31 outubro 2014

Doce ou travessura...

Anos depois, 4 (salvo erro), regressada de Terras de Tio Sam, volto a abrir a porta a Mini-Bruxas, Mini-Zombies, Minis dizendo em coro "doce ou travessura", enquanto fazem festas na Mofli e eu despacho os chupas e bolachas de chocolate  (mais que a conta) que os Avós deixaram para a Francisca. Não quero nem saber se não é uma tradição Portuguesa... McDonalds também não é e não há quem ainda não tenha enfardado o belo do hambúrguer. 4 anos depois (salvo erro) recebo fotos do meu querido Matt, maravilhas da tecnologia (obrigada Apple!!!!!!), mascarado para o Halloween. 4 anos depois, a saudade do outro lado do Atlântico, ao ouvir "doce ou travessura"... 

p.s- sou gaja de para o ano mascarar a piquena, a cadela e a mim mesma para ir pedinchar doces. 

Manhãs.

Fui, como faço quase todas as manhãs, levar a Francisca à Escola. Depois de lhe dar um beijinho, foi a correr pousar a mochila no sítio destinado aos seus tarecos. Ia dar meia volta, já me tinha despedido, já lhe tinha dito o tradicional "porta-te bem, até logo", quando Francisca olha para mim e num quase grito, voz elevada, para ter a certeza que a ouvia à distância de 10 passos nas suas pernas pequenitas, disse: 
- Mánhe, gosto muito de ti Mánhe.  
Baixei-me, abri-lhe os braços, Francisca correu para eles. (Está tão grande, pensei. Mas ainda é tão pequenina a minha Menina…)  Apertei-a contra mim e disse a mesma ladainha, a mesma que lhe digo tantas vezes, tão minha e daquele dez reis de gente, aquela menina meia empertigada, teimosa, aquela menina de mim.  
- Francisca onde está a Mãe?
- No meu coração Mánhe!
- E a Francisca, onde está?
- Aqui! (pondo o seu indicador sobre o meu peito. 
Sorriu-me e foi-se embora, sem dúvidas nem hesitações.  (Está tão grande, pensei. Mas ainda é tão pequenina a minha Menina…)
Posso não ter nascido para ser Mãe (que não, faço o melhor que consigo), posso continuar naquela do tentativa-erro-deixa-cá-ver-o-que-sai-daqui, posso perder a paciência mais vezes dos que as que gostaria, posso perguntar-me muitas vezes se sou rígida de mais, se sou complacente de mais, se estou a traumatizar a criancinha para a vida e passará anos em terapia a dizer que a Mãe era um bocadinho estranha…  mas porra, algures pelo caminho, em algum momento, alguma coisa devo estar a fazer bem. 


30 outubro 2014

Eu sofro dos nervos.

Digo muitos palavrões mas muitas vezes mentalmente, não vá a criança ouvir e desatar a repetir. Digo muitos quando estou sozinha e irritada, pior que um carroceiro. Praguejo em excesso. Faço piadas de humor negro, que me darão entrada directa no Inferno e estou-me a lixar para isso, fazem-me rir. Acordo mal disposta e com umas trombas até ao chão. Reclamo por causa do sol nos olhos e por causa do calor. Não tenho paxorra para responder a mais porquês ao fim do décimo primeiro e saco do "porque sim, porque sou a tua Mãe e eu digo porque sim". Perco-me a ver lojas de trapos online e a fazer listas ,também mentais e virtuais, de todas as coisas que gostava de ter. Não percebo o conceito de minimalismo, nem de revivalismo e reciclagem, bem reciclagem, só mesmo a do Gervásio e muitas vezes tenho de pensar para que é o amarelo, pior que um macaco, que sabia a cena de trás para a frente, nódoa que sou, que não sei reciclar roupa ou kits,  como é de bem ser dito. Também penso em todos os sítios aonde não fui e onde tenho de ir, de todas as viagens que me faltam fazer e às vezes vou ver quanto custam passagens de avião para aqui ou para ali.  Gosto muito de vinho tinto, mesmo muito, especialmente de vinhos do Douro mas a ser, serei bêbada perdida e não alcoólica rica. Gosto muito de tascas e não sou da equipa da folhinha de alface, do cenas gourmet com redução do raio que parta, sou até bastante brega se for a pensar bem no caso. Gosto de estar no meu canto, tipo bicho do manto, 'sogadita, tanto que às vezes tenho vontade de rosnar em vez de falar, ou talvez grunhir, depende de como esteja dos nervos. É que eu cá sofro muitos dos nervos. 

