05 abril 2013

Aí que lorpa sou, senhores...

Eu já devia estar careca de saber que silêncio ou equals que Piquena dorme ou equals asneira. Fui tirar um café e por milagre não tinha duas pequenas mãos penduradas nas calças. "Ena, deve estar entretida a brincar com a idiota da Fanny". Ena, digo eu agora, ena és tão lorpa!!!  Nem me dei ao trabalho de olhar para trás a confirmar se estava, de facto, a abanar a boneca que me irrita ( se me irrita...) pelas pernas tal a alegria de não ter uns kg extra para arrastar atrás. Tirei o café e que me deu para as arrumações sopeiras no pós coisa e fui-me à cozinha. Ah, benza-me dios que sou tão lorpa, digo agora. Deparo-me com Piquena criatura sentada no chão da cozinha. Com um comedouro verde na mão. Com os cantos da boca sujos. E com a mão cheia de secos da Mofli. Claro que devia ter saído um " NÃO, Maria Francisca!!!!". Mas ai que lorpa sou, perdoem-me almas sensíveis, que o que me saiu foi um " Então Francisca, ficaste com fome depois do jantar? Podias ter dito, não precisas de roubar ração". Perdoem-me senhores, que lorpa sou! 

Despertares...

Tenho no corpo várias cicatrizes. Felizmente, sempre tive a sorte de calhar em mãos experientes, fazendo com que muitas sejam praticamente imperceptíveis. Estive várias vezes numa mesa de operações. Uma delas, que deveria ter sido simples, correu menos bem. Lembro-me de ouvir "epinefrina" e de me apagarem. Acordei várias horas depois, sozinha, sem saber onde estava e a tremer de frio. Sem me lembrar do meu próprio nome. Sem saber o que me tinha acontecido e de onde vinha aquele frio indescritível. Nunca mais me consegui esquecer do acordar do escuro após o branco que me toldou os sentidos a meio da cirurgia. Ficou-me gravado na memória o frio. Talvez por isso, me sinta miserável quando tenho frio. Sinto-me absolutamente miserável quando sinto frio em mim, quando se apodera o gelo do meu corpo. Talvez por isso, goste tanto de acordar quentinha. De me sentir aconchegada. Porque nunca mais me consegui esquecer daquele despertar de um qualquer sítio negro. E do frio. Hoje, acordei quentinha. E só por isso, sou grata. Por mais um dia a começar.

04 abril 2013

A sina dos dois nomes próprios...

Eu quero nem saber se é do tempo da outra senhora ou do mais feshione possível. Sô Dona Cria levou logo com a sina dos dois nomes. Claro que muito me agrada o nome que lhe consta no Cartão ou não teria sido Maria Francisca. Eventualmente, ainda me há-de dizer que estava com os copos quando se deu a sina. Por acaso, não. Adiante. A sina dos dois nomes é coisa que me apoquentou a adolescência. Ser chamada pelos dois significava ter sido apanhada na curva. Como daquela vez em que o meu Pai me disse para ser mais esperta e não andar aos beijos atrás da sala dos Profs. Ou daquela vez que apareceu a conta do telefone com 3 dígitos e eu tentei vender que tinha sido a fazer revisões para o teste de Matemática. Yeah, right, as matemáticas eram outras. Já crescida, significava que tinha entrado em casa em estado lastimável. Senhor meu Pai pouco se importava da carga etílica, até se ria. Mas pelo amor da Santa, que fechasse a porta atrás de mim. Do lado de cá da barricada, acho-o do mais útil possível. Francisca, Tés, Teteca, Texuga, Bicho Bom, Paquica, Pequena ditadora, Eteceteras e tal, se estamos a bem. Se me sai um Maria Fraaaancisca, estamos mal. E ela sabe. Maneiras que é assim 'mha rica filha... A sina está-te aplicada. E nem pensar em daqui a uns anos ter contas de telefone de 3 dígitos na era de tanto tarifário e internetes desta vida. Teria de se revelar muito totó!

Se é do Porto...

Fui comprar um creme. Não interessa qual, que não me pagam para a publicidade e eu ainda vou descobrir se gosto. Se gostar, logo conto. Se não gostar, esqueçam o pormenor do creme. Bem, mas dizia eu que fui comprar um creme. Fui a um sítio e não tinha. Adorei, porque especialmente me molhei toda nos entretantos. Fui a outro sitio, já estava molhada e já, siga. Entrei. Perguntei. Desde o "Boa tarde" inicial, uma simpatia. Fiquei logo contentinha. Conversa e " olhe que este se adequa mais, leve antes este. (mais barato e tudo, gente!). Desculpe-me, mas a Menina é do Porto, não é?" Que sim, que sou, de sorriso rasgado. "Olhe que giro, eu também, mas já perdi o sotaque". Pois, pois eu não. E esta água de cá come-me a pele, o cabelo, a paxorra e a carteira, que o que me falta em sensibilidade nas palavras sobra-me na pele, por vezes. " Pois que sim, muito dura, muito dura. Mas é do Porto? Então espere, tome." Mão cheia de amostras de coisinhas boas para a pele. E eu toda contentinha. Não pelas amostras (que também gostei). Mas pela simpatia com que fui atendida. E por perceber que mantenho o sotaque inconfundível. Da minha Terra. 

