualquer coisa. Não seria fácil aterrar um avião tão grande e passar despercebido a meio mundo, mas eu ainda acreditava que estava algures. Com vivos e não apenas pedaços de fuselagem com mortos. Que seria daquelas estórias com um final feliz. Ou quase. Mas não. Penso nas pessoas que ficaram. Nas que esperavam ver nos indicadores de um qualquer aeroporto o número daquele voo e um "arrived" à frente. Nos que acordaram naquele dia, com a ansiedade de receber quem seguia naquele avião. Nos que se despediram num "até já". Nos Pais que beijaram os Filhos e lhes prometeram trazer uma prenda no regresso. Na tripulação e que era apenas mais um dia de trabalho, que em breve regressariam a casa. O regresso que nunca vai acontecer. Penso sobretudo nos que esperavam o regresso da ida. Que nunca vai acontecer. Algures no meio do Índico, ficaram muitas vidas. Pela teoria que se fala, não terão sofrido. Mas, algures, por muitos outros lugares, estão os braços abertos e vazios dos abraços de chegadas e partidas. Penso nos braços abertos, apenas cheios de dor e saudade. 

10 março 2014

De fotos e privacidade

Um dia, perguntaram-me porque não mostrava a minha cara, ou a da minha Filha, no meu blog. Respondi que era por uma questão de privacidade e opção pessoal. Este meu estaminé é escrito pela Princesa sem Reino e assim continuará. Não precisam de saber o meu rosto e muito menos o da minha cria. Mostro pormenores. Sorrisos. Detalhes. Mas mostrar a minha identidade ou a da minha Filha, por assim dizer,  de cara chapada, está fora de questão. Principalmente, por uma questão de segurança da petiz. A semana passada, deparei-me com um post no "Facefronhas" da Rita Ferro Alvim, em que pedia para a ajudarem a denunciar um perfil falso, de uma persona qualquer, que usava as fotos dos filhos da Rita no seu perfil como sendo seus. No mínimo, é sinistro. Qualquer pessoa consegue aceder a uma foto colocada na internet (com mais ou menos esforço, tudo bem) e, se assim o entender, fazer dela sua. Com que intenções? Não sei. E honestamente, nem quero saber. Assusta-me, porque não sei, muitas vezes, quem está do outro lado. Se quiserem levar fotos de perfil, sorrisos, colares, mãos e "pedaços", me da igual. Agora, completas, sem cortes estratégicos? Não dou para esse peditório, habemus pena. No Facefronhas (o meu pessoal, que não tenho outro, porque eu embirro com a coisa), fui colocando algumas fotos da Francisca até ela ter as feições completamente definidas. Todo os bebés passam por uma fase em que, a olhos desconhecedores, são todos muito parecidos. Depois, acabou-se. Querem ver a criança? Venham ter comigo ou peçam-me por outros meios que não internet wide open e eu terei todo o gosto em mostrar a minha criancinha. Não autorizo que sejam colocadas fotos dela no "Facefronhas", mesmo que isso já me tenha valido algumas discussões mais acesas com algumas pessoas da minha Família. Tenho pena de não participar naquele desafio giríssimo de uma foto por semana, todas as semanas, que vi algures na blogoesfera. Tiro-as para mim, de recordação. Better safe than sorry. Percebo quem não tem problemas em mostrar, percebo quem coloque e não critico ou julgo em momento algum. São livres de o fazer. Eu? Bem, eu sou um bocadinho mariquinhas e paranóica com essas coisas. Assim, não há espaço neste estaminé para fotos de cara completa. São opções. A minha, é esta. 

25 fevereiro 2014

Refresh.

 
Aos bocadinhos, um dia de cada vez, um refresh. Neste cantinho, também, tão parte de mim. Keep it simple! 

07 janeiro 2014

Vou fazer 30 anos este mês #4

 
Porque sim. Porque sei que sim. Em 2014 ou em 2056. A vida dá sempre a volta. 
( e eu emociono-me com este spot publicitário e quem achar mal ou que estou a ficar senil com a chegada dos 30 pode ir atirar-se aos cães.)

17 dezembro 2013

Brilhante!

in P3
Porque me fez lembrar uma conversa muito boa com alguém que me começou a ser muito querido! 

01 dezembro 2013

De pequenina...

