10 junho 2014
09 junho 2014
Poneisadas que eu gosto.
Um destes dias, fui à farmácia aviar uma das mil e umas receitas para o meu "popping pills", que isto tomo quase (ainda vou no quase…) tantos como a minha Avó. Nisto, pus-me a olhar para a zona dos produtos da Caudalie. Já há algum tempo que uso os produtos de rosto desta marca e a-do-ro. Lá estava eu, na fila, a olhar tipo um cão em frente ao talho para tudo e mais alguma coisa. Tinha-se acabado o exfoliante que costumava usar e caíram-me os olhos neste. Peguei nele e trouxe-o comigo. Até ver, temo-nos dado muitíssimo bem. Para além de deixar a pele maravilhosamente suave, o cheirinho é assim qualquer coisa de se comer! Diz que tem também acção drenante, o que para quem faz imensa retenção de líquidos, tipo a minha pessoa, é um extra muito interessante. Ah e além disso, todos os produtos da Caudalie são contra testes em animais. E nisto, descobri mais uma poneisada que gosto bastante!
Pesa-me o cabelo.
Quando era mais nova (não que seja velha, mas pronto) ria-me quando o meu Pai dizia que as viagens o cansavam. Que o ir e vir a Trás-os Montes, a sua Casa, e fazer 300 km no total, o desgastavam fisicamente. Ria-me e pensava que esse dia não me bateria à porta. A juventude na metade da idade que hoje tenho é muito engraçada na sua ideia de invencibilidade, imortalidade e cansaço é coisa que não assiste. Os 900 km que representam ir a Casa e voltar ao campo, desgastam-me. Cansam-me. São muitos anos em cima a fazer este trajecto Cidade-campo-Cidade-campo. Acho que até os fios de cabelo me pesam hoje. Claro que o facto de descarregar a mala do carro, coisa grande e muito jeitosa para se um dia precisar de transportar corpos, também não ajuda. É que além do exército de bonecada que a Francisca trouxe, há ainda as pérolas da senhora minha Mãe, que acha que eu tenho de trazer tudo o que lá por casa andar, coisas como leite, pão e queijo. Mas quando digo agora ao meu Pai para vir a minha casa, já não me rio quando ele me olha e pergunta se acho que tem 20 anos para alombar com 900km em dois dias. Não tem ele… nem eu.
08 junho 2014
04 junho 2014
O Mundial faz bem aojólhos.
Uma pessoa até perdoa que os interesses do "bicho" passem por pescar e aparar a barba.
(WTF?!?! Aparar a barba é um hobbie ou um interesse? Quereis ver que fazer a depilação também é um interesse, não?)
As restantes 11 boas vitaminas para ojólhos, melhor que cenouras, aqui.
Sim, Emma… Já te mando o NIB, está bem?
When rich women with help tell moms, universally, to take a year off and be present with their kids, I want to pull my hair out (and theirs!). It's such ridiculous advice. The latest actress to share her two cents is none other than Emma Thompson.
“You can’t be a great mum and keep working all the time,” she said in a recent interview with the Daily Mail. “I wanted to spend more time with my family. A year off was my birthday present to myself. I didn’t actually act or write. I was just a mum.”
Well, it must be nice to be worth $50 million and have a career that allows you to take off for a year and return when you feel like it. Working moms, regardless of your paycheck, can you imagine telling your boss you are taking the year off, but will be back when you're good and ready?
In the real world, we just don't have this luxury. Not to mention, most working-class moms can't afford to stay home. They rely on their paycheck-to-paycheck lifestyle (I sure do). I don't have millions stashed in the bank, Emma. And I actually think I am a great mom—a great, solo single mom, parenting alone 24/7.
My work is fulfilling, fun, and crucial to my family's survival. I am a happier, healthier person when I am working and creating. My son, 6, is also happy and satisfied at school, baseball, and with his friends. We have a wonderful relationship and don't just survive, we thrive. Motherhood isn't a competition or something I view as having to fit in, make time for, or dedicate my entire self too. Motherhood is an organic part of my life and I don't need a year off to be "great" at it.
roubadíssimo daqui, depois de ter vontadinha de puxar as orelhas, para além do cabelo, à Emma.
A geração dos sonhos fora do prazo de validade.
