06 maio 2012

Coisas da madrugada...

Devia estar a afagar o ego à minha precious thesis.A escrever-lhe com carinho, ternura e dedicação e a pensar que quando a vir pelas costas vou ter acendalhas para o Inverno inteiro. 
Em vez disso, estou aqui num dilema moral enorme, gigantesco... Devia estar com a cabeça em coisas que nada têm a ver com o novo creme xpto da Lierac. Mas ando aqui numa indecisão monstra e num vai não vai para o trazer para casa comigo e, se o desgraçado não me estiver a indrominar com as suas qualidades, sermos muito felizes juntos. 
Vou continuar a debater-me neste assunto de extremo interesse enquanto devoro umas tarteletes. Ficar a cuidar da bicha horribilis (para amanhã, espera, hoje, whatever, não ter um peso nessa coisa chata chamada consciência por não lhe dar atenção) e com dramas deste calibre para resolver sozinha dá-me fome. 

Dez mandamentos que conheci após ser Mãe...

 
- Se o bebé chora é fome. Ou cólicas. Ou dentes. Por vezes serão as três. Em casos extremos, chegarão a ponderar TPM ou menopausa antecipada. No caso de dizerem a quem vos tenta iluminar em relação às necessidades da criança que pariste e cuidais a maior parte do tempo que não é fome, 3 em cada 4 vezes sereis fulminadas com um olhar reprovador, como se estivesseis decididas a criar a nova Kate Moss; 
- Leite de lata é o demo. Ou para as taradinhas da amamentação, é o Lúcifer reencarnado.  
- Se agasalharem muito os piquenos dir-vos-ão que a criança está com calor. Se for mais à fresca, dirão que piqueno tem frio e que Mãe com os cinco litros bem aferidos não leva criança à rua com pés descalços. Nem que estejam 35ºC à sombra;
- Avós na verdadeira ascensão da palavra não educam. Mimam muito. Educar não é para eles que já suaram as estopinhas a tentar fazer de vós umas pessoas decentes. Ou pelo menos, que não vos tornásseis nuns delinquentes. Tudo o que os ditos criticavam na educação do filho dos restantes (óh se tem algum jeito brincar com um comando, córrore que isso não é brinquedo de piqueno) farão pior com o neto. Duas vezes pior. Ou mais;
- Nunca compreis roupa do tamanho do piqueno. Sereis insistentemente bombardeadas com o "vai deixar logo de servir". Deveis comprar roupa para três anos (ou mais) e ir enrolando o pano que sobra. Comprar roupa do tamanho certo é coisa de quem não percebe nada, à la Mãe inexperiente;
- Se o piqueno chora a meio da noite, é fome, pois claro. Sereis apelidadas de insensíveis sem coração por decidirem ensinar que comer minha rica filha, come-se de dia. Não sereis apedrejadas em praça pública apenas porque paralelo escasseia na bela calçada Portuguesa;
- O título de mãe-cabra insensível poderá também ser atribuído nas seguintes situações: porque não viajais atrás com o piqueno no carro, preferindo ocupar o lugar ao lado do condutor. O mesmo se aplica no caso de serem as condutoras, em que ainda há quem ache inconcebível pequeno ser ir sozinho a olhar para o banco traseiro, que aborrecimento óh messa! Mesmo que o estejais sempre a ver pelo retrovisor, não vá o Demo tecê-las. Podereis ainda exibir este título mui nobre porque vos recusais a deixar a cria adormecer/dormir no vosso colo, deixando-a a adormecer na sua cama. Mãe deve ter escoliose e hérnias e carregar o filho nos braços até dormir profundamente. Nem que o piqueno já pese uns bons 20 kg.  Nada de mariquices menina, que também o soubeste fazer; 
- Sereis consumidas pelo fogo de olhares reprovadores e fulminantes lançados num qualquer café quando levais piqueno ser a tiracolo e este decide mostrar que tem pulmões. Mãe que se preze não sai de casa. Muito menos tem direito a ir tomar um café na pastelaria da zona;
- Todos os utensílios de puericultura que não existiam no Tempo dos Vickings devem ser abolidos do vosso lar. Não importa que facilitem muito a vossa vida. No tempo dos Vickings não havia nada dessas coisas em que gastar oiros e, mesmo assim, sobreviveram. E ainda usavam um chapéu todo catita;
- Não importa quanto vos esforçais. Aos olhos do mundo, não passa da vossa condição mamífera. Não espereis elogios pelo vosso desempenho na área da maternidade. Poucos, se alguns, ireis receber. 

