07 maio 2015

Carrossel em movimento.

A minha Avó teve alta. Se, por um lado sei que em parte esta mesma alta passa pela "pressa" de hoje em dia vagar camas, gastar menos e 'simbora depressinha que há mais na fila, acredito também que se a deixaram voltar para casa é porque reunia o mínimo de condições para tal. Tem dores e está fraca mas porra, são 88 anos. Oi-ten-ta e oi-to.  Admira-me a sua teimosia de viver. A sua garra. Orgulha-me profundamente ser sua neta. Por muito que o carrossel da vida não lhe tenha sido sempre cor de rosa, que não, nem pouco mais ou menos, a sua vontade de que ele continue sempre a girar, dá-me força quando tudo me parece de mais. E, sem ela o saber, o seu girar de carrossel que não pára nesta coisa que é a vida, também mantém o meu em movimento. 

06 maio 2015

Coisas que m'afligem ojolhos.

Socas. Não são giras. Não são "féshione". Não dão estilo. Nem pinta. São horríveis. E fazem-me lembrar cascos de cavalo. São ... sinistras, no mínimo. 

04 maio 2015

E a vossa 2a feira, hein?

Ora, a minha deu-me assentar com as costelas logo no dentista que é por causa das coisas. Estou aqui à espera de ser atendida e tenho vontade de entrar no consultório a correr. Cara de desvairada já tenho, que nem me dei ao trabalho de me pintalgar, assim mesmo ao natural que é para se perceber a dimensão da coisa, que dor que me faz sair sem blush na tromba é coisa séria. Mas estava eu a dizer que podia entrar ali a correr a gritar "plo amor da santa pegue no alicate e arranque-me o dente de vez e drogas, quero droooogaaas, put me out of my misery". Só que depois era capaz de ainda acabar noutra especialidade... Maneiras que continuo sentadinha a ganir de dores e em palavrões mentais. 

(a indústria farmacêutica já me patrocinava ou dava uns vouchers) 

03 maio 2015

Se isto não é ser delicodoce, não sei o que será!

O Tio Jerónimo deu-me todo um novo alento nesta coisa da Maternidade! Fiquei apenas na dúvida de para quem seriam as fraldas mas não faz mal. Tudo o que eu sonhava ter no dia da Mãe era algo assim: um ano de fraldas.  

(já tive a prenda pelas mãos da minha Cria, abracinhos, beijinhos e tudo e tudo e milhentos "feliz diaaaa da Máaaaanhe" a cada 5 minutos. Já me babei com a minha Cria. Literalmente, porque tenho uma bruta de uma infecção num dente e a modos que me dá para babar e, figurativamente, porque de quando em vez me dá para ser lamechas com o bicho bom da "Mánhe".)

01 maio 2015

Still alive (Música nos meus ouvidos)

