29 outubro 2013

Seringas, a minha Avó e Epás de fruta.

Até às quatro da tarde, a Francisca tinha comido 3 ou 4 colheres de cerelac. Ofereci de tudo e mais alguma coisa e nada. Chorava, cerrava a boca e nada na pançola da piquena. Nem gelado, nem leite com chocolate. Mas abria a boca para eu lhe enfiar ben-u-ron goela abaixo. A miúda curte à brava tomar xaropes, o que é um bocado sinistro mas isso agora não interessa nada. Lembrei-me da minha Avó. Quando o meu Avô teve o AVC e se recusava a comer, a minha Avó pegava num prato de Nestun, numa seringa e alimentava-o assim, não deixando que definhasse. Acho que foi isso que manteve o meu Avô vivo durante 4 anos após o AVC, a incapacidade de desistir da minha Avó. Mas quanto à pneumonia que acabou por o levar, não conseguiu lutar. Pus-me a pensar nela. Juntei tudo na cabeça. "Francisca, abre a boca. Olha o remedinho". E foi assim que lhe despejei, literalmente, um epá misturado com fruta de boião. Eu quero é que ela se mantenha alimentada. E se tiver de ser à seringa, à seringa vai. E sim, epá derretido com fruta pode não ser o mais saudável. Mas alimenta. E já tem mais qualquer coisa que 3 ou 4 colheres de cerelac na pançola. Graças à lembrança da minha Avó. Se é um método pouco ortodoxo ou sinistro? I don't give a shit. Uma pessoa faz o que tiver de fazer. E eu sou a Mãe dela. Faço tudo o que for preciso. Até alimentar à seringa. 

5 comentários:

S. disse...

E fizeste muito bem! As melhoras da Francisca e um beijinho grande

'O DIÁRIO' por Mãe Solteira disse...

Desesperam-nos os garotos. Bolas.
O meu filho nunca gostou de comer, doente piora. Um pesadelo, portanto

Melhoras para ela e força e inspiração para ti, é o que é preciso

Magui disse...

Sei bem o desespero que estás a passar... O F ainda aceitava meio leite achocolatado de casa vez e 4 colheres de nestum quase liquido... é um desespero mesmo vê-los sem comer nadinha!
Mas olha que gostar de tomar xaropes deve ser do nome... O Francisco também ADORA!
As melhoras dela

Sónia disse...

Resultou não resultou? É o que importa, quando elas são complicadas temos de ser imaginativas e dar a volta ao texto.

Magda E. disse...

Tb concordo que fizeste mt bem. E confesso que me emocionei ao ler sobre a tua avó e a sua persistência!