
Se o destino assim o quiser, esta será a última Sexta feira em que efectivamente olho para o relógio na ansiedade de partir ou de tu chegares por estarmos a viver em cidades diferentes (blame it on my PhD). Já arrumei tudo o que eram coisas pessoais (arrumei= atirei para a mala do carro) deste estaminé, sabendo que pontualmente voltarei aqui, à casa de partida do que talvez venha a nunca passar da carreira quasi-promissora. E apesar de ainda me faltar um caminho sinuoso de submissão de artigos, de defesa da bicha and so and so forth e apesar de até quarta feira ainda andar a penar por estas bandas, dou por mim a fazer um balanço inconsciente destes quatro anos, quase cinco. Este foi o sítio que me acolheu acabadinha de sair da faculdade, cheia de sonhos e projectos e energia e força de vontade. Daqui saio mais madura, mais cansada, mais velha, com menos sonhos e ainda menos perspectivas de futuro profissionais. Nem tudo foram rosas, mas nem tudo foram espinhos: saio também com a consciência de que fiz o que me propus a fazer, que no final de contas, é o que interessa. Saio também com mais Amigos, que levo no coração por esse caminho ainda obscuro que é o "dia de amanhã"... E são estes pequenos tudos que fazem toda a diferença...
E "daqui", saio também para o nosso mundo, deixando a minha cidade pardacenta para trás. Por amor, como num filme pipoca ou livro meloso. Mas isso, "só" Quarta feira. Queira a sorte assim.
Quanto ao futuro? Dizem que a Deus pertence... Sei apenas que no final do dia de hoje, o futuro trará o teu abraço e a nossa família voltará a estar completa.
(e agora, vou continuar a rosnar obscenidades, porque trabalhar em Agosto, sem renumeração, num laboratório em obras com paredes a serem derrubadas, é mesmo, mesmo, mesmo o que a minha monha avariada precisa...)