09 outubro 2013

Pépé M.I.A report: dia 2, 2&1/2 ou qualquer coisa assim...

A piquena demora mais um bocadinho a adormecer sem a dita. Falou da coisa umas duas vezes, mas assobiei para o lado, nada comigo e se amanhã não chover vai estar um rico dia, não achas Francisca? Não leva a pépé que o gato maroto levou mas, tinha de haver um mas, agora quer-me levar o Zoo inteiro da Imaginarium para a cama com ela: ele é a gata Missy, ele é o koala Mapi, ele é o tubarão (pêxe) que não sei o nome, ele é o KikoNico e mais uns quantos. E depois fala com eles estilo Brick (quem vê "The Middlle" perceberá). E eu que os ature a todos. E claro, como diz a minha querida Magui, é a miúda em "sofrimento" porque o gato maroto lhe levou a pépé e eu a pensar no Zé. É que no meio de tanto bicho, agora só me lembro de "como o macaco gosta da banana eu gooooosto de tiiiiiiiiii, escondi o cacho debaixo da caaaaama e comi, comi, minha macaca gira e bacana". Eu não regulo. Paciência. Vai na volta e "o teu (como quem diz, meu) focinho, não engana".  Zé à parte, depois de adormecer, dorme que é uma categoria! É o que se quer. 

De cremes anti-rugas e músicas que me fazem divagar...

Em Janeiro, farei 30 anos. Às vezes, dou por mim a pensar que vou fazer 30 anos. Não sei se aparento ter a idade que tenho. Já tive quem me dissesse que parecia mais nova, já tive quem me dissesse que pareço mais velha. Não uso creme anti-rugas mas talvez devesse começar a pensar nisso. A minha testa está cheia de rugas finas. Umas de sorrir e rir, umas de preocupações, umas de choros e tristezas. Mas todas contam a minha estória. Não me assustam, gosto delas. Claro que penso que vai sendo hora de ir comprando um creme anti-rugas, só para não virarem sulcos. Mas se virarem, também não há-de ser isso que me tirará o sono. Não tenho absolutamente nada contra as cirurgias estéticas. Acho que quem as quer fazer, que as faça, se acham que serão mais felizes consigo próprios, tudo bem. Cada um sabe de si. Depois de ter sido Mãe, ponderei fazer uma. Pensei nisso, informei-me, fui a um médico que achou que sim, que poderia ser corrigido o que uma amamentação que virou mastite, marcou. Depois, voltei a pensar, com mais calma, com mais transparência na mente. E decidi que não o faria. Já tenho cicatrizes que bastem e honestamente, depois de já ter passado por várias cirurgias, não me apetecia penar em mais um recuperação. Acho que não me voltará a passar pela cabeça a ideia de cirurgias estéticas e muito menos para apagar as marcas dos anos e da Vida. Apesar de olhar para fotos de há 5 anos atrás e me aperceber que o TIR da idade me passou por cima, acho que a idade me fez bem. Me está a fazer bem. Me continuará a fazer bem. Não quero ser jovem para sempre. Quero envelhecer. Quero envelhecer bem. Talvez devesse mesmo ir comprar o tal creme anti-rugas. Porque sei que vou continuar a ganhar mais umas quantas. Algumas por me rir e sorrir. Outras fruto de preocupações. Outras de choros e tristezas. Todas, do que compõem os dias que se transformam em anos. Por isso, talvez este seja, para já, o meu limite de "how far would you go?" com que esta música deliciosa me fez divagar e perder na minha cabeça: um creme anti-rugas. 

