19 maio 2015

Serei órfã de infância.

Na inevitabildade das curvas da vida, deparo-me com o abismo das certezas. Inevitável. Tanto a morte como a vida. Hoje, não me apetece levantar os braços, por uma perna à frente da outra. Hoje , apetece-me voltar à posição fetal. Ouvir o ritmo lento da minha respiração. O cancro, o filho da puta do cancro, leva-me a família toda. E , sei agora, que o cabrão do cancro me levará também, um dia, a minha doce Avó, o único vestígio de que um dia também fui criança de Avós. Só não sei é quando. O filho da puta do cancro leva-me a família toda e será esse covarde o algoz que me deixará órfã de infância. Um dia, só não sei quando. 

17 maio 2015

Blá blá blá whiskas saquetas

Pés por todo o lado.

De entre muitos outros que poderia enumerar, ocorre-me que o problema do verão( ou do calor, tanto faz, para mim vai dar ao mesmo), são os pés. Não aguento fotos de pés nas redes sociais. É horrível. Pés na areia, pés no tablier do carro, pés na água, pés nas sandálias. Não. Assim, NÃO. Os únicos pés giros são os dos bebés porque tudo o que é pequenino mete graça. Não s'aguenta. 

(se querem mesmo muito mostrar as unhacas e afins pela net fora, façam uma pedicure primeiro p'lo amor da santa. E sim, continua a "maravilhar-me" tudo o que se expõe em bytes pixelizados). 

13 maio 2015

Sometimes I get lost inside my mind.

Das fronteiras de mim, do meu Mundo no Dela e do meu Mundo fundido no seu abraço, ainda a cheirar a perfume que lhe coloquei de manhã, sei muito pouco. Sei que é já muito para além das fronteiras do que eu pensava saber ser capaz de sentir. E aqueles olhos escuros, vivos, risonhos, a olharem para e por mim.  Das fronteiras de mim estendidas, rebentadas e reconstruídas sem fim, reorganizadas para melhor A acomodarem, tal como o braço se aperfeiçoou na maneira de a segurar, sei muito pouco. E todos os dias, sei cada vez menos, orgulhosa da palavra "Mánhe" a mim dirigida, docemente entorpecida neste meu analfabetismo de sentir. 


10 maio 2015

Não quero a minha Filha sentada a mando de ninguém *

Li isto um dia destes algures neste admirável mundo novo digital: "Não quero que a minha Filha passe o dia sentada a mando de quem quer que seja". Que bonitinho. Se há coisa que me admira hoje em dia é o elogio do "ser criança". Fico fascinada, que sim! Criança que se preze tem é de ser selvagenzinha, correr rua/campo/restaurante/whatever fora, tipo cabra do monte. Tem de fazer o que gosta, só o que gosta e não levar com merdas chatas, vulgo, regras. Se quiser comer com as mãos "está a explorar o tacto", se quiser rasgar os cortinados "está a explorar o tacto", se quiser riscar as paredes ou cortar o pelo da cadela à tesourada "está a explorar a sua veia artística". Se quiser gritar em pleno supermercado, está a testar os seus decibéis de audição e as várias frequências do som e a expressar a sua frustração porque porra, disse que não a um balão da Princesa Sofia. Óbvio, estou a ser castradora, porque lhe arregalo os olhos e lhe ralho baixinho ao ouvido, é a receita mágica para lhe destruir a infância e mais, estou a humilha-la em público!!! Bardamerda, sim? Querem cá ver que eu sou a Nazi da Infância? E, se eu me passar porque não estou para repetir a mesma coisa trezentas vezes, eu, assim EU é que não estou a entender que eu, assim EU, é que estou mal e não piquena sostra, que escolhe ignorar e ver se passa sem arrumar a cangalhada que faz do corredor uma corrida de obstáculos.  Sabeis que mais? Eu acho que sim, óptimo, excelente, o que quiserem. Depois o Mundo tratará de a seu tempo encaixar o rabo da criancinha de hoje numa cadeira de adulto num Mundo pouco elástico. A minha Filha pede para sair da mesa e já por várias vezes ouvi o "ai que querida, deixa-a ir, é criança!". Temos pena, é criança e lálálá, pobre petiz, que deve ser uma seca estar sentada num restaurante e não andar a rebolar no chão, a explorar ou a fazer qualquer coisa altamente didática (???) mas são as regras: não sai da mesa até todos terminarem. A Francisca não passa o dia sentada a mando de quem a educa, mas quero que se sente,  em casa e fora dela, assim que tal lhe seja solicitado. Não quero criar um autómato, um ser obediente sem capacidade de pensar por si. Nada disso.  Mas não quero criar a Francisca com a ideia de que o Mundo se vai moldar a ela. Isso não vai acontecer, habemus pena. É a lei da vida e muita sorte temos nós de estar no topo da cadeia alimentar. E viver na Europa, já agora. 