Talvez seja de uma geração de sonhos com o prazo fora de validade. Olho à minha volta e apercebo-me de que não foram apenas os meus sonhos que ficaram num lume extinto. Olho à minha volta e também me apercebo que os sonhos são muito voláteis na realidade destes dias. Azedam depressa de mais, fermentam rapidamente. O sonho das nove da manhã é automaticamente substituído por um outro qualquer às três da tarde. No entanto, constato também que a capacidade de sonhar ainda não se perdeu, ou pelo menos, não se perdeu por completo. Aceita-se que os sonhos caducam, passam de moda, deixam de fazer sentido, mas não se aceita deixar de sonhar. E no fundo, por muito que seja de uma geração com os sonhos fora do prazo fora de validade, de sonhos estragados e desfeitos, sou de uma geração que está cada vez mais a aprender que o agora é tão, mas tão mais importante que o ontem ou o daqui a 15 dias. Porque até lá, os sonhos vão mudar. De direcção, de cor, de forma, de sentido. Mas não vão deixar de existir.
03 junho 2014
E o teu perfume patochouli!
Mofli foi hoje ao salão de beleza. Longe vão os tempos em que a bicha ia ao spa canino, em terras de Tio Sam, onde até uma mani-pedi lhe seria concedida, com direito a verniz para cão, massagem e tudo e tudo e tudo. Agora, Mofli vai ao hospital veterinário cá do Burgo para a sua tosquia higiênica. Tentei cortar-lhe o pelo uma vez e a minha Mãe ameaçou internar-me se voltasse a botar a tesoura na guedelha da bicha. Fui buscá-la ao fim do dia, sendo que já me imploravam para a trazer de volta, tal era a barulheira que dez reis de cão fazia no estaminé animal. Mofli já vê, sem pelo na frente dojólhos, fora as melenas que lhe foram também cortadas em sítios estratégicos. Mas, uns bons euros depois, tenho uma micro-cadela de pelo lambido e a cheirar a ... Patchouli. Estou agoniada. Valei-me!
02 junho 2014
De crianças e manhãs.
Não, não me esqueci do dia da Criança. Todos os dias são dias da minha Criança. Em alguns dias, também dias da Criança que fui e que ainda vive em mim. A Francisca teve o seu Dia da Criança antecipado. Foi à loja da Disney e ia-se abafando com a visão "da Doutora, o Tremeliques, a Hélia, e tooodos e o Valentim e olha mais Doutooooras e todos, todos, todos". Foi escolher um brinquedo e saiu com dois. Feliz. Verdadeiramente feliz. Antecipou-se o dia da Criança porque ontem estive a fazer outra coisa. Também verdadeiramente importante para mim. E lembrei-me da Francisca, tão feliz com a sua Doutora de peluche, enquanto olhava para as caixas de cereais, entre os quais papas infantis, iguais às que lhe dou de manhã e pensava em como aquelas caixinhas fariam outros meninos também muito felizes. Mais até que uma Doutora (de) Brinquedos. Hoje de manhã, a Francisca, que já não me via desde Sábado, quando acordou disse "Mááááánhe, preciso de ti. Mas a Mánhe estava a juntar papinhas para os outros Meninos, para a barriguinha deles". E senti que algo de bom consegui fazer na minha Vida. Senti-o de forma visceral. Guardei as lágrimas nos olhos. E escondi a cara nos caracóis da minha Filha, no melhor abraço do meu Mundo.
"E se ter filhos não fosse assim tão giro?"