08 outubro 2013

Pépé M.I.A- dia 1 e 1/2

Ontem, na Escola, a sesta da Francisca foi pépé M.I.A (Missing In Action). A sua grande amiguinha chegou de fim de semana a dizer que o gato lhe tinha levado a pépé e, aproveitando o lanço, venderam a mesma treta à piquena. Diz-se que custou a adormecer e "Ai o gato maroto!". Um dia havia de ser dia e ontem foi o dia. Pareceu-me excelente. O gato levou-lhe a pépé e a chucha. "Ai o gato maroto", diz ela quando lhe respondo que o gato as levou e foi a correr muito, muito, muito, para longe. À noite, demorou um pouco a adormecer, a perguntar pela chucha e pela pépé, ouvindo em resposta que o gato a tinha levado. Lá continuou na sua ladainha de "Ai o gato maroto! Pugiu lá longe". Sim, Filha, o gato levou a pépé e a chucha. "Ai o gato maroto". Ao fim de meia hora nisto, apetecia-me acrescentar que a pépé tinha ido com os porcos, mas era capaz de ser bichedo a mais. Lá continuou na sua cantilena de chucha, pépé, gato maroto, fugiu, longe, até que se cansou , virou-se para o outro lado e adormeceu. Sem chucha nem pépé. Às seis da manhã, ouviu-se do outro lado do corredor "Ai o gato maroto!". Meia hora mais tarde, "Ai o gato maroto". Ri-me como uma perdida, com a piquena e o gato maroto que lhe roubou a chucha e lhe vinha ao sono. Mas dormiu. E muito bem até, tendo em conta que era viciada na coisa. Mas um dia havia de ser dia e ontem foi o dia. Siga. Eu cá acho que isto 4 dias e passa-lhe, fica o gato com a culpa e a malta com uns trocos nos bolsos para não serem gastos em aparelhos dentários daqui a uns anos. O gato maroto levou a chucha e a pépé e fugiu para longe, para muito longe. E não volta mais. Maneiras que...

Sim, eu sou uma pessoa terrível que, ao ouvir a míuda na sua ladainha de gatos marotos, se ria em surdina e lhe vinha esta música à cabeça. Logo vejo a que se segue esta noite. Isto é tipo Dragon Ball, não percam o próximo episódio... Bem, mesmo que quisesse, não tinha como perder o episódio desta noite da saga "Pépé M.I.A".  

07 outubro 2013

Óh i óh ai e eu é mais vestidos...


(Zara ou o "covil o costume")
Gosto de vestidos. Keep it simple. Gosto de vestidos. E estes gostam de morar comigo.  E eu com eles! 

Why gamble?

Nos últimos tempos, (já por aqui o disse) ando numa de (re)ver o Sexo e a Cidade. Hoje, quando acordei, lembrei-me de um episódio que vi há uns tempos. Metia casinos, corações partidos, aniversários e por aí. A única vez que me meti num casino rapidamente percebi que é coisa da qual me devo manter afastada. Estourei 70 euros em tempo recorde nas slots, porque achava que me ia sair sempre na jogada seguinte. Um pensamento muito de "agarrada". Até hoje, nunca mais entrei em nenhum. Mas não foi isso que me veio à cabeça quando acordei. A certa altura, a Carrie pergunta "Why gamble?" se sabemos que a casa ganha sempre? Hoje, quando acordei, pensei "Why gamble"? Porque tomamos todos os dias decisões? Porque fazemos a cada novo dia escolhas? Porque apostamos em nós e nos outros? Sabemos que a casa (a Vida) há-de ganhar sempre, na ironia do seu destino e final conhecido, mas sem tempo de validade pré-determinado. So, why gamble? Talvez, porque apesar de sabermos que a casa (a Vida) ganha sempre, escolhemos que, enquanto a casa (a Vida) não ganhar, mais vale apostarmos em fazer de cada dia um dia melhor, um dia mais luminoso, um dia de mais sorrisos e de "peito mais cheio".  Deve ser por isso que insisto em apostar. Nas mais variadas coisas dos dias que me (es)correm. Porque até a casa ganhar, aposto. Coloco na mesa de apostas tudo o que sou. O único trunfo que tenho, é o meu sorriso. É por isso que aposto. Por manter o meu sorriso. A cada dia e enquanto a casa não ganhar, I'll gamble. 

06 outubro 2013

Sabes que da fama não te livras...

(C. ao telefone): 
- O que andas a fazer? 
- Estou a jogar à bola com a Francisca. 
- Eh pá, deixa-te disso e senta-te! Da maneira que tu és ainda partes alguma coisa ou ficas mais desfeita. Senta-te quietinha masé.  
As minhas Amigas, mesmo de longe, sabem do que a casa gasta. 

05 outubro 2013

Bom dia, bom dia...

"Então, que seja doce.
Repito todas as manhãs,
ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias,
bem assim, que seja doce.
Quando há sol,
e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia,
contemplando as partículas de poeira soltas no ar,
feito um pequeno universo;
repito sete vezes para dar sorte:
que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante.
Mas, se alguém me perguntasse o que deverá ser doce,
talvez não saiba responder.
Tudo é tão vago como se fosse nada."
Caio Fernando Abreu  

04 outubro 2013

Notas soltas a uma sexta que poderia ser um dia qualquer...