Francisca ainda não percebe o que significa dar uma latinha de atum, pela sua própria mão, a um dos muitos voluntários que este fim de semana ajudam a alimentar o Banco Alimentar contra a Fome. Ainda não percebe que uma lata de atum fará toda a diferença a quem dela precisa. Também não percebe o que significa tudo o resto que está na saca entregue. Mas de pequenino(a) se torce o pepino e por isso, na esperança de que a coisa vá entrando, ficando, Francisca entrega a latinha de atum pela sua mão. Para ajudar a que haja menos barrigas cheias de fome. 

30 novembro 2013

Alimentem esta ideia!

Minha gente boa: 
este fim de semana ajudem a alimentar quem precisa. Porque barriga vazia não dá alegria. Para quem não tem sequer para por na mesa, por pouco que seja o que possam dar, esse pouco será certamente muito a quem verdadeiramente sabe o que é ter fome. Este fim de semana, alimentem o Banco Alimentar contra a Fome! O b r i g a d a !!!

20 novembro 2013

Porque hoje é Dia Nacional do Pijama.

Não voltarei a engravidar. Não terei mais bebés recém-nascidos nos meus braços, saídos do meu ventre, onde durante 9 meses lhes senti o movimento e ouvi batimentos cardíacos através de uma sonda colocada no meu ventre, a fazer ecoar aquele tum-tum-tum de Vida em mim e também ainda minha, até ao corte do cordão umbilical e à dor mais profunda que se diz poder sentir, a primeira golfada de ar. Porque não quero, por motivos meus e que só a mim e aos que privam comigo de muito perto dizem respeito. E estou no meu perfeito direito de assim o decidir. Tenho uma "Maria Paquica" maravilhosa, saudável, linda, perfeita. Mas por vezes, muito de vez em quando, penso que talvez, tal-vez, um dia, se sentir que sim, se assim o quiser, se a Vida a isso me conduzir, a Francisca venha a ter um irmão. Ou uma irmã. Sim, por vezes penso na adopção ou em ser Família de acolhimento. Eu sei que é um processo complicadíssimo, que nem sempre corre bem, que para alguns membros da minha Família seria muito difícil de aceitar, que para alguns encaixar esta ideia nem à marretada, mas por vezes, penso nisso. Hoje é Dia Nacional do Pijama. Infelizmente e para grande pena minha, a Escola da Francisca não aderiu à iniciativa. Hoje por ser Dia Nacional do Pijama e por também acreditar que "uma criança tem o direito a crescer numa família", dei comigo a vaguear neste caminhos da encruzilhada que consegue ser a minha mente. Não sei para onde a Vida me leva. Mas sei que há muitas crianças a precisarem de um colo, de um beijinho de boa noite e de um beijinho cura dói-dóis. Por isso, à parte a minha decisão pessoal no respeitante ao meu ventre, talvez, um dia, se a Vida por aí me levar, eu seja o porto de abrigo de uma dessas crianças. Porque o sangue que corre nas veias de todos não é o que determina os afectos e cria laços fortes e inquebráveis. Talvez. Talvez um dia. Ninguém sabe o dia de amanhã. E sim, sometimes I get lost inside my mind... 

22 setembro 2013

De golfinhos e coisas simples...