05 maio 2012

Do dia da Mãe...

Amanhã é dia da Mãe. Ou dia 8 de Dezembro, como quiserem. Mas convencionou-se, nos últimos anos, que seria o primeiro domingo de Maio. A mim, parece-me bem. Maio cheira a Primavera, cheira a flores, cheira a sol.  
Gosto muito da minha Mãe. Não lho digo tantas vezes como deveria, mas tenho um orgulho imenso nela. Acredito que ela sabe disso, mesmo que não o diga (muitas vezes) por palavras. Por vezes, foi uma Mãe um pouco ausente.Não por opção mas porque assim teve de ser. Por vezes foi e é bruta, ríspida. Mas é sincera e é de boa intenção que se enchem as suas frases mais duras com as quais me brinda. Nem sempre concorda com as minhas decisões e opções e faz questão de mo dizer, mas apoia-me incondicionalmente. Não direi que a minha Mãe é a pessoa a quem conto tudo, mas é o meu porto de abrigo. Não há colo como o de uma Mãe. Não há melhor colo no mundo que o dela.  
Quem tem uma Mãe, tem tudo, diz o povo sábio.  
Dou mais valor à minha desde que eu me tornei Mãe. Correcção, aprendiz de Mãe. Não tenciono ser a Mãe perfeita. Sou humana e um poço de defeitos. Tenho as minhas coisas como todo ser humano. Se há dias que o meu coração transborda paciência e serenidade outros há em que trago um furacão cá dentro. Mas com a chegada da Francisca, aprendi a que o furacão passasse a ser (apenas) uma tempestade tropical. Se é bom ser Mãe? É, muito bom. Olhar para aquela criança e saber que a gerei no meu ventre, que aconteça o que acontecer, ela é minha filha. Nunca deixará de o ser. Mas, perdoem-me os mais sensíveis, não vou vender a ideia que é tudo um mar de rosas. Idealizava a maternidade com harpas e passarinhos a chilrear como som de fundo. Não compreendia os desabafos de Mães cansadas e que soltavam um "apetece-me atirá-lo pela janela por vezes". Hoje compreendo. Aprendi que a maternidade se enche de todas as bandas sonoras possíveis e imaginárias. Aprendi que os momentos idílicos de contemplação do pequeno ser são mais escassos dos que o que pensava serem. Há dias em que admito que são raros. Mas quando os há, são bons. Diria que se enchem de algo sublime, etéreo. Porque aquela pequena criatura é minha filha, saiu das minhas entranhas. Ouviu o bater do meu coração como jamais alguém ouvirá. Porque lhe reconheço os caprichos das birras, porque aquela pequena mão gorducha me procura quando acorda sobressaltada. Não sou o exemplo da Mãe de filmes ou de livros delicodoces, sou uma Mãe de carne e osso. Uma Mãe que tem dias de desespero em que a última coisa que quer neste mundo e outros é estar mais uma hora a ouvir pequeno ser gritante. Dias em que tudo é demais e que a falta de controle sobre a minha vida, sobre os humores da pequena entre outras variantes, se abatem sobre mim e me deixam esgotada. Os 9 meses de gravidez não me preparam para esta aventura. Talvez pela minha credulidade em relatos de Maternidade maravilhosos. Talvez por achar que a minha Mãe me quereria passar uma imagem distorcida. De um momento para o outro, sem formação digna desse nome, traz-se um bebé nos braços para casa. E é suposto faze-lo vingar, faze-lo feliz. Educá-lo para ser uma pessoa boa. Transmitir-lhe valores. Sim, pode ser overwhelming. Assustador. Foi-o e por vezes, nos poucos silêncios da casa, ainda o é. Mas basta um sorriso para regressar à realidade e ganhar forças. Seja para mais uma noite com passeios a cada três horas até à cama da cria, seja para mais meia hora de guinchos. Ou para cantar canções que nunca imaginei trautear. Ou para apenas continuar a aprender a cada dia de que se reveste este admirável mundo novo da maternidade. 
Daqui a uns anos, Francisca também pensará vezes sem conta que a Mãe que lhe calhou no ovo kinder é uma chata como nunca outrora vista. E que as Mães das amigas serão sempre melhores. Mais permissivas, mais companheiras, melhores. Francisca pensará também que a Mãe não percebe nada de nada e que se entretém a dificultar-lhe a vida com regras e com conselhos que não pediu. O tempo dar-lhe-á a sabedoria e experiência para reconhecer, assim espero eu, que não há colo melhor que o regaço onde a embalo e a acalmo. Que uma Mãe, assim como uma filha, é para sempre. Que deste coração jorra amor, na sua forma mais pura. O tempo dar-lhe-á a capacidade de perceber que os seus interesses se sobrepõem aos meus, mesmo que por vezes a Mãe não o declare. O tempo mostrar-lhe-á que, apesar das asas que a ajudarei a ganhar, porque o que a Mãe mais quer é a sua felicidade, gostará de um dia voltar ao ninho. Ou pelo menos, assim o espero. 
Considero-me uma aprendiz de Mãe. Se for metade da Mãe que a minha Mãe o foi, ficarei feliz.  
Para todas as Mães ou aprendizes de Mãe... um feliz dia da Mãe. 
Sim eu sei que só é amanhã, mas amanhã é dia de boicote ao computador. Dia para ser Mãe a tempo inteiro de pequena cria, no dia em que apesar de ela ainda não o saber, diz a sociedade que é a mim (nós) dedicado. 