Ontem à noite, apercebi-me que não sou a super-mulher. Por muito que eu me convença que sim e que levo tudo à minha frente, cansada, eu?!? Isso é para os outros ahahah, eu faço tudo e mais alguma coisa. Ontem apercebi-me que não tenho super-poderes e que sou uma comum mortal. Depois de fazer tudo o que não podia assobiar para o lado e fazer de conta que não era comigo, de brincar, de ralhar porque sua alteza não queria arrumar os brinquedos e "óh minha Menina, se os espalhaste, também arrumas, que eu não sou tua empregada, andamento", fui deitar a Francisca. Dissemos boa noite ao Senhor Sol, ao Cão, ao Leão, à Vaca, ao Croqui, à Mapi, à Missy, à Moo, ao Leo, ao Pippo, ao Mickey, ao Pako, ao Pandi, ao KikoNico grande e depois um beijinho no KikoNico pequeno que carrega com ela para todo o lado. E depois um beijo de boa noite, na bochecha mais doce do mundo inteiro, no cheiro da minha Menina. No silêncio da noite, meti-me debaixo de água a escaldar e fiquei por lá um bom bocado. E senti que não sou a super-mulher. Ouvi o corpo a pedir para parar. Ouvi a cabeça em água a pedir para desligar de contas e experiências e se agora fizer assim e se agora fizer assado? Saí do banho e vi-me ao espelho. Vi as olheiras fundas e os olhos mais pequeninos, como a minha Avó costuma dizer quando me vê cansada. Ainda tentei ver qualquer coisa na TV mas a cabeça voltou a ligar e tive vontade de ir trabalhar para o computador. Contrariei-me e não o fiz, disse "não" a mim própria. Mas o corpo doía. Ontem, doía-me o corpo. E não estou com gripe. Bebi um copo de Vale Pradinhos e fumei um cigarro enquanto via as árvores cá fora. Sim, não sou a super-mulher. Fui dormir ainda nem deviam ser 23h, o que é um feito raro para mim. Adormeci e passei a noite a sonhar. Coisas sem nexo, como descer escadas e de repente cair no vazio. Não foi um sono reparador. Nunca percebi porque sonho repetidamente isso. Em tempos idos, sonhava recorrentemente que tinha um acidente de carro, num sítio muito específico e que me ficava a ver do lado de fora do vidro estilhaçado. Por vezes, tenho sonhos que há quem chame de pesadelos, que não lembram a ninguém. Por norma, também não me lembro do que sonho, apenas acordo com uma sensação de bem-estar ou aquele sentimento estranho, sem definição. O despertador tocou à hora de sempre mas deixei-me ficar até ao limite do que achei razoável (atrasada? não, o meu relógio não bate bem, 'tá bom de ver). Levantei-me e vi que hoje, aqui longe de casa, estava nevoeiro. E tive ainda mais saudades de Casa, dos meus cheiros e manhãs de nevoeiro. Levantei-me e tomei banho. Ouvi um "Bom dia Mánhe. Xixi na sanita, Mánhe!!!". E voltei a vestir a capa de super-mulher. I can do it. Porque não tenho outra opção que não sê-lo. Tratei dela, depois de mim, depois das duas ao mesmo tempo. I'm a super woman. Hoje, ainda tenho de levar com uma ida ao dentista e apetece-me mandar alguém no meu lugar, mas acho que ainda não se pode fazer isso. Pena. Amanhã, terei de trabalhar. I'm a super woman. A energia não vem dos interruptores. Vem de e dos sorrisos. O meu cansaço, guardo-o para mim. Ninguém precisa de saber que há dias em que quando deito a cabeça na almofada, a super-mulher vai para outro lado qualquer e fico só eu. Com as minhas fragilidades, cansaços acumulados e sonhos estúpidos. I'm a super woman. E a minha capa ao vento é o sorriso dela. E o meu, num reflexo. 

03 outubro 2013

Spots de rádio e eu hoje não digo nada de jeito!