Não abandonei a tabanca, caso tivessem dado pelo silêncio por estas bandas. Gosto muito deste estaminé para isso e tem sido uma constante neste meus últimos anos, o meu poço dos desabafos, de lembranças e que me permitiu também conhecer gente boa. Simplesmente, apeteceu-me estar calada, não me expor. Quanto mais ansiosa, preocupada ou chateada, mais o silêncio que sai das minhas mãos e dos meus lábios. A vida decorre deste lado, com dias bons, dias maus e essas coisas todas.
A minha Avó esteve às portas da morte, foi operada e agora está a recuperar. Tudo aos 88 anos, quando ninguém acreditava que tal fosse possível. Nem eu, confesso, que quando soube que iam avançar para a cirurgia, porque não havia mais nenhuma opção viável, desatei a chorar no meio de um hipermercado, algures entre a ração da Mofli e a areia da Chica. E eu não choro em público, digo-o muitas vezes do alto da minha armadura sorridente de olhos rasos de lágrimas, mas ali os soluços subiram-me à garganta e as lágrimas caíram grossas, duas a duas, deixando um rasto na base com que tapei as olheiras da noite mal dormida. Acho que ninguém reparou. Espero que não. 
Ainda por aqui ando. 
Depois bem, comecei a ficar um bocadinho a dar ao muito saturada de gente que quer salvar o mundo. Ou gente que descobriu a luz ao fundo do túnel em forma de stevia  ou merdas afins, que o glúten é o mal de todo o mundo e o açúcar um veneno tipo cianeto. Não sei como a minha Avó com 88 anos sobreviveu até agora, rija, sem saber o que era stevia e a comer o que a terra dá e que louca, comia batatas e arroz!!!  Isso e sem batidos de proteína. Go figure. Irrita-me as entranhas, sou pessoa dada a nervos. Eu sei que deveria ser melhor pessoa e mimimimi ajudar toda a gente e o próximo e o next in line e lálálá mas a vida, se calhar, tornou-me cínica e eu aprendi que não se consegue ajudar toda a gente. Especialmente, quem não quer ser ajudado. Suicidou-se uma conhecida esta semana, encheu a barriga de álcool e comprimidos e adormeceu para não mais acordar. Não era minha amiga, conhecia só de vista mas fez-me muita confusão. Ainda cá ando, repeti para mim e agradeci em silêncio por nestes meus genes manhosos, de rins que não valem ponta e infecções recorrentes, ter também a resiliência das mulheres da minha família, especialmente das minhas Avós. Quem era próximo tentou ajudar, cada um fez o que conseguiu e foi até onde o instinto de auto-preservação permitiu. A depressão é destruidora de quem se atravessa no seu caminho e por isso mesmo, chega a uma altura, em que o afastamento é a maneira de sobreviver e não ser sugado nessa espiral de tomento. É instinto de sobrevivência, puro e simples. Mas, no fim, ela não queria ser ajudada, só queria encontrar a paz da sua dor e achou que a morte era o melhor caminho. Foi uma escolha, há que respeitar. Espero que agora tenha conseguido a paz que há anos tentava alcançar. 
Vejo as notícias e apercebo-me, em horror e de ombros encolhidos, que não se pode salvar toda a gente, não se pode ajudar toda a gente. Se quem devia proteger são os primeiros a maltratar. Soa muito mal dizer isto mas é a minha verdade: não tenho ambições de salvar o mundo. Não sou egoísta, sou realista. Se cada um tentar salvar-se a si mesmo e ajudar a que a vida seja melhor por onde passa, já não é mau. Vejo as noticias e leio o jornal (não, não leio o Correio da Manhã porque até para os mínimos há mínimos, já vejo o TLC de quando em vez, quando preciso emburrecer por um par de horas) e constato que cada vez gosto menos de pessoas. Olho para a Francisca em silêncio e penso que talvez ela venha a ser diferente nesse aspecto: Francisca gosta de pessoas, gosta muito de pessoas. Diz-se que é o espelho de quem fui em pequena: alegre, viva, "rapioqueira". Depois passou-me o TIR da vida por cima e virei meio bicho do mato. Espero que venha a ser diferente com a minha Cria. 
Mas pronto, ainda por aqui ando. Still alive.   
E já agora: Bom dia gente! 

23 abril 2015

O "corpo" perfeito.

(vale mesmo muito a pena ver.) 
aprendi que viver em paz com o corpo é um exercício diário para mim. mas aprendi a viver em paz com ele. com as estrias. as marcas. as cicatrizes. todos os dias faço as pazes com o meu corpo.)
#LikeAGirl

Sometimes I get lost inside my mind...

(Viro-me para o silêncio. Quanto mais barulho existe à minha volta, mais silêncio gero em mim. Não é ser do contra. Não é porque sim. Não é porque sou assim mas sim, porque a vida tratou de me fazer assim. Talvez seja uma espécie de forma estóica* de levar a vida. Sinceramente, não sei. Sei que me falta a vontade de romper o meu silêncio. De contar os meus dias. A vida decorre. Sobressaltada, inconstante, entre internamentos de familiares no hospital e os ram ram das chatices de todos os dias, entre os talões do supermercado e as contas que se somam para subtrair do todo, entre o futuro da minha geração que foge para além fronteiras. Talvez como criança mimada, me apeteça ficar só calada, me enrolar em mim e me guardar, sempre com uma única constante: sorrir. )
Estoicismo: 
Doutrina que aconselha a indiferença e o desprezo pelos males físicos e morais e a insensibilidade perante quanto pode apaixonar ou afectar.
2. [Figurado]  Firmezaausteridadeconstância no infortúnio. (Priberam) 


18 abril 2015

Bom dia, bom dia (em modo panela de pressão).