Talvez seja um pouco tétrico, mas eu tenho uma "Bucket List", uma série de coisas que quero fazer antes de bater a cassoleta. Não que esteja com os pés para a cova, mas um dia, depois de ver o filme "The Bucket List" (que é extraordinário), decidi-me a fazer uma.  Em boa verdade, ninguém sabe quando se acaba a data de validade para cá andar. Ontem, fui riscar mais uma dessas coisas da minha lista: nadar com os golfinhos. É uma experiência fantástica, estar perto de um animal tão fascinante como o golfinho. São ternurentos de ver, ternurentos de tocar, têm uma pele tão macia (e têm um hálito terrível)... Foi uma experiência única e por muito que tente explicar em palavras, estas faltam-me. O tempo com eles passou a voar, bem no seguimento do adágio que diz que o tempo voa quando nos estamos a divertir. Deixou-me de coração cheio. A Francisca ainda é pequena demais para usufruir dessa experiência, mas quando crescer, gostava muito de lhe dar essa oportunidade. Desta vez, ficou só a ver a Mãe nadar com os golfinhos (e a gritar o tempo todo "Máaaaanhe, Máaaaaaanheeeee"). Mas viu o espectáculo dos golfinhos (golpinhos), das focas (pocas) (temos um piqueno problema com os "f"), dos leões-marinhos (saminhos), bateu palminhas, dançou, saltou, comeu dois gelados (um deles que apanhou discretamente numa distracção, mas dias não são dias, siga para a sugar rush), foi à piscina e saiu de lá a fugir, que a água estava fria para sua Alteza. Andou de roda gigante e de carrossel (três vezes seguidas e mais que viessem). Deu muitos beijinhos e xis e "Mánhe quida da bida!". Ao fim do dia, quando lhe perguntei o que tinha feito, disse-me que tinha andado de "carrossel com a Mánhe num cavalinho de pinxesa". E eu fiquei a pensar em como é simples fazê-la feliz. Como apesar de tudo o resto, de coisas novas e que nunca tinha visto ou feito, o que ela guardou e me quis dizer foi isso: andar de carrossel comigo. E apesar de não estar escrito na minha Bucket List, vou fazendo o meu melhor para que o meu maior desejo seja realidade: vê-la crescer feliz, sempre com um sorriso. Todos os dias. Quando a mimo. Quando lhe ralho e me zango com ela, porque acredito que educar é também uma forma de amor e de a preparar para a Vida. Quando lhe preparo a roupa para o dia seguinte. Quando lhe digo bom dia e lhe desejo boa noite. Quando lhe sorrio. Quando lhe faço cara amarrada. Quando lhe digo "sim, pode ser!". Quando lhe digo um "não" bem seco e firme. Quando me preocupo com o haver sopa ou não. Quando lhe canto a música mais estúpida alguma vez inventada por mim que versa sobre o dedinho e o dedão. Quando sou Mãe. E sou-o todos os dias. E serei-o até ao meu último. E nesse último, espero ter a minha Bucket List cheia de "vistos". Daqui a muito tempo. 

11 setembro 2013

Porque hoje é dia 11 de Setembro.

 
"Those who cannot remember the past are condemned to repeat it." 
(George Santayana).  

Porque hoje é dia 11 de Setembro. Porque ainda hoje me lembro perfeitamente do que estava a fazer nesse dia, quando vi as primeiras imagens. Karl Marx dizia que "History repeats itself, first as tragedy, second as farce"Porque não se pode esquecer. Nem fechar os olhos ao que vai acontecendo Mundo fora, em História que se repete, em moldes diferentes, em cenários diferentes, com tragédias humanas semelhantes. Hoje é dia 11 de Setembro. E não se deve esquecer, não se pode esquecer. Nem deixar que as farsas persistam, no que se sucede às tragédias. 

05 setembro 2013

De brinquedos e limites...