True story!

yup!

29 outubro 2014

Bom dia, bom dia!


Cada uma na sua cadeira. Ambas desgredenhadas, com cara de sono, mas ambas felizes. E é isto que também dá cor aos dias!   
Bom dia! 

28 outubro 2014

Respirar. Bem fundo. De novo.

Muitas vezes, escrevo coisas como "este tipo de cancro, afecta não-sei-quantos milhões de pessoas e só 10% sobrevivem num prazo de 5 anos. Muitas vezes, leio sobre outros tipos de cancro, que não aquele que a escolha ou o destino(?) puseram no meu percurso profissional, assim como com o "bicharoco y", cuja infecção é uma das causas do cancro x. Nunca penso muito sobre o facto de os x% não serem uma coisa fria, desprovida de sentimento, nunca penso muito que aqueles números são pessoas, vidas, poderia ser a minha até. Nunca penso muito sobre a hipótese de naqueles milhões poder estar alguém que eu tenha conhecido, me tenha cruzado com, ou venha a cruzar-me de futuro. Nunca. Tal como quando vi os filmes absolutamente extraordinarios que o IPATIMUP (ide aqui) fez sobre 5 tipos de cancro, limitei-me a achar que estavam excelentes (como seria de esperar de um instituto de excelência) não parei para pensar que as % ali referidas são vidas, com outras vidas que gravitam em seu torno, entrelaçadas por laços distintos. A palavra "cancro" faz parte do meu dia-a-dia, felizmente, num âmbito de trabalho e de estudo. Não de realidade. Ou pelo menos, nunca o foi de realidade numa realidade tão próxima e palpável até à biópsia a que o meu Pai foi submetido. Foram dias em suspenso. Em que pensava, racionalmente, que se trata, há tantos tratamentos, tanta coisa nova, tantos avanços. Foram dias em que dava por mim, emocionalmente toldada, a contar quantos parentes meus (nossos) tinham falecido de cancro e concluía, de forma triste, que as duas mãos não chegavam para contar todos aqueles que, ao longo dos anos, mais próximos ou afastados, perderam para o cancro. Também há os que sobreviveram, lutaram e conseguiram, casos de sucesso. Foram dias em que não conseguia ver a palavra "cancro" escrita. Não a podia dizer muito alto, alguém podia ouvir, podia dar azar. Foram dias em que pensei e que senti que era pequena de mais para ficar sem o meu Pai, que a Francisca era pequena de mais para ficar sem Avô, que a minha Mãe era nova de mais para muita coisa. Foram dias difíceis, dias em que muitas vezes queria fechar os olhos e dormir até saber o resultado. Dias em que acordava e pensava que tinha sido um pesadelo meu. Foram dias em suspenso. Já passou. Está tudo bem. Volto a dizer a palavra "cancro", a lê-la e a pensar que não sou assim tão inútil para a sociedade, não obstante a invisibilidade e a (in)significância que uma gota de água faz no oceano. Tenho imenso respeito a esse covarde, o cancro, mas medo…? Não lhe tenho medo, isso, não. E assim, a vida vai retomando o seu ritmo, em cinzas quentes e com a certeza de que ainda sou pequena demais, nova demais, menina demais e que ainda e sempre preciso muito do meu Pai. 