Ah, como eu gosto de Oksana's day...

- Tem muitas camisas.
- Sim.
- Gosta muito, não é?
- É (bebendo o café depressinha, ai que se me volta a contar a amamentação do neto, tenho pesadelos.)
- Porquê?
- Porque sim (deves ter muito que ver com isso)
- Pois.
- Sim.
- Mas depois eu é que as passo.
- (WTF???) Sim. É, a Oksana passa a roupa. E passa muito bem, nada a apontar. 
- Mesmo muitas camisas aqui penduradas, de muitas cores. Esta é nova? Para Verão?
- Sim, muitas. Sim, é nova. Sim, para o Verão. 
- Mas depois eu passo a ferro.
- (passou-se hoje, só pode...) E eu pago-lhe.
- É.
- Pronto. 

03 abril 2013

Deixou-me à beira da insanidade...

... mas depois, tudo se resume a isto.

As fraldas comem-me o verniz

Isto do verniz é um drama. Drama. Drama. Drama. Primeiro, porque às vezes o verniz estala. Muitas vezes. O das unhas, não o meu. É preciso muito para me estalar o verniz e por a mão na anca, mas mesmo assim muito. Já o verniz das unhas, estala que é a loucura. Não há verniz que aguente tanto lavar de mãos e toalhitas e cremes e bodegadas e cremes para rabinhos é do melhor come verniz que existe. Vou começar a chamar-lhe o devorador de verniz, fica melhor que em conversa dizer creme de rabinhos. Come-me o verniz aquela coisa. dispensava nas mãos mas diz que piquena se usa fraldas, usa o dito. Gosto da palavra desfralde, cheira-me a ausência de devorador de verniz, além da emancipação do xixi e quejandos. Bem, tirando o estalar, o problema são as cores ( eu arranjo cada problema fútil que me espanto a mim mesma). Drama. Drama. Drama. Já gostei dos pantones pastéis e brancos desta vida mas que m'aborrecem de morte nos tempos que correm. Dão-me sono e eu sono já tenho sempre que chegue. Eu gosto é de cores escuras. Mas depois há as de Inverno e as de Verão e as pop feshione de nomes estranhos. Tipo os nomes dos da O.P.I. Por falar nisso gosto muito dos da O.P.I, não fosse o preço em terras lusas. Roubar para a estrada, sim? Maneiras que isto de se escolher uma cor é coisa difícil para a minha cabeça de fútil. Chega uma altura que digo qualquer coisa Zezinha, qualquer coisa. Escura. Menos preto. Hoje, saiu-se com um, diz ela, cereja. A mim parece-me vermelho mas eu sou moça pouco dada aos pantones, uma ignorante nessas vidas. Who cares? It's all shinny até mudar uma fralda. Que é o que se segue... 

02 abril 2013

Vamos por o sugar coat de parte, sim?( Querida Ana Maldivas...)