A Francisca tem muitos brinquedos. A maioria, oferecidos. Há a regra de no Natal e Aniversário receber um brinquedo mas já se sabe que regras são para ser quebradas, sobretudo por aqueles seres fantásticos mas desprovidos de sentido crítico no que toca a netos, os Avós. Muitos bonecos, muitos brinquedos "educacionais", muitos brinquedos que nenhuma de nós percebe para que servem, tirando nos dias em que ando a nanar e servem para eu lhes dar chutos e praguejar. A Francisca é uma privilegiada sem ainda ter essa noção. A noção de que há muitos Meninos que não têm um único brinquedo. Mas, o facto de ela ainda não ter essa noção, não faz com que eu me esqueça disso enquanto Mulher e Mãe. E por isso, tenho zero de problemas em ir prestando atenção aos seus brinquedos favoritos para poder separar aqueles que nunca foram alvo de interesse ou curiosidade por parte dela. Sei que adora os Legos, a (idiota) da boneca baptizada de Fanny (estava espirituosa nesse dia), o seu pipiá (cavalinho) de madeira da Carrossel  (para quem ainda não conhece, espreitem aqui), a sua "mala chica mala" ( eu tenho uma maaaala chique ou como os Avós são uns seres estranhos), o escorrega que vai lindamente (ou não) com a decoração da sala (como é que eu cheguei ao ponto de ter um escorrega no meio da sala?!?), a sua tenda de circo (apelidada por mim de casota) que me fere as vistas, a sua mesa de actividades, o KikoNico e os seus amigos, a sua motinha cor de rosa, a bola, o seu Mickey e a Mica ( já desisti de lhe explicar que é a Minnie, Mica parece-me bem) e mais uns quantos livros. Fora estes, muitos mais se amontoam em cestas, sem ela lhes prestar dois segundos de atenção. E isso, faz-me muita confusão. Ver aqueles brinquedos todos ali, amontoados, a ganharem pó, quando poderiam fazer outras crianças felizes. Não sinto que lhe estou a tirar o que quer que seja. Enquanto Mãe, na minha maneira de ver as coisas, sinto que lhe estou a dar algo, apesar de saber que do alto dos seus dois anos ainda não o compreende. Não sinto que a esteja a privar da magia dos brinquedos, porque há um limite razoável entre ter brinquedos ou uma pequena loja dos mesmos. Por isso, é altura de voltar a encher umas quantas sacas e deixar que aqueles brinquedos vão para outras mãos pequeninas que os acarinhem. Não quero que a Francisca cresça com a ideia de que precisa de uma loja de brinquedos para brincar e ser feliz. Não quero que ela cresça com a ideia de que só tendo cestas e cestas cheias de brinquedos é que a coisa é gira e porreira. Quero que ela estime os que gosta, que os suje, que os use, que aprenda e sobretudo, que se divirta a ser feliz com eles, com os que gosta e dá valor. Porque ela ainda não tem essa noção mas é desde pequenina que tem de começar a conhecer os seus contornos, é hora de usar algum do meu tempo para fazer outras crianças felizes, com o que ela tem para lhes oferecer, sem épocas especiais para o efeito (como me irrita isso no Natal, credo, mas eu detesto a época, não vamos bater no ceguinho). Porque fazer o Mundo melhor não é (só) nas grandes coisas, mas muito nas pequeninas do dia a dia. E o meu (nosso)  Mundo, fica mais bonito por partilhar alegria e sorrisos por quem irá receber uma boneca, um livro, um jogo. 

16 abril 2013

Todos por um!

Se há coisa de que me orgulho em ser Portuguesa, é a capacidade brutal que temos de ajudar, em ser solidários. Assim, para quem ainda anda a leste da estória do Rodrigo, VÁ ler AQUI o que pode fazer para ajudar. E se não for de outra forma, ajudem ao ser  dadores de medula óssea, não custa nada! Podia ser a minha Filha. E é-me inimaginável a dor desta Mãe ao ver a Natureza querer seguir um rumo que não é natural. Podem dar vida a quem tem a vida a fugir nos tic tac do tempo. 

06 abril 2013

Chá, torradas e solidão...

Há um sítio cá no Burgo onde costumo ir enfardar bombas calóricas. Tem coisas boas, muito boas. Ainda não provei nada que não me agradasse. Sempre que lá vou a meio da tarde, encontro as mesmas duas senhoras de idade a beber chá e a partilhar uma torrada. Não falam muito entre elas. Ficam só ali, sentadas. Um destes dias, levei a Francisca comigo. Francisca foi meter conversa (raio de cachopa sociável, arre). Perguntaram se era minha e como se chamava. Disse o nome da Piquena e uma respondeu-me que já ninguém chama isso aos filhos. Sorri. Voltei para a mesa. E elas ficaram de novo a beber o seu chá. Em silêncio. A aquecer uma qualquer solidão, imagino. Hoje, se lá voltar, provavelmente pela mesma hora, vou encontrá-las. Em silêncio. A fazerem companhia à solidão de cada uma, a que lhes vi nos olhos. 

18 março 2013

Porque sou avessa a dias no calendário...