[Mesmo que não lho diga, mesmo que tenha dito um "ah pronto, ainda bem, está bem então!" ao telefone. Eu sei que ele sabe que serei sempre a sua menina, por vezes Leãozinho, por vezes Libelinha. E eu sei que ele também sabe que sou má de pessoas e ainda pior de por o coração em alta-voz. ]

Redes sociais 101

(tá-dá!)


27 outubro 2014

É tão isto!

"Porque não há dia em que um jornal, revista ou blogue publique uma lista de tarefas sobre a educação dos meus filhos: alimentação biológica, música clássica, desportos alternativos, filmes que fomentam a tolerância, roupa ecológica, brinquedos sustentáveis, um sem fim de instrucções, porque eu lógicamente sozinha não atino. O mais certo é que acabem qual bestas, analfabetas, perdidas num mundo idílico onde todas as crianças devem falar várias linguas, nadar como campeões olímpicos ou conhecer um vasto leque de autores da literatura nórdica. No mínimo. Sem esquecer as actividades conjuntas, imprescindíveis para criar os tais laços íntimos e profundos com os meus rebentos, como reclicar caixas de sapatos que só me ocupam espaço e criam pó ou a confecção de bolinhos de arroz em bucólicas tardes de domingo. Não sei como é que ainda não me tiraram a custódia. Porque as crianças não podem apanhar secas sozinhas no quarto não vão sentir um tremendo vazio existencial.  Porque os pais temos de ser estupidamente pro-activos, divertidos, tenhamos resaca, sono ou uma hemorroide assassina. Porque isto cada vez mais parece uma puta de uma competição a ver quem é mãe mais original e o filho mais criativo. Depois a malta admira-se que os putos andam stressados. Estão é fartos de nós."
(roubadíssimo à Rititi, no seu Blogue Rosa Cueca, aqui.  )
(Francisca, filha desta Mãe: aqui fica já o meu pedido de perdão (-ão, -ão, -ão. assim tipo eco, estais a ver?) por não fazer bolinhos contigo em tardes de Domingo de chuva e me remelar pelo sofá em pijama e desgredenhada, enquanto tu me mostras que a girafa dos Lego tem pintas castanhas. Perdoa-me por eu não ficar em extâse com a tua capacidade de observar o mundo e sair do sofá em plenos "Ahhh!!!" de cada vez que dizes que 'rotiste (arrotei, Mánhe). Ah e perdoa-me também o ainda não te ter explicado o que é um brinquedo sustentável. Filha, se tudo o mais falhar, já sabes 'mha querida, a culpa é minha, mais a minha inaptidão para os bolinhos e coisas sustentáveis. Mas não te metas na Casa dos Segredos, o teu Avô Zé nunca iria recuperar, ouviste?)

Eu sofro dos nervos.

Eu sou um bicho consumista. Gosto dos meus tarecos, das minhas pirosadas, dos meus sapatos, roupa e afins (e tenho zero problema em admitir isso). Compro quase tudo em lojas físicas, muitas delas ligadas a um determinado grupo, o do Tio Ortega fofinho, que também enriquece às minhas custas e nunca um postalzinho de agradecimento, seu ingrato! Adiante. Irritam-me as lojinhas do facefronhas. Mas irritam-me assim, profundamente e eu sofro dos nervos.  Primeiro porque não põe preços nas coisas, segundo porque uma pessoa sensível a tarecos às vezes até se encanta numa peça e lá se dá à trabalheira de enviar uma mensagem a perguntar qual o preço, mensagem que leva dias a ser respondida, muitas vezes com um seco "não está disponível". Uma pessoa é crente e lá volta a mandar mensagem pelo facecoisa e pergunta se não vai voltar a estar disponível e já agora, o preço. Nunca mais recebe resposta, não obstante a dita "loja" postar na mesma rede social as "NOVIDADES!" (adoro quando escrevem em caps, dá-me epilepsias múltiplas). E uma pessoa encolhe os ombros não gasta dinheiro ali e vai procurar coisas bonitas em sítios onde pegue e veja a etiqueta do preço.  Apesar de  não pedir factura "até de um café" (sou uma selvagem e confesso que não peço a factura do café, preguiça, inconsciência, whatever, não costumo pedir)  põe-se a pensar que olha, estrelinha que as guie, que isto é tudo muito esperto e eu tão burrinha, valha-me Nossa Senhora. Uma pessoa também adora (a-do-ro, em linguagem fina)  ligar o noticiário e ver feirinhas e mercados e afins e por-se a pensar que aquelas alminhas também passar factura deve ser mentira, mas mesmo assim, 'simbora que é notícia. Mas ali o Zé dos Cachorros, se estiver a vender na roulotte, é bem capaz de não só levar com a ASAE em cima, como com os senhores fiscais porque vai-se a ver, e ele não passou factura do cachorro de dois euros e trinta e cinco cêntimos. Adoro toda esta lógica. É muito … atirem-se aos cães, sim?  

