28 fevereiro 2014

O melhor do meu dia.

 
Escrever um Livro. Plantar uma Árvore. Ter um Filho.
Não escrevi um livro… mas escrevi uma tese de Doutoramento numa língua que não a materna e mais uns quantos artigos ditos científicos. Conta? Talvez não. Whatever… 
Plantar uma árvore… Pois… Até hoje, acho que a palmeira (nem sei se é uma palmeira a "coisa") que sobrevive habita numa das varandas, herdada da antiga vizinha de baixo, do antigo prédio, dois casais atrás, ainda não se faleceu graças à mão da Oksana. 
Tive uma Filha. O melhor do meu Mundo, o melhor de mim. A minha Filha. E não existe ou existirá árvore alguma que fosse capaz de me oxigenar mais. Ou livro que mais me inspirasse ou mais capaz fosse de me ensinar sobre o Mundo e sobre mim. E no fundo, perceber isto, foi o melhor do meu dia.  

A sério?!?!

A sério?!?! É uma nova modalidade na ida aos cabeleireiros?!?! 

Bom dia, bom dia e ai que estou cheia de comichões.

Hoje de manhã, a correr, atrasadíssima desta vida ( e o que há de novo no mundo, hein?), liguei o carro e o rádio, ou o rádio e o carro, não interessa a ordem cronológica, sim?. No Burgo onde habito, costumo trazer sintonizada a Comercial, pelo simples facto de que é das poucas estações decentes que apanho. Também apanho umas espanholas do melhor, que gostam muito de passar aquela épica moda "Burbujas de amor", que até se me abafo de agonia. O rádio é que apanha estas coisas quer dizer, não eu, só para esclarecer a coisa. Quando a Norte, costumo ouvir a Smooth, gosto muito. Mas estava a dizer que estava a ouvir a Rádio Comercial e calhou de estar a dar o "Homem que mordeu o cão" (é assim que se chama, certo?). Na minha modesta opinião, acho que já teve mais piada. Não sei, às vezes parece que aquilo sai a modos que um bocado a ferros e ahahah sou tão engraçado e tudo o que digo é hilariante (not!). Mas lá vinha eu a ouvir aquilo, selfies e coiso quando de repente começam a falar de piolhos. Qualquer coisa sobre o facto de existirem muito mais piolhos agora com a moda das selfies. E pelo meio, entre um "Francisca não dês chutos nisso que abres o vidro" e "sim a Mãe tem cuidado" (tão zelosa da minha condução a cachopa), para além de piolhos ouço qualquer coisa como ah e tal eu até tive um bem grande de estimação e isso era mas é uma carraça e não sei quê. Não sou o cúmulo da normalidade, mas caramba, logo de manhã piolhos e carraças, senti-me num Zoo ou coisa que o valha. Nada contra Zoos, mas já agora que veio ao de cima, também não aprecio. Leões são para andar na selva, não a rebolar numa jaula. Adiante e resumindo: com tanta conversa de piolhos e carraças deram-se-me umas comichões no couro cabeludo, abafos e estou até agora a coçar-me. É que dissertações sobre essas coisas fazem-me chocapics na cabeça e fico em modo toda comichosa. 

27 fevereiro 2014

Adoro os dias de Oksana!

Um dos hobbies da Oksana é chagar-me a cabeça com a quantidade de roupa no meu armário e com o seu muito expedito: "ai se me servisse". Eu ouvia isto e panicava a modos que um poucochinho, punha-me logo a imaginar que eu virava costas de manhã e ela se entretia com os meus sapatos e vestidos, a desfilar casa fora. Sorte a minha azar o dela, a verdade é que usamos números muito diferentes (por acaso, agora que penso nisso, de sapatos não tenho a certeza… pâ-ni-co!!!). Na altura da mudança de casa, encontrei umas peças de roupa novas que a minha Mãe me tinha oferecido. Nunca as usei não por não gostar ou as achar horribillis, mas porque a minha Mãe tem uma qualquer patologia que se traduz em que quando compra roupa para os outros, acha que usam o XXL e toalhas de mesa, enquanto ela usa o S (e uma etiqueta a dizer vivam os refegos). Também não podia trocar que guardar talões é cena que não assiste na Tribo dos Meninos Perdidos. Adiante, que já me estou a perder na coisa. Oksana chegou, gloriosa, radiante, esta manhã. Entra-me casa adentro (após quase ter derrubado a porta de entrada, porque ainda não atina com a fechadura) toda contentinha e diz, no seu sotaque ucraniano: 
"P. olha para mim, com o vestido que você me deu! Devia estar muito gorda quando você comprou isso (detesto o você metido assim, como você, dá-me medos), fica-me mesmo muito bem, vê, vê." 
Apeteceu-me começar a correr corredor fora e fugir, mas estava de pijama vaquedo e já traumatizei o carteiro, achei melhor não traumatizar, para já, a vizinhança. E agora pensais, mas querias fugir porquê mesmo, Princesa sem Reino? 
Porque aquilo não é um vestido. 
É uma túnica.
E daquelas que não dá para usar como vestido, se me faço entender. 
... 
Uma túnica, não um vestido. 

