06 dezembro 2012

As crianças dos outros e a minha...

Não sei se é da altura do ano, mas todos os dias passo os olhos no Facefronhas e encontro mais um apelo de quem precisa de ajuda. De Mães, de Pais, de Avós, que pedem desde a um milagre a um aconchego de barriga. Há dias em que esses apelos me parecem como que agulhas, como que cair em águas gélidas. Magoam-me, perturbam-me, entristecem-me, reviram-me toda por dentro e deixam-me com um nó na garganta e à beira das lágrimas. 
A minha criança nunca esteve verdadeiramente doente até ao momento em que deito esta dor de alma fora. Claro que já teve as suas coisas, como qualquer outro petiz. Mas nada de grave, nada que não fosse passível de resolução com maravilhas farmacêuticas, muito colo, muito mimo, muita ternura. Nunca dei por mim a pensar que não teria possibilidade de trocar o leite xpto pelo leite assim ou pelo leite assado, se teria fraldas até ao fim do mês, se lhe poderia por pão na boca e leite na barriguinha. Se teria um agasalho mais quente para um dia mais frio, e tantos outros ses que vêm com o peso de trazer uma vida ao Mundo. Por isso, as estórias de crianças gravemente doentes ou com necessidades básicas que não se consegue suprimir, atiram-me, sem dó nem piedade, para aqueles momentos em que ponho a mão na consciência, ajoelho-me de fraqueza e pequenez e agradeço. Agradeço por tudo o que até hoje nunca faltou, desde saúde a bens essenciais. 
E depois, penso que se calhar o Natal que tanto me aborrece, até terá alguma utilidade na sociedade, despertar consciências talvez seja uma delas. Mas lembro-me que o Natal é só uma vez por ano (ufa) e que estas crianças precisam de muito e que não apenas a "caridadezinha" do espírito da época, para quem o tem. E mais uma vez, entristece-me que só se lembrem das "crianças dos outros" porque, afinal de contas,  é tempo de Natal... 

4 comentários:

Bi disse...

Um tristeza pegada!! Também me custa que só se lembrem de certas coisas porque é Natal, mas logo de seguida também penso que pelo menos há uma altura em que as crianças, os idosos, as necessidades básicas de tantas pessoas, são lembradas e atendidas!!
Um beijinho

Magda E. disse...

não poderia concordar mais.

Magui disse...

E quanto mais te conheço mais gosto de ti... Para mim és tipo uma tartaruga (atenção no sentido fofo do bicho), tens uma carapaça dura mas um interior mole... E bom claro, muito bom! Ah e digo bom e não bonzinho ou bondoso que isso já me cheira a caridadezinha barata e isso não combina minimamente contigo!
Beijinho enorme enorme, do tamanho do teu coração grande

Princesa sem Reino disse...

Magui,

As tuas palavras deixaram-me muito comovida. Também gosto muito de vocês, muito, muito muito!

Um beijo enorme