04 outubro 2013

Notas soltas a uma sexta que poderia ser um dia qualquer...

Ontem à noite, apercebi-me que não sou a super-mulher. Por muito que eu me convença que sim e que levo tudo à minha frente, cansada, eu?!? Isso é para os outros ahahah, eu faço tudo e mais alguma coisa. Ontem apercebi-me que não tenho super-poderes e que sou uma comum mortal. Depois de fazer tudo o que não podia assobiar para o lado e fazer de conta que não era comigo, de brincar, de ralhar porque sua alteza não queria arrumar os brinquedos e "óh minha Menina, se os espalhaste, também arrumas, que eu não sou tua empregada, andamento", fui deitar a Francisca. Dissemos boa noite ao Senhor Sol, ao Cão, ao Leão, à Vaca, ao Croqui, à Mapi, à Missy, à Moo, ao Leo, ao Pippo, ao Mickey, ao Pako, ao Pandi, ao KikoNico grande e depois um beijinho no KikoNico pequeno que carrega com ela para todo o lado. E depois um beijo de boa noite, na bochecha mais doce do mundo inteiro, no cheiro da minha Menina. No silêncio da noite, meti-me debaixo de água a escaldar e fiquei por lá um bom bocado. E senti que não sou a super-mulher. Ouvi o corpo a pedir para parar. Ouvi a cabeça em água a pedir para desligar de contas e experiências e se agora fizer assim e se agora fizer assado? Saí do banho e vi-me ao espelho. Vi as olheiras fundas e os olhos mais pequeninos, como a minha Avó costuma dizer quando me vê cansada. Ainda tentei ver qualquer coisa na TV mas a cabeça voltou a ligar e tive vontade de ir trabalhar para o computador. Contrariei-me e não o fiz, disse "não" a mim própria. Mas o corpo doía. Ontem, doía-me o corpo. E não estou com gripe. Bebi um copo de Vale Pradinhos e fumei um cigarro enquanto via as árvores cá fora. Sim, não sou a super-mulher. Fui dormir ainda nem deviam ser 23h, o que é um feito raro para mim. Adormeci e passei a noite a sonhar. Coisas sem nexo, como descer escadas e de repente cair no vazio. Não foi um sono reparador. Nunca percebi porque sonho repetidamente isso. Em tempos idos, sonhava recorrentemente que tinha um acidente de carro, num sítio muito específico e que me ficava a ver do lado de fora do vidro estilhaçado. Por vezes, tenho sonhos que há quem chame de pesadelos, que não lembram a ninguém. Por norma, também não me lembro do que sonho, apenas acordo com uma sensação de bem-estar ou aquele sentimento estranho, sem definição. O despertador tocou à hora de sempre mas deixei-me ficar até ao limite do que achei razoável (atrasada? não, o meu relógio não bate bem, 'tá bom de ver). Levantei-me e vi que hoje, aqui longe de casa, estava nevoeiro. E tive ainda mais saudades de Casa, dos meus cheiros e manhãs de nevoeiro. Levantei-me e tomei banho. Ouvi um "Bom dia Mánhe. Xixi na sanita, Mánhe!!!". E voltei a vestir a capa de super-mulher. I can do it. Porque não tenho outra opção que não sê-lo. Tratei dela, depois de mim, depois das duas ao mesmo tempo. I'm a super woman. Hoje, ainda tenho de levar com uma ida ao dentista e apetece-me mandar alguém no meu lugar, mas acho que ainda não se pode fazer isso. Pena. Amanhã, terei de trabalhar. I'm a super woman. A energia não vem dos interruptores. Vem de e dos sorrisos. O meu cansaço, guardo-o para mim. Ninguém precisa de saber que há dias em que quando deito a cabeça na almofada, a super-mulher vai para outro lado qualquer e fico só eu. Com as minhas fragilidades, cansaços acumulados e sonhos estúpidos. I'm a super woman. E a minha capa ao vento é o sorriso dela. E o meu, num reflexo. 

3 comentários:

Magui disse...

Adorei adorei adorei! Nada a dizer, és mesmo uma super mulher!

Magda E. disse...

gosto mais de ti sem a capa!

raquel disse...

adoro*