13 fevereiro 2015

Sometimes I get lost inside my mind ...

Não tenho tido tempo para escrever. Não tenho tido vontade de escrever, talvez seja mais correcto e verdadeiro. Não que tenha perdido o gosto por escrever e por esta minha tabanca. Longe disso, gosto deste blog, gosto do que representa para mim e do prazer que me dá, a mim. Mas faltam-me as palavras. Sobram-me pensamentos. Falta-me conseguir traduzir em palavras o que sinto por vezes. Sobra-me a vontade imensa de me guardar. De me fechar em mim, por vezes, de me proteger do invisível, do que não quero ver nem ouvir e de mais nem sei eu bem o quê. Faltam-me as palavras para conseguir explicar o que sinto de cada vez que olho para os pés da Francisca, antes tão pequeninos e frágeis e que agora já não me cabem nas mãos quando brincamos às chulecas fedorentas. E que saltam e correm e rodopiam sem parar Mánhe, rodopiar sem parar. Falta-me conseguir expressar numa palavra ou de forma simples o que perceber que a Francisca cresce todos os dias mais e que dou por mim a olhá-la e a não acreditar como foi possível fazer uma criancinha perfeitinha e que me faz rir com a sua lábia, me provoca de forma visceral, animal, instintiva. Falta-me encontrar a motivação, a que me fazia dormir pouco e estar sempre em bem, a que perdi algures não sei onde,  para voltar ao modo vai tudo à minha frente e dar o melhor de mim profissionalmente, sem ses, sem pensar no quão a sociedade se está a marimbar para o que faço (eu e tantos mais, tantos que já foram...) , porque não vende, não rende, não dá pano para mangas. Falta-me conseguir relativizar uma série de coisas, falta-me enfiar outras tantas no cesto do "encolhe-os-ombros" e muitas mais no caixote do "que-se-foda". Falta-me fechar definitivamente feridas antigas e aceitar as feridas novas, viver com elas e fechá-las, de uma vez por todas. Falta-me conseguir fazer com que novas não se abram. Falta-me paciência para a debilidade do meu corpo e para as caixas de medicamentos que se acumulam nas prateleiras juntamente com as facturas atiradas para uma gaveta.
Sobram-me as saudades de Casa, dos meus Pais, dos Amigos, do meu Douro e do meu doce nevoeiro. Sobram-me as ruas vazias desta cidade onde estou, mas onde não pertenço. Sobra-me o sotaque deslocado mas que pronuncio com orgulho. 
(por estes dias e até me passar a neura, encontrem-nos mais @Instagram. ) 

3 comentários:

Maria disse...

Podia ter escrito um texto parecido com o teu. Também a mim, mais do que tempo, falta-me vontade, precisamente por essa mesma necessidade "imensa de me guardar. De me fechar em mim, por vezes, de me proteger do invisível, do que não quero ver nem ouvir e de mais nem sei eu bem o quê".
bjs grandes

Magui disse...

Também ando tão assim... Não me apetece escrever, mais do que tempo falta-me vontade...

Magda E. disse...

Tb ando assim como tu, só não o consigo expressar tão bem.