Querida Ana Maldivas, 
Isto há dias que não lembra ao Menino Jesus, Ana! Dias em que tudo o que me apetece é ser filha e não Mãe... Que se me esconder debaixo das cobertas ninguém me vê e me encontra e fico a fazer o que quero. Dias que começam com jactos de leite quente na cara. Ou papa. Ou mãos gordurosas no que apetecia mesmo vestir. E o drama de vestir o bibe. O drama de vestir o casaco. Ah, e o drama da cadeirinha, esse objecto de tortura psicológica na versão Toddler prancha? Há dias assim, Ana. Semanas, por vezes. Dias em que gostava de chegar a casa e morrer estúpida no sofá. Fumar um cigarro em paz com a minha música. Comer no sofá a meu bel prazer, sem vir uma mão ligeira e me mandar tudo ao chão. Dias em que só fico a olhar para o rol de asneiras e a pensar como é possível em 5 minutos fazer tanta asneira. Deixa o piaçaba criatura de Deus, ca nojo! Não podes morder a Chica. Nem a Mofli. Muito menos a Mãe. Estás a gritar porquê? Pára de gritar. E agora choras? Mas estás a chorar porquê? Não mexe, é da Mãe. Não mexe, estraga. Não. Não. Nãaaaaaaao. Não salta no sofá! Nãoooooo! Estás a chorar porquê? Não adianta rebolar no chão. Não adianta gritar mais alto. Não cedo. Não é não e quem manda aqui, sou eu! É Ana, dias há em que separar-lhe a roupa para o dia seguinte me parece tarefa difícil de executar. Noites em que me levanto cheia de frio, atordoada. Mas levanto-me... porque a única coisa neste Mundo que a cala é segurar a minha mão. Não precisa de mais, basta a minha mão na dela entre as grades da cama. Depois lembro-me do suspiro que faz quando me sente e tudo melhora. Porque há alguém para ela e esse alguém sou eu. E tudo o resto, limpo da memória. Apago. Porque não tenho outra opção. Porque há alguém para ela. E esse alguém sou eu. Tudo para te dizer, querida Ana Maldivas, que isto há dias que não lembra ao Menino Jesus. E quem não os tem neste papel, força, atirem a primeira pedra. Eu odeio maternity sugar coat. Não vou mudar. Ponto. Tudo isto para te dizer, minha querida Ana, que és capaz e não uma nódoa como Mãe. 
Um beijinho, Ana.

O tempo do meu tempo de mim...

Um bocadinho mais de sol. Um bocadinho mais de tempo. Um bocadinho mais de tempo a dormir. Um bocadinho mais de tempo acordada. Um bocadinho mais de tempo. Um bocadinho mais de tempo para mim. Um bocadinho mais de luz. Um bocadinho mais de luz, que se escondeu na janela. Um bocadinho mais de música. Um bocadinho mais de música em mim.. Um bocadinho mais de mim, de eu, só eu, sem filtro. Um bocadinho mais de tempo. Um bocadinho sem estar a segurar the fucking crown of a Queen on my head, alguém a segure por mim, comigo. Um bocadinho mais de Mundo. Um bocadinho mais de sorrisos. Um bocadinho mais de aprender. Um bocadinho mais de doce. Um bocadinho menos de tic tac doc. Só. Um bocadinho... 

The "manana" mistery...

Ela gritava. Ela guinchava. Manana manana... Eu olhava e pensava "wth é o manana manana???" ( diferente do máná máná). Desesperada... Manana manana... Eu metia mais umas gomas no bucho. Manana manana... Elementar, duh! Bem vindos â linguagem infantil onde manana manana são gomas. Se as provou? Sim! Se sai à Mãe? Pois claro! Se a cara dela a provar um doce me derreteu? Não conto! Manana mistery solved ( lembrei-me da Jessica Fletcher... Anyone?)

01 abril 2013

Um murro na barriga. (Um)A realidade.

No final, a vista turva. As realidades de muitos. Rostos de vidas, de estórias. A realidade deste meu País, à espera de algo. Ou de nada, já... Vale a pena ler. Para quem não o fez em papel, aqui.

A cancela...(ou grade... ou barreira...) Whatever... Bom dia, bom dia!

Numa das portas da sala existe uma cancela. Ou grade. Ou barreira... Whatever, é daqueles coisos que se mete para impedir criancinha em fuga do sítio destinado. Tem ainda diversas outras utilidades, como:
- fazer Francisca passar horas a fazer elevações de braços, enquanto me rio das tentativas de fuga (sim, sou uma pessoa horrível que se ri dos esforços da piquena);
- deixar cada um dos bilontras de seu lado da coisa, a olharem-se horas a fio, tipo " woooow, que cena marada";
- deixar a Mofli de um dos lados e os bilontras do outro, enquanto ela ladra à laia de " andem, andem, óh pra mim que valente e forte, não tenho medo de ti Chico, anda, anda". No momento que se abre a coisa, Mofli goes MIA;
- deixar sempre um dos 4 patas fechado na sala, tendo de ser resgatado de madrugada ( em dias de sorte e sono leve);
- serve ainda, como razão única da sua mísera existência, para eu me espetar todas, TODAS as santas manhãs que venho agarrada da vida do café. T o d a s. TODAS! Não há manhã de despejo da cama que se preze sem que eu enfaixe a anca esquerda nas laterais da coisa. Devia por-lhe um sinal sonoro. Ou umas barras reflectoras... Ou isso, ou acordar menos vezes à bruta e está a começar o dia acorda acorda acooooooooorda Mááaaaaaaaaanheeeeeeeeee, minha Máaaaaaaaaaaanhê ( the latest). Tudo o que eu queria era café e menos nódoas negras. E um pónei. Há póneis que tiram café? Não interessa... Bom dia, bom dia!