Não sou uma pessoa religiosa mas sou uma pessoa de fé. Não vou, por norma, a missas, não comungo, não rezo nos moldes estipulados. Não me confesso a mais ninguém que não a mim, nos meus silêncios e aos de Quem os conseguir ouvir. Sou uma pessoa de fé embora tenha muita pena de nunca ter sido uma pessoa tocada por uma fé profunda, inquestionável, certa da verdade dos Dogmas. Discordo de imenso do que existe na minha religião e ao longos dos anos fui-me progressivamente afastando. Mas tenho fé nos princípios básicos da mesma. Quanto mais não seja, prefiro ter fé na bondade do coração humano... Porque no dia em que até nisso deixar de acreditar, na capacidade do ser humano ser bondoso, bom, genuinamente preocupado com quem lhe passa ao lado, na capacidade do ser humano contrariar a sua natureza que acredito ser profundamente má, nesse dia, então pouco mais me resta para acreditar como algo superior à mortalidade de cada um de nós. Boa Páscoa...
31 março 2013
Bom Domingo de Páscoa...
Ai, agarra que é ladrão!
Roubaram-me uma, UMA, hora de sono. Uma. Está bem, está bem, eu sei, os dias vão ficar maiores, horário de Verão e mimimimis. Daqui a bocado ou eventualmente passa-me. Mas agora mesmo, vou ressabiar para o sofá a hora de sono que me levaram...
30 março 2013
The thing is...
... quando se é atirada para o desterro no Burgo, fazer umas centenas de km para ir tomar "café", começa a ser aceitável. Ou para ir ver mar. Ou para ir ver movimento. Ou coisas bonitas. Ou simplesmente porque sim, pode apetecer-me (processem-me) Estou tão "americanizadazinha" que o Matt se havia de orgulhar de mim e em saber que, agora, a europeiazinha-não-faço-mais-que-45-minutos-para-comer-'tás-louco? já não se ri dele, ao ouvir que fazia 500km para ir almoçar. Maneiras que dúvidas houvesse, eu cá combino na per-fei-ção com o local do meu desterro. Mas, assim, à bruta...
Páscoa...
Durante muitos anos tive Páscoas verdadeiramente felizes. Passava as férias a correr, a brincar, a sujar-me, a esfolar-me no campo, em Trás-os Montes. Via a minha Avó amassar o folar. Havia sempre um pequenino, feito especialmente para mim, que provava ainda quente, saído do forno a lenha que deixava um cheirinho bom no ar. Durante muitos anos, vi a minha Avó preparar a casa para receber o Compasso com a casa cheia de filhos e netos. Vi o fogo do forno ser espevitado com vides que, quando em brasa, se tornavam no local perfeito para assar o cabrito (que não aprecio), alheiras, batatas a murro. Almoçava-se tardiamente, enquanto o Compasso percorria a Aldeia. A casa da minha Avó era das últimas, onde o Padre chegava já tocado, mas não negava mais um copo de Tinto da casa e um bom salpicão. Depois, o meu Avô morreu e Vida tomou o seu caminho, de acordo com as opções que cada um quis tomar. Alguns, cegos pelo sentimento de posse, decidiram destruir a unidade que havia. Alguns, decidiram que o caminho da Justiça seria o mais indicado para reclamar o que achavam seu, ferindo de morte o coração de Mãe da minha Avó. A minha Avó envelheceu, permitiu que o cansaço reclamasse o peso dos anos. As mãos, cheias de artroses, não mais permitem que amasse o folar, o melhor de todos. Não haverá mais económicos feitos pelas suas mãos cansadas, a minha Filha não saberá o que é ter um folar numa forma pequenina, carinhosamente feito para si. O forno não voltará a ser ateado com vides. Não mais se discute quanto dinheiro se põe no envelope e se esconde para impedir que a criançada ou um adulto mais brincalhão tire a nota e seja entregue um envelope vazio. As portas estão fechadas ao Compasso por tempo indeterminado. A casa sei-a vazia, de portadas fechadas. Sem barulho. Sem gente. Sem vida. O campo em frente deve ter papoilas a despontar, verde das chuvas, lamacento, perfumado e onde em tempos pastavam os cavalos. Hoje, deve ter só um silêncio. Quase tão duro e pesado como o que sei que habita no coração da minha Avó, ao chegar mais uma Páscoa.
29 março 2013
Sabes que passaste muitos anos...
... a ser cliente regular CP longo curso, quando olhas para o relógio, vês que marca 21h39 e pensas: ... Intercidades para o Porto a sair do Oriente, o último do dia...
Está o barraco armado...
Eu não gosto mesmo de Circo. Menos ainda de circos! Eu não simpatizo com Castelos de Princesas mimimis e estórias Cindy"f"ella. É mesmo coisa que não me assiste. Depois ofertam-me este barraco para a cria. E estou indecisa se lhe ensine que é um barraco ou uma casota. Talvez uma casinha psicadélica. Vou pensar...
