17 outubro 2013

É bom que melhore...

Francisca deu os seus bons dias hoje à "Mánhe", a minha pessoa, aos gritos do outro lado do corredor e  da seguinte forma: 
- Mánhe, fez um pum! Fezê um pum, Mánhe!  
U a u! É o sonho de qualquer pessoa acordar com informações destas, assim, tão preciosas. Espero que o dia melhore, tendo em conta as primeiras notícias do dia... 

16 outubro 2013

Chá das cinco.

... porque uma imagem vale mil palavras, esta traduz o "Chá das cinco em versão dois anos". Também há migalhas por todo o lado e mãos lambuzadas. E uma gulodice inesgotável. E "olás" a todos os estranhos. E pessoas que desconheço a mimarem a piquena, nas palavras que nos devolvem. Haverá sempre uma espécie de chá das cinco para nós Francisca. Sempre que seja possível. Por fotos destas e outras imagens, que guardo. As mais importantes, no meu coração. 

Se eu podia ser menos pindérica?


(do covil do costume, à distancia de um click e uns dias de espera: Zara) 
Podia. Mas não me apetece. Nem é porque não era a mesma coisa, é mesmo porque não me apetece ser menos pindérica. Maneiras que dois pares de sapatos e ah e tal e um para cada nome próprio não vendeu, que quando me ameaçam de me passarem a chamar pelo meu segundo nome próprio toda eu me estremeço e benzo. É tipo cruz para o Demo. Não gosto particularmente do primeiro mas o segundo, djasus! BenzáDeus meu rico Paizinho que mos escolheu, mas não foi, de todo, um dos seus momentos mais brilhantes. No entanto, porque não gosto cá da coisa que me dar por vencida,  encomendei na mesma um dos pares de sapatos. E um vestidinho pelo meio. Que não sei como foi parar ao carrinho (virtual) de compras, nem dei fé quando carreguei em "ok", coisa estranha, não acham? Vá-se lá perceber. Estão ambos aqui sentadinhos ao meu lado, numa caixinha janota. Os outros sapatos? Lá iremos, num futuro próximo, se ainda me andarem a ruminar na cabeça. Acontece-me frequentemente ficar com os olhos numa coisa, por norma sapatos e ruminar, ruminar, ruminar. Se rumino continuamente, então é porque têm de vir parar ao meu armário. Gosto tanto de sapatos. E de vestidos. Gosto de vestidos no Inverno. De Verão gosto de calças e de Inverno de vestidos. Faz todo o sentido. Se eu podia ser menos pindérica? Podia. Mas não me apetece. Nem pouco mais ou menos. 

15 outubro 2013

Eu não sou um bicho sensível...

... mas quando, de manhã, antes de sair da cama, ela dá um beijinho meiguinho à Missy, ao Pipo, à Turti e a esta mais uma festinha na barriga, em jeito de despedida de mais uma noite (no que agora sem a chucha virou a cama do Zoo) com os seus amiguinhos todos, para depois me estender os braços para o abraço e beijo de bom dia da Mãe, sem largar o KikoNico, viro manteiga ao sol, derretida pela ternura da minha dez reis de gente de cabelo encaracolado. 

14 outubro 2013

Discos pedidos.

O meu carro ao fim do dia parece um daqueles programas de rádio de discos pedidos. 
-" Mánhe, canta o tiroló!"
- "Mánhe, canta a barata!"
- "Mánhe, canta o Ti Manel (abstenho-me de comentar o ela dizer Ti em vez de Tio...)
- "Mánhe, agora o Comboio".
E eu canto. E ela bate palminhas. Até aqui tudo bem. Mas depois dou por mim a sopeirar e a dizer " (...) há patinhos a granel, um quá aqui, um quá ali (...)".
Algures pelo caminho, a minha sanidade mental saiu em andamento. E não voltou. 

Pin pan pum...


(Zara) 
... que só posso comprar uns. Mas, agora de repente, lembrei-me... Eu tenho dois nomes próprios. Se encomendar uns para o primeiro e outros para o segundo nome próprio, já não são assim para a mesma pessoa. É toda uma lógica! Eureka! Será que cola? 

13 outubro 2013

Aborrecimentos sem nexo.

Tem dias em que me aborreço de mim. Não de mim, do eu, mas de mim. Dá-me uma certa vontade de bocejar de mim, mas não do "eu". Tem dias em que penso naquela célebre frase que alguém muito sábio disse ou escreveu, não importa muito ao caso, que versa qualquer coisa sobre "o não ser uma árvore e se estás mal muda-te". Mas não é que eu me aborreça de mim, do eu. Já que eu tenho de viver com o eu todo o santo dia e toda a santa noite, porque o "eu" não me desampara a loja, bem que aprendi a aturar-me e mimar-me a fazer-me festinhas, mas mais em versão sapatos e menos em versão biscoito de canídeo ou festinha no pelo. 365 dias por ano ou 366 se for ano bissexto (que culta, hein), é muito dia para viver com o "eu" e por isso vivo muito bem. Também por isso, não me aborreço do eu, que isso era uma canseira e ainda me arranjavam um "autefite" branco daqueles a apertar nas costas. Não era lá muito "fechione" e eu não estou para aí virada. Tem dias em que me aborreço de mim. Por isso, vou fazer de conta que o resto de chocolate que estava no frigorífico desapareceu como que por magia e não, não vai estar no estômago desta que escreve coisas sem sentido, a fazer companhia ao copo de vinho tinto que lhe vou juntar, até porque esse é só para ajudar à digestão. Faz sentido? Mas alguém disse que tinha de fazer? Além do mais, comer chocolate e beber às escuras e às escondidas na varanda não conta. Só conta como miminhos ao eu. Do qual não estou aborrecida. 