* E sim, eu também não quero que a minha Filha passe o dia sentado a mando. Quero que brinque, que corra, que salte e pule, se suje, se esfole mas que, quando lhe seja pedido para se sentar, se sente, sem ser preciso "mandar". Quero que saiba distinguir que há regras e que há tempo para tudo. Tudo porque acredito que o sentar-se, ouvir e aprender não fará dela menos criança. 

07 maio 2015

Diz que sim.

Sempre que ouço o anúncio da "Intimissimi" venho a correr para perto da TV. A música faz-me pensar que vem ali uma coisa xpto, tipo que descobriram a cura do cancro e a vão anunciar. Depois, quando os olhos encontram o som se apercebem que afinal é uma cena de soutiens, encolho invariavelmente os ombros e penso que whatever, hoje em dia vai dar quase à mesma coisa.  

Carrossel em movimento.

A minha Avó teve alta. Se, por um lado sei que em parte esta mesma alta passa pela "pressa" de hoje em dia vagar camas, gastar menos e 'simbora depressinha que há mais na fila, acredito também que se a deixaram voltar para casa é porque reunia o mínimo de condições para tal. Tem dores e está fraca mas porra, são 88 anos. Oi-ten-ta e oi-to.  Admira-me a sua teimosia de viver. A sua garra. Orgulha-me profundamente ser sua neta. Por muito que o carrossel da vida não lhe tenha sido sempre cor de rosa, que não, nem pouco mais ou menos, a sua vontade de que ele continue sempre a girar, dá-me força quando tudo me parece de mais. E, sem ela o saber, o seu girar de carrossel que não pára nesta coisa que é a vida, também mantém o meu em movimento. 

06 maio 2015

Coisas que m'afligem ojolhos.

Socas. Não são giras. Não são "féshione". Não dão estilo. Nem pinta. São horríveis. E fazem-me lembrar cascos de cavalo. São ... sinistras, no mínimo. 

04 maio 2015

E a vossa 2a feira, hein?

Ora, a minha deu-me assentar com as costelas logo no dentista que é por causa das coisas. Estou aqui à espera de ser atendida e tenho vontade de entrar no consultório a correr. Cara de desvairada já tenho, que nem me dei ao trabalho de me pintalgar, assim mesmo ao natural que é para se perceber a dimensão da coisa, que dor que me faz sair sem blush na tromba é coisa séria. Mas estava eu a dizer que podia entrar ali a correr a gritar "plo amor da santa pegue no alicate e arranque-me o dente de vez e drogas, quero droooogaaas, put me out of my misery". Só que depois era capaz de ainda acabar noutra especialidade... Maneiras que continuo sentadinha a ganir de dores e em palavrões mentais. 

(a indústria farmacêutica já me patrocinava ou dava uns vouchers) 

03 maio 2015

Se isto não é ser delicodoce, não sei o que será!

O Tio Jerónimo deu-me todo um novo alento nesta coisa da Maternidade! Fiquei apenas na dúvida de para quem seriam as fraldas mas não faz mal. Tudo o que eu sonhava ter no dia da Mãe era algo assim: um ano de fraldas.  

(já tive a prenda pelas mãos da minha Cria, abracinhos, beijinhos e tudo e tudo e milhentos "feliz diaaaa da Máaaaanhe" a cada 5 minutos. Já me babei com a minha Cria. Literalmente, porque tenho uma bruta de uma infecção num dente e a modos que me dá para babar e, figurativamente, porque de quando em vez me dá para ser lamechas com o bicho bom da "Mánhe".)