[Tenho sonhado muito. Coisas disparatadas, principalmente. Coisas que me preocupam  muito também mas que no sono solto tomam proporções de cataclismo disforme na minha mente. Acordo sempre com aquela sensação de que não dormi. Dói-me o pescoço hoje e sinto-me um cruzamento de Robocop e Transformer. Não sei bem o que sonhei, mas acordei angustiada, em modo panela de pressão. Acordei com frio nos ossos, aquele frio que não há casaco que tire ou cure, aquele que vem de dentro. Ainda não são 10h da manhã e já tive me chatear com Francisca, tudo por causa da sua mania de me tentar dar a volta com um "é o último e só mais um bocadinho". Da próxima não lhe dou um leite com chocolate ao pequeno-almoço, armada em gaja fófinha e mãe cool. Às vezes, muitas mais do que se calhar a era papás-new-age acha aceitável, falta-me a pachorra para dramas de leite achocolatado e chupa-chupas. Se digo "Não" é não que eu cá acho maravilhoso que aprenda a lidar com a frustração dos nãos desta vida, que vão ser mais do que muitos. É a vidinha. Não é uma questão de ser autoritária e déspota, é uma questão de que eu sou a Mãe, eu decido, de acordo com aquilo que me parece razoável na altura. Agora deu para roubar bananas e comer as mesmas como se o mundo fosse acabar. Só a mim. Acho óptimo que tente levar a sua avante, ao menos não é toninha sem sal e de burrinha tem pouco, mas em dias panela de pressão, é um jogo perigoso de jogar comigo. Vai-se a ver e a catraia gosta de viver na ilusão do perigo, "uhuh sou louca e destemida, deixa cá ver quando esta roda a baiana". Em boa verdade, em dias panela de pressão, não preciso de muito para se ouvir aquele silvo agudo das ditas, na versão chorrilho de palavras. Também posso considerar apitar assim, que tal? Um dia destes adopto esse comportamento e aí pronto, é facto: colei o pistão de vez. Pensando bem, quando ouvia aquilo nos dias em que a minha Mãe se dedicava a fazer pratos xpto e o almoço era às 3 da tarde (agora sei que se chama brunch e olha, afinal lá em casa é que era muito "chiquibem"), punha-me a andar da cozinha bem lestinha das pernas, não fosse sobrar para mim. Tanto pela parte da panela, como pela parte da minha Mãe. Vai-se a ver e "panela de pressão" é um traço genético. ]
Basicamente, o meu mal é sono mas bom dia. 
(Agora dei-me conta que me comparo a uma panela de pressão. Pa-ne-la. Parabéns, todo um novo nível de degredo foi atingido. ) 

15 abril 2015

D de Dragão.*

Alma e coração azul. Sempre." Fêquêpê": a dar alegrias em dias maus! Allez Poooorto Allez!!! 

* também podia ser de Dragona. Há o Dragão e a Dragoa? Ou Dragona? Também podia ser D de draga que uma barra de chocolate preto com laranja já marchou. Pormenores. 

Música nos meus ouvidos.

(dos dias das Saudades de Casa. das saudades dos de sempre. )

11 abril 2015

Das noites.

Repito-lhe todas as noites que não há monstros. Que nunca estará sozinha porque a Mãe está sempre no seu coração. Minto, em parte porque há monstros no mundo, com muito melhor aspecto que os verdes gosmosos que os seus 3 anos e meio desenham na sua cabeça. Mas faz parte, não haveria bem sem mal. Duas faces da mesma moeda. Repito-lhe todas as noites que a levo sempre no meu coração, sangue do meu sangue, a melhor parte de mim. E todas as noites me chama e me diz que tem frio, de sorriso malandro de quem sabe que se destapou de propósito, quando sabe perfeitamente cobrir-se de novo. Mas não tem mal, aconchego-a e ouço-a suspirar quando saio do quarto, todas as noites. Há nela uma infinita capacidade de sorrir, penso. E de gostar de pessoas. Francisca gosta de pessoas. Vejo-lhe as bochechas e as covinhas marcadas à luz pequena da luz de presença. E há em mim esta certeza inabalável do melhor do meu mundo, enquanto ouço a ladainha das estrelas de "nefetuno" ao afastar-me pelo corredor. Mesmo que depois tropece num brinquedo esquecido, me sente em cima de um lápis de cor perdido no sofá (onde não podia desenhar) ou descubra restos de uma banana (roubada da fruteira) escondidos nos sítios mais insólitos. 

07 abril 2015

Há vida depois da doença (depressão 101 em 4 minutos).

(Um vídeo feito pela OMS. Vale a pena ver. )

Há vida depois da depressão. Há vontade de viver. Há o não desistir. Há o reinventar-se porque é idílico pensar que como uma gripe não deixará marcas. Não, não  se volta ao que se foi, mas o importante é que há vida depois. O importante é nunca se esquecer disso. Todas as vezes que forem precisas, todos os dias.