O meu Pai é único. Tem o cabelo grisalho. Tem rugas marcadas, profundas, na testa. Usa uma capa dura, fria, insensível. Mas tem um coração do tamanho do Mundo, puro, genuinamente bom, incapaz de fazer mal a quem quer que seja. Nunca me dá um beijinho ou um abraço, mas sei que gosta muito de mim. Sei-o em tudo que não me diz, porque o sei. O meu Pai embalou-me em pequena. Levou-me a ver o Mar sempre que lhe pedi. Mostrou-me que tenho força em mim, que venho de gente de fibra, no sangue que me corre nas veias. Deu-me a segurança para ser curiosa e nunca me acomodar ao medíocre. Que mereço mais que isso. Mostrou-me que o Mundo é um sitio cruel se nada fizesse para melhorar o meu Mundo. O que começa e acaba em mim. O meu Pai deu-me Vida. Por duas vezes. Por duas vezes, o meu Pai deu-me a possibilidade de viver. Sei que o matei por dentro, quando me deu uma segunda oportunidade para viver. Quando a Vida quis que não fosse como eu decidi e o colocou ali. Sei que o meu Pai me perdoou. Mas também sei que nunca mais foi o mesmo. Vivo com isso. O coração do meu Pai já o traiu duas vezes e eu senti o meu Mundo desabar sem que nada pudesse fazer. O meu Pai é insubstituível. A pessoa que mais profundamente amo neste Mundo, como amo a minha Filha. O meu Pai tem sempre colo para a Neta, a Menina dos seus olhos. O meu Pai deu-me o meu Mundo. E Vida. E por isso, também por ele, vivo. Porque lhe devo isso. Ao meu Pai. E sei que amanhã é dia dele. Mas sou avessa a dias estipulados. Todos os meus dias são também dias dele.

09 março 2013

Estrada...

Conduzir. Sozinha. Música alta. Muito alta. Consumo instantâneo. Gosto de ver o consumo instantâneo. Aborrecem-me as médias. iPod no colo. Muda-se quando não se gosta. Põe-se repeat quando se quer. E a estrada, é minha. E do que eu (mais) quiser...

Dos filhos que se têm, dos filhos do coração e não os filhos dos outros...

Esta semana, em conversa ao almoço, foi-me contada uma estória. A estória de um casal que queria muito ter filhos e não conseguia. Infelizmente, muito comum. A estória do sofrimento daquela Mulher, bombardeada de hormonas. O mesmo desânimo, penoso, a cada ciclo. Duas alegrias, duas perdas. O sentimento de incapacidade. Desistiram. Desistiram porque o corpo já não aguentava, porque a mente pedia paz, porque também, o factor económico não permitia mais que se insistisse no que a Natureza escolheu negar. Desistiram de ter um filho de sangue, decidiram ter um filho de coração. Escolheram a adopção. Sem restrições de cor, sexo. Pediram apenas que lhes fosse entregue uma criança até aos 3 anos. Mais nada. E agora, esperam. Há muitos meses que se transformaram em anos, pelo filho que será deles... Há uns tempos, a minha querida Magui tocou nesta questão, na dos filhos do coração. Se se amaria menos um filho porque nos foi depositado nos braços e não tirado do ventre. Aqui, lembro-me de outra estória que conheço de perto. Um filho nascido três semanas antes do divórcio dar entrada. Um filho que não é do sangue daquele Pai mas que em tudo se parece a ele. Gestos, expressões... Criou o filho de outro como dele. Quer aquele menino como se dele fosse. E depois, será que não é mesmo dele? Eu acho que sim, que é. Porque eu senti a minha filha ser arrancada de mim. Mas se me tivessem depositado qualquer outra criança nos braços, iria amá-la. Porque o amor de um Pai ou de uma Mãe não vem na carga genética de 23 cromossomas que se juntam a uns outros 23, células que se multiplicam e dividem e se instalam nun útero, confortavelmente. Em todo aquele DNA não vai amor. Esse, o que se nutre pelos filhos do ventre, vem do coração. Tal como o amor por um filho de coração... 

08 março 2013

E quase no final do 8 de Março...

... que dizem ser da Mulher, lembro-me desta música. Porque não há dias da Mulher na minha cabeça. Porque há, isso sim, dias para que todos se (re)lembrem que infelizmente ainda há Mulheres a quem não é permitido o serem no seu todo. Em sociedades, religiões, vidas, escolhas castradoras. Mulheres a quem não é permitido o serem no completo. E isso, não passa só pelo direito ao voto, por usar calças, por tomar a pílula. Vai muito além e para além disso.  
(...) 
You should have listened  
There was someone here inside 
Someone I thought had died 
So long ago 
Oh I'm screaming out 
And my dreams will be heard 
They will not be pushed aside or turned  
Into your own 
All 'cause you won't listen 
(...)