01 maio 2015

Still alive (Música nos meus ouvidos)

Não abandonei a tabanca, caso tivessem dado pelo silêncio por estas bandas. Gosto muito deste estaminé para isso e tem sido uma constante neste meus últimos anos, o meu poço dos desabafos, de lembranças e que me permitiu também conhecer gente boa. Simplesmente, apeteceu-me estar calada, não me expor. Quanto mais ansiosa, preocupada ou chateada, mais o silêncio que sai das minhas mãos e dos meus lábios. A vida decorre deste lado, com dias bons, dias maus e essas coisas todas.
A minha Avó esteve às portas da morte, foi operada e agora está a recuperar. Tudo aos 88 anos, quando ninguém acreditava que tal fosse possível. Nem eu, confesso, que quando soube que iam avançar para a cirurgia, porque não havia mais nenhuma opção viável, desatei a chorar no meio de um hipermercado, algures entre a ração da Mofli e a areia da Chica. E eu não choro em público, digo-o muitas vezes do alto da minha armadura sorridente de olhos rasos de lágrimas, mas ali os soluços subiram-me à garganta e as lágrimas caíram grossas, duas a duas, deixando um rasto na base com que tapei as olheiras da noite mal dormida. Acho que ninguém reparou. Espero que não. 
Ainda por aqui ando. 
Depois bem, comecei a ficar um bocadinho a dar ao muito saturada de gente que quer salvar o mundo. Ou gente que descobriu a luz ao fundo do túnel em forma de stevia  ou merdas afins, que o glúten é o mal de todo o mundo e o açúcar um veneno tipo cianeto. Não sei como a minha Avó com 88 anos sobreviveu até agora, rija, sem saber o que era stevia e a comer o que a terra dá e que louca, comia batatas e arroz!!!  Isso e sem batidos de proteína. Go figure. Irrita-me as entranhas, sou pessoa dada a nervos. Eu sei que deveria ser melhor pessoa e mimimimi ajudar toda a gente e o próximo e o next in line e lálálá mas a vida, se calhar, tornou-me cínica e eu aprendi que não se consegue ajudar toda a gente. Especialmente, quem não quer ser ajudado. Suicidou-se uma conhecida esta semana, encheu a barriga de álcool e comprimidos e adormeceu para não mais acordar. Não era minha amiga, conhecia só de vista mas fez-me muita confusão. Ainda cá ando, repeti para mim e agradeci em silêncio por nestes meus genes manhosos, de rins que não valem ponta e infecções recorrentes, ter também a resiliência das mulheres da minha família, especialmente das minhas Avós. Quem era próximo tentou ajudar, cada um fez o que conseguiu e foi até onde o instinto de auto-preservação permitiu. A depressão é destruidora de quem se atravessa no seu caminho e por isso mesmo, chega a uma altura, em que o afastamento é a maneira de sobreviver e não ser sugado nessa espiral de tomento. É instinto de sobrevivência, puro e simples. Mas, no fim, ela não queria ser ajudada, só queria encontrar a paz da sua dor e achou que a morte era o melhor caminho. Foi uma escolha, há que respeitar. Espero que agora tenha conseguido a paz que há anos tentava alcançar. 
Vejo as notícias e apercebo-me, em horror e de ombros encolhidos, que não se pode salvar toda a gente, não se pode ajudar toda a gente. Se quem devia proteger são os primeiros a maltratar. Soa muito mal dizer isto mas é a minha verdade: não tenho ambições de salvar o mundo. Não sou egoísta, sou realista. Se cada um tentar salvar-se a si mesmo e ajudar a que a vida seja melhor por onde passa, já não é mau. Vejo as noticias e leio o jornal (não, não leio o Correio da Manhã porque até para os mínimos há mínimos, já vejo o TLC de quando em vez, quando preciso emburrecer por um par de horas) e constato que cada vez gosto menos de pessoas. Olho para a Francisca em silêncio e penso que talvez ela venha a ser diferente nesse aspecto: Francisca gosta de pessoas, gosta muito de pessoas. Diz-se que é o espelho de quem fui em pequena: alegre, viva, "rapioqueira". Depois passou-me o TIR da vida por cima e virei meio bicho do mato. Espero que venha a ser diferente com a minha Cria. 
Mas pronto, ainda por aqui ando. Still alive.   
E já agora: Bom dia gente!