25 outubro 2014

Delicada.

[o meu Pai costuma chamar-me libelinha. muitas vezes. especialmente quando adoeço...  libelinha]
trago-a agora ao peito. frágil. delicada. e tão , aos meus olhos, bonita, única.

(sigam o  Instagram cá do barraco, aqui

23 outubro 2014

Das rotinas.

Quando Francisca me cabia no antebraço (e ainda sobrava espaço),na instituição "Eh pá, agora sou Mãe!" surgiram uma série de rotinas. Muitos dias tinha vontade de as atirar às urtigas e fazer o que me fosse mais fácil, mais simples, mais rápido. Tantos dias tive vontade de esquecer as rotinas estabelecidas, o banho, o biberão, arrota, muda fralda, dorme. À distância do tempo, acho que lhe fizeram e fazem bem. Por norma, dorme e deixa dormir, esse elefante cor de rosa que perguntam a todos os Pais: o "dorme bem?", ao que se costuma seguir o "e mama bem?", "alivia-se bem?(pondo as coisas em termos simples). Hoje em dia, pouco resta, se não mesmo nada, das rotinas desses dias. Há outras, diferentes, mas estabelecidas, semi-rigidas que dias não são dias. Rotinas simples, fáceis para um criança de 3 anos perceber (tirando o arrumar-os-brinquedos-quase-a-ferros) e que vão resultando (com a minha criancinha, claro). Também há birras, choros desconsolados do eu-tenho-a-pior-Mãe-do-mundo, amuanços, pés que batem no chão porque-a-minha-vida-é-uma-tristeza-e-eu-sou-a-rainha-do-drama. Sim, também há disso. Mas confesso que acho que o facto de as rotinas estarem tão entranhadas no seu dia-a-dia lhe roubam o tempo para as birras descomunais. Ou faz birra ou vê os "desanimados"... as duas coisas, não vai dar. Francisca chega da Escola, brinca, toma banho, vê dois episódios de Dra. Brinquedos (matem-me com o estetoscópio falante), janta e não há cá não quero sopa, que aqui há o quem manda sou eu, come e cala, sai da mesa (depois de pedir), brinca, lava os dentes e chichi cama. Nunca antes das 21h30, é certo, mas se assim não for, não lhe ponho quase a vista em cima. Se antes havia dias em que me apetecia dizer que o banho ficava para depois ou amanhã, hoje em dia apetecia-me que Francisca não ficasse um bróculo em frente à TV pelo tempo em que lhe é "aberto o sinal" do Disney Junior. Mas foi entrando na rotina, este seu momento de descompressão (life is soooo hard when you're 3!) e penso que mal não lhe fará. Faz parte da sua rotina, não é o dia inteiro. E a prova disso, são as nódoas negras que Francisca colecciona nas pernas. Pode parecer estranho, mas gosto que as tenha: é sinal que brinca, que corre, que cai e sobretudo que se levanta. E no fundo, o que eu quero, é que a rotina da Francisca seja a de ser feliz. Simples. 

Siga 'pra bingo!