Petas...

Este selo e desafio foi-me passado pela Vanilla. Obrigada! O desafio consiste em: 
1. Dizer 7 factos sobre ti (dos quais 3 são mentira); 
2. Desafiar os seguidores a descobrir quais os 3 que são falsos; 
3. Fazer um post a denunciar as tuas mentirinhas uns dias depois; 
4. Passar o desafio, bem como o selo, a 5 seguidores que consideres merecedores, e a quem queiras agradecer o carinho que têm tido contigo. 
Vamos ver se tenho jeito para pregar petas... 
- Tenho uma tatuagem nas costas 
- Adoro cozinhar 
- O meu sonho era viver num monte Alentejano e recolher animais abandonados 
- Falo 5 línguas diferentes 
- Gostava de ter um hamster 
- Gosto de comida indiana  
- A Mofli foi a melhor "prenda" que algum dia recebi 
Não vou passar o selo a apenas 5 seguidores mas deixá-lo aqui para que todos os que seguem o meu blog. A vocês, obrigada! 

E então, conseguem descobrir as minhas mentirinhas? 



Dos filmes da minha vida VIII...

Ladies and gentlemen, I, Ranger Bob, cordially invite you to become inmates of Alcatraz.  
(1996)

Coisas que me apoquentam verdadeiramente...

...  crises adolescentes vividas a par com crises de meia idade; 
... a paranóia com a Rita na capa da Playboy. Ainda estou para descobrir o que é que contribui para a minha felicidade o ela ter usado cuecas do pão ou não ter mostrado as marufas... 
 Não há paxorra senhores! 

03 maio 2012

Ainda a propósito da fé...

"Deus,
Bem avisaste que eras um Deus invejoso e vingativo. Também sei que Job era um caso-limite: uma ameaça do que eras capaz. Nem eu nem a Maria João temos um milésimo da obediência e da resignação de Job. E castigaste-nos menos. Mas foi de mais.

