Parabéns Francisca, meu Amor maior, meu pequeno raio de sol.
(o blog vai continuar em banho-Maria até que as palavras ganhem de novo vontade de serem escritas. nos dias que (es)correm, instagram : princesa_sem_reino )
De férias ou de trabalho, de descanso ou de cansaço, de dias longos ou de noites curtas... Bom dia (e uma boa semana) ...
I know there's so much left to seeI know I have so much left to giveBut the memories remain, yet the scars don't feel the sameFilling page just one by one, in the warmth of other suns
(A Francisca começou a perguntar pelas minhas cicatrizes. Digo que são feridas que a Mãe fez há muito tempo e ela pergunta se doem, passando a mão nos meus braços. Não Filha, não doem. )
Lembro-me de uma vez, há muitos anos, a minha Avó ter partido uma boneca de porcelana (horrorosa) mas que, nem sei muito bem porquê, a minha Mãe lhe tinha estima na altura. Fez-me "shhh, a Avó vai colar e tu não vais dizer à Mãe, está bem? É o nosso segredo!"*. Anui e continuei na minha vida, atarefadíssima, própria de quem tem 4, 5 anos. Uns anos mais tarde, encontrei a boneca, agora já na classe de cangalhada. Olhei para ela e recordei-me que se tinha partido e de toda a estória. Ao primeiro olhar, estava intacta e feia como sempre tinha sido. Mas, se passasse o dedo por ela, sentia-se perfeitamente o rebordo da fractura, a imperfeição da cola, as partículas minúsculas em falta que faziam com que a porcelana não unisse por completo. Demorava para perceber tal imperfeição. De relance, estava impecável. Era só uma boneca mas talvez seja essa a grande diferença que existe entre perceber as quebras e as marcas que a Vida traz a quem nos rodeia: a capacidade de ver em vez de só olhar.
(A Francisca começou a perguntar pelas minhas cicatrizes. Digo que são feridas que a Mãe fez há muito tempo e ela pergunta se doem. Já não doem as cicatrizes Francisca, mas há feridas que se sentem apenas vendo com os olhos da alma, que é o coração. )
* Não fiquei nada caladinha. A primeira coisa que fiz quando o meu Pai chegou foi logo ir contar-lhe. Queixinhas!
"Canta-se muito o espírito e a vontade e o sonho mas bastam duas noites mal dormidas para percebermos que, se algum determinismo existe, é o fisiológico.
"Está cheio de sono" é a desculpa eterna dos pais para o comportamento psicótico das paridas criancinhas. Reivindico esse mesmo queixume para os adultos.
Basta dormir bem uma noite para o dia seguinte ser uma espirituosa alegria, cheia dos mais nobres sentimentos. Podem dizer que é triste que tudo dependa de contingências fisiológicas. É mentira: é apenas deprimente. Por ser verdade.
O velho conselho "sleep on it" afinal não significa "dá tempo ao tempo; adia a decisão até amanhã" mas apenas, prosaicamente, dorme 7 ou 8 horas e sentirás, erradamente ou não, que a coisa não é tão negra como tu pensas.
É verdade que a coisa mais importante é a saúde. Mas a saúde não é a ausência de doenças: é uma satisfação fisiológica que se repôe ou retira de um dia para o outro.
Quando se está muito doente - quando não se tem vontade de comer, beber ou fazer seja o que fôr - a única coisa que fica é uma vontade de viver. Mas mesmo essa vontade é coisa pouca. Por estarmos doentes. Por sabermos como é não ter saúde bastante para acharmos imperativo esforçarmo-nos muito (ou mesmo pouco) para nos salvarmos.
Salvar quem? Salvar o quê? A única coisa que vale a pena salvar é a saúde. E a saúde é, no fundo, um problema de cansaço que vai podendo, enquanto pode, ter soluções tragicamente temporárias.
Até não ter."
Um dia destes, estava a falar com uma Amiga minha sobre convites de casamento. Já nem sei muito bem como a conversa foi aí parar, mas também não interessa nada (deve ter sido por causa do convite de batizado da Francisca. Ide ao Etsy minha gente, que há lá de tudo: giro, feio, horroroso, uber cute, lálálá e a preços muito interessantes. Satisfeitíssima, eu.) Diz que agora é moda fazer festas de casamento "adults only". Ou seja, quem tem criancinhas das duas uma: ou tem quem tome conta da canalha ou então olha, não vão (e até poupam uns trocos). Por acaso, ainda não me calhou nenhum convite desses. Por acaso também, a Francisca não foi a nenhum dos casamentos* (já somo 3 só este ano e falta, pelo menos, ainda um) pelo simples facto de que havia família que pudesse ficar com ela (a minha pessoa, a Mãe, fica sempre muito desconfiada daqueles Mickeys e Minnies manhosos que se disponibilizam a levar as criancinhas para salas contíguas). Mas voltando aos convites "adults only"... Eu percebo que ter crianças numa festa pode ser chato. Elas gritam, berram, choram, gostam de limpar as mãos no vestido da noiva, pedem para fazer chichi e cócó muito alto no meio da cerimónia e ficam, quase sempre, a tirar catotas do nariz nas fotos. Uma chatice, que sim. Mas não faz sentido nenhum convidar alguém e logo a seguir dizer "a tua Filha não pode vir, mas faço todo o gosto em que venhas". Antes de ser Mãe, até era capaz de encolher os ombros e perceber a lógica e mimimimi. Hoje em dia, faz-me confusão. Até acho mais aceitável dizer que "não podes vir à praia connosco porque cheiras mal dos pés" ou "nunca mais vou jantar com a tua irmã porque ela manda muitos perdigotos a falar, além de o hálito tresandar". Todos sabemos que as criancinhas, especialmente se forem muitas, fazem barulho. Mas fazem parte (se não forem mesmo a parte mais importante) da vida da pessoa a quem se endereça o convite. E o que não falta são tipos de eventos em que facilmente (e educadamente) se descartam as crianças, essas pequenas usurpadoras de meio metro...*Ah, espera, foi ao do Padrinho dela. Encheu a pança nas entradas e depois foi toda feliz para casa com os Avós, que foram uns queridos e a vieram buscar, já ela tinha decidido que por o patê na tosta era trabalho a mais e vai de colher-patê-boca-repete. Um olho no burro e outro no cigano minha gente, é o que vos digo...