28 março 2013
Quem minha Filha beija...
Antes de ser Mãe, achava a expressão estranha. Caricata. Descabida até. Nada havia, porque simplesmente não poderia, em mim, que me desse capacidade de a sentir. Hoje em dia, percebo-a. Sinto-a perfeitamente no meu peito quando alguém faz um carinho ou esboça um sorriso à minha Filha. Quando no trabalho me pedem para a levar até lá e lhe dão colo. Usam o seu tempo para brincar com ela. Para lhe dar uma bolacha. Para fazerem desenhos com ela. Sem nenhum tipo de obrigação ou imposição, fazem-no. Quem minha Filha beija, minha boca adoça. De maneiras e sabores que nunca conheci antes deste papel. De maneira que não se transpõe para palavras.
Bom dia... Bom dia!
O alarme do telemóvel toca. Não abro os olhos... procuro-o com a mão. Encontro-o ao fim do que me parecem largos minutos mas que devem corresponder a apenas alguns segundos. Shhhhh.... Esqueci-me que hoje Francisca está de mini férias e como consequência, também eu de um dos muitos eus de mim. Alarme toca de novo... Shhhhhhh.... Hoje, posso ficar mais 50 minutos nos 5 minutos dos começos do meu dia ou até ela acordar, até ela me chamar, num misto de autoritária e doce. Entreabro os olhos.... Shhhhhh... Não há mais alarmes, hoje... Shhhhh.... Ouço a Oksana lá dentro e sei que ela sabe como se funciona quando o silêncio começa os dias. Shhhh... aconchego-me a mim mesma, quentinha.... Shhhhhhhhh... Não volto a dormir profundamente, simplesmente eu não quero acordar... Quero só ver o dia a começar lá fora.... Shhhhh... Bom dia...
27 março 2013
Coisas de alergias...
Pronto... ai a Primavera córrore as minhas alergias e sai mais um espirro em direcção a mim, obrigadinha (eu não vejo prima de ninguém mas eu preciso de ir comprar óculos, deve ser por isso). Parece-me que tudo tem alergias. Sou mesmo ralé, pobre de mim. Não tenho alergia a pó. A pólen. A flores. A campo. A cidade. A perfumes. A cheiros bons. A ácaros. A leite de vaca, mas o leite de soja sabe mal que dói. A doces. A salgados. A animais, menos a coelhos como já disse, mas isso é da cabeça. Olha, alergias da cabeça tenho bastantes mas essas não contam para Zyrtec. Ah, espera afinal tenho alergia a marisco ao ponto de já ter precisado de andar com uma caneta gira daquelas para espetar na veia que me davam os abafos. Depois, com os anos, melhorou. Ou isso ou foi o eu nunca mais me ter dedicado a jogar roleta russa e ver se me sufocava a coisa. Melhor não, pode correr mal e a caneta já nem sei dela. Afinal tenho uma alergia. Das de cabeça, mais que muitas. Mas não entram neste rol de espirros santinha, benzá Deus.
Um dia, a casa vem abaixo...
Quer-se dizer, não é a casa vá. É mais eu. Eu escadas abaixo. Tão bom! Eu acho que sim senhor que é bom escadas e faz bem ao rabo segundo dizem. Mas todas as manhãs dois andares, 11 kg de gente que s'abana perigosamente, uns quantos kg de tenda na carteira, outros tantos na pasta e o peso do meu lombo do alto das botas tem tudo para um dia ver as escadas da perspectiva lombo no chão. Ou isso ou piquena aprende a descer escadas. Também podia ir descalça assim, na loucura. Ou deixar os saltos. Não espera, isso não é opção, deixar os saltos ahahahah gotta be kidding! Maneiras que no dia em que lombo for ao chão casa vem abaixo, vem. Mas é de eu praguejar com pontuação do Norte. Se isto interessa? Sei lá!
26 março 2013
A propósito da Páscoa...
Não percebo, a sério que não. Todos os anos, a coisa repete-se. Ofertam-me amêndoas de açúcar com amêndoa dentro ou chocolate. Mas assim bastantes. E eu não gosto, detesto, e estamos todos cheios de pés de galinha de o saber. Isso e coelhos. Tenho medo a coelhos. Não faço ideia porquê, mas tenho. Os de chocolate também não lhes acho grande piada. Só se for do bom, que sou assim a modos que moça dada a coisas haute couture. Se for do bom, acho piada a arrancar-lhes a cabeça porque aos de verdade tenho assim, não é medo vá, mas não lhes simpatizo muito, aos bichos. Nem eles a mim, estamos quites. Mas as amêndoas não percebo. Nem gosto. Eu gosto é de gomas. Agora amêndoas.... E nem tentem as de licor, até podem ter álcool, mas eu para beber é do copo. Ou da garrafa. Agora amêndoas...
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