De certeza absoluta que nos amamos mais um ao outro do que te amamos a Ti. Sabemos que isto não está certo. Mas foste Tu que nos fizeste assim. Admite: deste-nos liberdade de mais. Foste presunçoso: pensaste que Te escolheríamos sempre primeiro. Enganaste-Te. Quando inventaste o amor, esqueceste-Te de que seria mais popular entre os seres humanos do que entre os seres humanos e Tu. Por uma questão de tangibilidade. E, desculpa lá, de feitio. Tu, Deus, tens o pior das arrogâncias feminina e masculina. Achas que só existes Tu. Como Deus, até é capaz de ser verdade. Mas, para quereres ser um Deus real e humanamente amado, tens de aprender a ser um amor secundário. Sabemos que és Tu que mandas e acreditamos que há uma razão para tudo o que fazes, mesmo quando toda a gente se lixa, porque não nos deste cabeça para Te compreender. Esta deficiência foi uma decisão tua: não quiseste dar-nos a inteligência necessária.
Mas deste-nos cabeça suficiente para Te dizer, cara a cara, que nos preocupamos mais com os entes amados do que contigo.

Ajuda a Maria João, se puderes. Se não puderes, não dificultes a vida a quem pode ajudar. Faz o que só um Deus pode fazer: reduz-te à tua significância. Que é tão grande»
 
Miguel Esteves Cardoso in Público
 Speechless... 

Coisas que ainda me fazem pasmar...

... e acreditar que o Mundo ainda não está pelas ruas da amargura : a fé. Seja ela qual for ou no que seja. 
A capacidade de auto-superação e sacrifício embutida nos caminhantes que vejo passar, indiferentes à chuva e ao vento, faz-me acreditar que o Mundo não é assim tão desprovido de sentimentos.   
Independentemente daquilo em que eu acredito ou deixo de acreditar. 

02 maio 2012

É para o que estamos...


Do Pingo Doce...

Não tenho muito a dizer nem serei a pessoa com mais autoridade para opinar sobre o que se passou ontem no Pingo Doce.  O que aconteceu apenas me deixa a reflectir sobre o estado a que chegou este País. Entristece-me. Não acredito que haja, embora saiba que há  alguns espécimes assim, que pessoas por puro prazer decidam passar o seu feriado fechadas num supermercado à pinha. E que gostem, por puro entretenimento, de andar à porrada por um kg de arroz ou um litro de leite. Talvez os acontecimentos sejam o reflexo da pobreza e miséria que popula atrás de portas fechadas e sorrisos forçados. Porque há muitos Pais que já não têm pão e leite para dar de manhã aos filhos e aquecer-lhes o estômago, restando as refeições nas Escolas para aconchegarem barrigas famintas. Porque há famílias que comem sopa, apenas e só sopa, porque a crise lhes bateu à porta e nem pediu licença para entrar. E que essas mesmas famílias, vendo a oportunidade de com menos dinheiro encherem a despensa, acedem à loucura promocional.  E mesmo as que não passam dificuldades, fazem contas à vida. Se a promoção compensava? Claro que sim, basta usar a matemática elementar. Se concordo com a decisão do grupo Jerónimo Martins? Não tenho que concordar ou discordar. São empresas que visam o lucro, ponto. Não me cabe a mim analisar os porquês de tal iniciativa. Se vou apontar o dedo a esse mesmo grupo e dizer que era Dia do Trabalhador e que aqueles trabalhadores deveriam gozar esse dia? Talvez. Mas tanto quanto sei, TODAS as outras superfícies comerciais estavam também de portas abertas. E desses trabalhadores, já ninguém se lembra? Vamos apelidar o Pingo Doce de demoníaco? E então o Tio Belmiro? Mandou os seus colaboradores para casa no 1º de Maio? Pois, não me parece...
No fundo, não vejo grandes diferenças entre o que aconteceu ontem e a famosa Black Friday Norte Americana. Mas ao menos, aqui falava-se de bens essenciais e não de um par de sapatos ou telemóvel de última geração a preços muito convidativos...  
Culpa da crise ou de mentalidades? Não sei...  
Fica a cargo de quem percebe ou tenta perceber a natureza humana dissecar os incidentes do 1º de Maio. Eu, fico-me pelo que penso...