Está aberta a época do ranho a pacotes.

Francisca está ranhosa. De ranho mesmo, de feitio são outros quinhentos. Ora, como convencer uma criancinha que dava numa de miúda do exorcista quando era preciso por-lhe rhinomer no nariz? 
- Francisca, anda por "chiqui" (perfume) no nariz! 
- Sinhe! Biba!
Não só deixa por, como deixa as vezes que forem necessárias! Vaidosa? Naaaa! 

12 outubro 2013

Talentos diversos.

No meio de tanto carrinho de supermercado, consigo sempre, sempre, escolher o que está janado. É uma espécie de talento. 

11 outubro 2013

Em caso de dúvida, vai brega!

Mánhe, óh Máaaaanhe, cánta o comboio, cánta.
Ora, pois que eu não sei se era este o comboio ou se era coisa mais refinada, tipo Alfa Pendular, mas que está a ser um sucesso, está! Encore, Francisca: láaaaaa vai o coooooombooooioooo, láaaaaa vai a apitaaaaar, lá vaaaaaai o combooooioooo, à beira do maaaar ( palminhas!!!), à beira do mar, mesmo à beeeeirinha! Tem dias que espero que ela não fique inspirada e queira ser a próxima Liliane Marise, tal as coisas que me lembro. Mais uma voltinha, mesa posta e... láaaaaa vaaaai o comboiooooo! 'Simbora! 

O segredo da boa disposição...

... por falar em MEC...Deixaram-nos aqui. É mesmo assim. É a vida. Tem graça, não tem? A vida tem graça. Nós temos graça. É engraçado estarmos todos aqui. A incerteza geral da existência, aliada à certeza particular do facto de termos nascido e de irmos um dia esticar o pernil, é de morrer a rir. Entre outras coisas. Já que nos puseram aqui, indispostos, mal distribuídos, condenados à confusão e à companhia dos outros, o mínimo que podemos fazer é pormo-nos o mais bem dispostos que pudermos. O segredo da minha boa disposição é pensar o mais possível nos outros – nos outros que amo e que me têm de aturar, nos outros de quem só conheço o sofrimento e me fazem sentir a sorte que tenho em sofrer tão poucochinho – e o menos possível em mim. Quanto mais eu me desprezo e desconheço, quanto mais eu entristeço de me entender, mais preciso que haja quem goste de mim. Ou pelo menos da minha companhia. Sempre bem disposta, claro!  
Miguel Esteves Cardoso, in 'Último Volume'

A noite foi madrugada...

Francisca não usa mais fralda durante o dia. Francisca mente com quantos dentes tem quando lhe pergunto "Quem tirou as meias, Francisca?" e me responde, a rir "Num sei". Duas vezes seguidas. À terceira descai-se e diz "Foi a Paquica!". Não percebo como com dois anos tem esta capacidade de mentir, mas já dizia o meu querido MEC que "Quase todas as mentiras são provocadas. As principais culpadas são as perguntas que se fazem". Quem me manda a mim perguntar quem tirou as meias?  Francisca acorda a meio da noite porque quer fazer chichi. Francisca faz chichi. Francisca, depois da ida à casa de banho, lamuria-se madrugada dentro que quer a Mãe. Só quer a Mãe, a Mãe, a Mánheeeee. A Mãe vagueia entre a sala, o corredor, a varanda e o vício e o sono que a irrita porque não encontra o isqueiro. Vai dizendo que a Mãe está a fazer ó-ó e que a Francisca também tem de fazer, que a Mãe está ali e está tudo bem. As Árvores que se vêem da varanda são sinistras aos olhos do meu sono e da dor de cabeça.  Francisca continua numa morrinha de birra "A Máaaanhe, a Máaaanhe!". A "Mánhe" arrasta-se, vagueia pelas divisões porque é inútil voltar para cama. Francisca apercebe-se ao fim duas horas de birra que não vai levar a melhor e que tem de dormir. A Mãe apercebe-se que são quase seis da manhã, o que é uma valente merda. Volto a adormecer. Acordo. Uma vez. Depois adormeço de novo, em sonhos. Depois acordo, definitivamente. Francisca acorda e tem a lata de me dizer" tanta preguiça que a Paquica tem, Mánhe!". Apetece-me soltar um palavrão porque tenho sono, mas rio-me da lata da míuda. Dá-me um beijo de bom dia de uma doçura profunda que só as Mães percebem. Francisca deixa-me com birras de sono. Mas eu não chamo pela minha Mãe, penso antes num par de sapatos. Francisca é o Amor maior da minha Vida, nesta ternura quase insana e desconcertante que não só sobrevive a noites que são madrugadas, como cresce. Exponencialmente.