"O humorista americano Louis C.K. andou a arrastar-se durante 20 anos por bares, palcos e programas televisivos de segunda categoria sem que ninguém lhe prestasse grande atenção. Até que um dia foi pai, e num espectáculo ao vivo, em meados dos anos 2000, decidiu tratar a sua filha por “cara de cu” (“asshole”, no original) e dizer que finalmente “compreendia os pais que atiravam os seus miúdos para o lixo”.A reacção estupefacta do público, algures entre o riso desconfortável e a falsa indignação, foi a sua estrada de Damasco. Nos números de stand-up comedy que se seguiram à epifania, Louis C.K. decidiu apostar cada vez mais na temática trauliteira-familiar, e aos poucos foi abrindo a caixa de Pandora doméstica e a retirar mini-esqueletos do seu armário, puxados à força de assholes, bitches e incontáveis fuckings dirigidos às próprias filhas.O resultado foi este: os pais começaram a rir-se em uníssono daqueles não-ditos tão sentidos, que eles próprios imaginaram ter de esconder dentro de si e acorrentar às masmorras do superego pela vida fora, fosse por convenção social ou por vergonha pessoal. E com o passar dos anos, esse riso foi-se tornando cada vez mais solto, cada vez mais livre e cada vez mais catárctico — ao ponto de Louis C.K., com o seu humor desregrado, desbragado e arriscadíssimo, ser hoje o mais bem-sucedido comediante da América.Como é que isto aconteceu? Como é que aquele tipo ruivo, gordo, careca e semiobscuro, de quem se mandavam links do YouTube às escondidas para os amigos pais se consolarem enquanto tentavam adormecer o filho de oito meses pela oitava vez, se tornou subitamente a nova coqueluche da comédia americana, com uma vasta colecção de nomeações para os Emmys, graças à série Louie?A explicação, para um pai de quatro filhos como eu, é relativamente simples: Louis C.K. teve a coragem de dizer aquilo que todos nós, homens heterossexuais e pais de família, sentíamos cá no fundo mas não éramos capazes de verbalizar, mesmo andando há muito a acumular frustrações pessoais e profissionais. A saber: que o discurso sobre a paternidade está todo ele avariado e que ser pai, muitas vezes (demasiadas vezes, até), não tem piada absolutamente nenhuma.E, de repente, já não é só Louis C.K. a tirar-nos desse armário. É também, por exemplo, Adam Mansbach, graças ao sucesso planetário de um falso livro infantil chamado Vai Dormir, F*da-se(edição portuguesa da Arte Plural), protagonizado por um pai desesperado que tenta convencer o seu filho a adormecer através de versos tão subtis como:O gatinho junto à gata se aninhaE o cordeiro ao pé da ovelha busca calor.Estás aconchegado na tua caminha,Agora, f*da-se, dorme por favor.A Lua no céu está a aparecerE as estrelas já brilham, meu amor.Leio mais uma história, pode ser,Mas, f*da-se, depois dorme, por favor.Tanto na sua versão em papel como na versão áudio original lida por Samuel L. Jackson, o livro foi um enorme sucesso, ainda que na sua tradução portuguesa haja demasiados asteriscos (o “fuck” passa a um púdico “f*da-se”) e a capa se desdobre em avisos cautelosos, não vá um pai narcoléptico enganar-se no destinatário da obra: “Recomendado a pais com muito sentido de humor”; “Não leia este livro aos seus filhos”.Dispensavam-se tantos pruridos. Os pais portugueses, tal como os pais americanos e todos os pais do mundo ocidental, querem cada vez mais quebrar o discurso socialmente correcto e falsamente cor-de-rosa em relação à paternidade. Eles precisam disso, a bem do seu equilíbrio mental, e eu próprio posso testemunhá-lo, tanto em termos pessoais como profissionais: o mais bem-sucedido dos três livros para crianças que escrevi até hoje tem como título O Pai Mais Horrível do Mundo.
(…)
Em resumo, e avançando para o tal final que se quer feliz: ser pai em 2014 é muito difícil, por vezes desesperamos e sem dúvida merecemos mais atenção do que aquela que nos tem sido dada. Olhar mais dedicadamente para as angústias da paternidade, exterminar de vez o discurso cor-de-rosa dos bebés cutchi-cutchi seria uma actividade muito útil e, a bem da propagação da espécie, extremamente proveitosa. Ainda assim, a paixão pelos filhos não diminuiu. Pelo contrário: nunca antes pensámos tanto neles, nunca tivemos tantos problemas de consciência por não estarmos com eles e nunca a nossa vida nos pareceu tão deslocada sem eles. Todos temos consciência disso, a cada minuto do dia. Incluindo naqueles momentos — tão frequentes — em que os nossos filhos nos parecem apenas uns caras de cu. "
… e para ler o resto, ide aqui, que faz muito bem tirar o sugar coating desta coisa maravilhosa que é ter filhos, mas que não vem pintalgado de cor-de-rosinha e flores primaveris.
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