Há um spot publicitário na rádio que versa sobre a energia e que não sei que acorda às seis da manhã (djasus, tenho a sorte de não ter de o fazer), trabalhar e coiso e chegar a casa e ainda fazer o resto. Sei que mete ginásio também, que é coisa a que sou alérgica. Mas isto tudo para dizer que dizem que a melhor energia é a sua e há sempre. Pois eu trabalhei o dia todo, fui a correr buscar a criança antes que o estaminé fechasse, tratei de banhos, pijamas, roupas, sopa, jantar e mais uns quantos derivados. Se me colar ao interruptor se calhar sinto a energia que apregoam. É que ainda nem é hora de a deitar e eu já não posso com uma gata pelo rabo e ainda vem o pós-cria time. O que me remete para um outro spot publicitário, o da Dona Inércia. Hoje apetec(ia)e-me ser a Dona Inércia. Mas diz que não vai dar. Estou a olhar para o interruptor. Talvez seja má ideia. Estragava-me as unhas. E isso, é que não. 

02 outubro 2013

Paniquei!

Francisca referindo-se ao coleguinha que saiu ao mesmo tempo que ela:
- O "Rapael" abalou, Mánhe! 
Aaaaaiiii! Pára tudo!!! Aaaaaaiiii que a rapariga além de me esperar o dedo e dizer "'cuta" (escuta), agora também já diz abalar. Aaaaaaaaaiiiiiii! Maria Francisca, bicho bom da sua Mãe... O teu cartão de cidadão diz Aldoar pá, Aldoar!!! Aldoar não combina com abalar! Aí que a rapariga me fala alentejano. Aí que me vai dar o abafo. Aaaaaiiiii!!! 

De manhãs, Mofli, Francisca, Nestun voador e a minha Avó.

Por vezes, o primeiro "Bom dia" daquela voz que reconheceria a milhas, não é para mim. Por vezes, enquanto bebo depressinha a "1/10 de leite com 9/10 de café", encostada a um qualquer canto para não cair de sono, a primeira coisa que a Francisca diz quando desperta não me é dirigida. Talvez seja uma questão de prioridades, em que a Mãe fica abaixo de cão, mas honestamente, não me importo. Deixa-me feliz. Sim, por vezes, o primeiro "Bom dia" que ouço do outro lado do corredor é "Bom dia, Mómóooo". E Mofli vai, disparada, ter com o bom dia que a chama. Ficam ali num namoro pegado por entre as grades da cama. "Mómó!!!!Mómó!!!" (seguem-se gargalhadas e gritinhos de felicidade). Mofli dá beijinhos (lambidelas desgovernadas) e Francisca estica a sua mão para lhe fazer festas no pelo. Hoje, aconteceu isso. Veio-me à cabeça um dito que a minha Avó muito diz, que o "cão e o Menino vão para onde lhe dão carinho". Eventualmente, ouço um "Bom dia Mánhe!! Boooom dia Máaaaanhe". Tem dias que desconfio que lá lhe ocorre que se não chamar a gaja da comida, a "Mómó que tem patinhas" de certo que não lhe vai aparecer com um prato de Nestun. Entro no quarto, peço o meu beijo (melado) de bom dia, que me enche de ternura e a coisa prossegue, entre o Nestun pela goela abaixo e um "Mánhe, cááaaanta, cáaaanta a Mánhe 'quida da bida!!!", de boca cheia, o que se traduz em pedaços semi-mastigados da coisa na minha direcção e pronto, ainda não vai ser hoje que vai "das nove às cinco" que ainda tenho de trocar de roupa (e pensar que o Mánhe 'quida da bida começou na brincadeira de desespero do "Francisca-deslarga-me-5-segundos" e pronto, a brega agora adora a coisa e eu ainda me rio que nem perdida por cima. Só nível, há dúvidas?). E entre Mofli, mães queridas, beijos melados, Nestun voador, lembro-me de uma imagem. Um destes dias, aboborei em frente à TV. Não faço ideia do que estava a ver mas lembro-me de uma cena de uma família qualquer, a tomar o pequeno almoço, guardanapos de pano, sumo de laranja acabado de espremer, croissants e sei lá eu mais o quê. Um "Mánhe quida da bida, Mánhe", trouxe-me de volta à minha realidade. Não há sumo acabado de espremer e muito menos guardanapos de pano. Mas há muito, muito mais e muito melhor neste desengonçamento que são as minhas manhãs. Porque "even if it ain't all it seems I got a pocket full of dreams". E não, não sou de Nova York. Mas os sonhos fazem-se em nós, não nos lugares. E durante a manhã, recorrentemente e sem eu fazer a menor ideia do porquê, o dito da minha Avó ecoou na minha cabeça: "o cão e o Menino vão para onde lhe dão carinho".