Bom dia, bom dia...

As minhas "flores de gelo", que me aquecem ...

25 fevereiro 2014

Por o dedo na ferida.

Considero-me vaidosa e gosto muito de me arranjar, dos meus tarecos, dos meus sapatos, dos meus vestidos e trapos, mas nem sempre tenho tempo suficiente (ou faço por não ter) para me ver ao espelho com olhos de ver. Hoje, vi-me ao espelho. Sim, eu sei o que a balança diz. Sim, eu ouço o que me dizem e comentam, umas vezes na minha cara (e que eu agradeço profundamente) outras pelas minhas costas, em surdina. Sim, eu ouvi vários médicos chamarem-me repetidamente a atenção para o meu peso, que começava a roçar os limites do que era aceitável e as implicações que isso tinha em vários níveis. Sim, a minha Família e os meus queridos Amigos chamaram-me a atenção. Encolhia os ombros e assobiava para o lado, estavam todos errados, ómessa, nada disso, tudo normal e controlado. Hoje tive (parei) 5 minutos para me ver ao espelho. Vi as minhas olheiras sem estarem disfarçadas, negras, fundas. Vi a minha cara, magra, abatida, pálida. Vi os ossos da minha anca a perfurar a pele, as costelas salientes. Quem me conhece por detrás deste teclado e me sabe de verdade, sabe do meu passado com a anorexia nervosa e o que de mim levou. A questão é que eu não voltei a retomar contacto com essa "amiga".  Nem quero tão pouco que volte a entrar na esfera do meu Mundo. Deu-me muito trabalho  empacotá-la e mandá-la embora. Mas hoje uma Amiga voltou ao trabalho após a licença de Maternidade e a expressão dela não escondeu o espanto ao me ver na direcção dela. Por isso, para que nunca mais me volte a esquecer, fica aqui escrito: tenho de cuidar de mim. Se uns falam em perder peso porque precisam, eu falo em voltar a ter um aspecto saudável. E sim, hoje ganhei coragem para por o dedo na ferida e em vez de encolher os ombros ao que a balança mostra e me convencer de que é normal, escolhi aceitar que estou a roçar os limites do saudável. O corpo não tem raízes na Terra e o que eu mais quero nesta Vida tão bonita, é viver… muito! 

Diálogos soltos.

- Onde vais, Francisca?( enquanto empurra o seu carrinho sala para a frente, sala para trás)
- Vou às compras, Mánhe!
- O que vais comprar, Filha?
- Mananas (= doces) para ti, Mánhe!
(estou toda derretida) 

Refresh.

 
Aos bocadinhos, um dia de cada vez, um refresh. Neste cantinho, também, tão parte de mim. Keep it simple! 

20 fevereiro 2014

Hoje, sou Ucraniana.

A Oksana é Ucraniana. Por vezes, fala-me do seu País. Aquele onde deixou a Mãe a cuidar do Filho agora adolescente e uma Filha agora adulta, já Mãe. Aquele País lá longe e frio que deixou para vir para Portugal, para lhes dar um futuro melhor. Não viu nascer o neto. Não esteve presente no dia em que o neto soprou a primeira vela do seu primeiro bolo de aniversário. Não viu o Pai morrer e voltou para o enterrar, destroçada de dor. Por vezes, a Oksana fala-me do seu País. Hoje, falou-me do País que deixou para procurar uma vida melhor, com os olhos rasos de lágrimas. Com o medo na voz pela incerteza do que irá acontecer ao Filho, à Mãe, à Filha, ao Neto. Não pude assobiar para o lado. Não posso assobiar para o lado. Ninguém deveria continuar a assobiar para o lado, fazendo de conta que isto é um revival da Guerra Fria e que, eventualmente, tudo voltará ao seu lugar.