Também havia Aipotes. (link, carreguem gente!)
Eram vê-los a descarregar apps e a dizer "Mini Vicking, faça lá pipi no aipotes".
Olha, já dizia o Rei Herodes ou aipotes ou...
Também havia Aipotes. (link, carreguem gente!)
Eram vê-los a descarregar apps e a dizer "Mini Vicking, faça lá pipi no aipotes".
Olha, já dizia o Rei Herodes ou aipotes ou...
A Matriarca da Tribo dos Meninos Perdidos é o verdadeiro poço de sensibilidade:
- Credo que cara! E já viste como tens a testa enrugada? Estás pior que eu e eu já sou uma velha.
Obrigada Mãe, já me sinto com mais ânimo... ah espera, pois, não.
Tribo dos Meninos Perdidos, a animar manhãs de segunda feira desde o tempo dos Vickings...
... povo de Portugal e arredores, escutai-me com atenção (a mesma como se da Troika se tratasse...):
Se vedes um carro a fazer marcha atrás, não, repito, NÂO, vos coloqueis atrás dele. Mesmo que indo por ali seja o caminho mais curto não obstante o bólide manobrar em marcha a ré. Nunca sabeis quando virá de lá uma condutora menos atenta que, sorte vossa os protegidos pelo Santo padroeiro tecnológico, é salva pelos apitos estridentes dos sensores de estacionamento de vos engomar a fronha e alisar o pelo com as rodas traseiras. Nem tão pouco sabeis se o carro em questão possui esses mesmos apitos estridentes e zumbidores para vos salvar o coiro. Entendeis? É que já no Tempo dos Vickings rezava a história que "amandar-se" no sentido de carros em marcha à ré causa dano. No coiro e no carro (carroça nessa magnífica era do chapéu giraço, onde todos cantavam alegremente "hey hey Vicky, hey Vicky hei!").
Nem mais nem menos que Sô Dona Maria Francisca Texuguinha.
Tenho para mim que consegue fazer melhor que a Mãe, tão esperta esta minha rica filha (que se um dia chega a casa e diz que quer seguir as pisadas da Mãe, deserdo-a sem dó nem piedade... Ai se a minha rica Mãezinha me ouve a dar-lhe razão...shiuuuu).
E assim se entreteve a cria uns minutos, ao melhor estilo "no Tempo dos Vickings". Sim, que eles também usavam Mac. Mas na época em que a maçã ainda estava inteira...
- Se o bebé chora é fome. Ou cólicas. Ou dentes. Por vezes serão as três. Em casos extremos, chegarão a ponderar TPM ou menopausa antecipada. No caso de dizerem a quem vos tenta iluminar em relação às necessidades da criança que pariste e cuidais a maior parte do tempo que não é fome, 3 em cada 4 vezes sereis fulminadas com um olhar reprovador, como se estivesseis decididas a criar a nova Kate Moss;
- Leite de lata é o demo. Ou para as taradinhas da amamentação, é o Lúcifer reencarnado.
- Se agasalharem muito os piquenos dir-vos-ão que a criança está com calor. Se for mais à fresca, dirão que piqueno tem frio e que Mãe com os cinco litros bem aferidos não leva criança à rua com pés descalços. Nem que estejam 35ºC à sombra;
- Avós na verdadeira ascensão da palavra não educam. Mimam muito. Educar não é para eles que já suaram as estopinhas a tentar fazer de vós umas pessoas decentes. Ou pelo menos, que não vos tornásseis nuns delinquentes. Tudo o que os ditos criticavam na educação do filho dos restantes (óh se tem algum jeito brincar com um comando, córrore que isso não é brinquedo de piqueno) farão pior com o neto. Duas vezes pior. Ou mais;
- Nunca compreis roupa do tamanho do piqueno. Sereis insistentemente bombardeadas com o "vai deixar logo de servir". Deveis comprar roupa para três anos (ou mais) e ir enrolando o pano que sobra. Comprar roupa do tamanho certo é coisa de quem não percebe nada, à la Mãe inexperiente;
- Se o piqueno chora a meio da noite, é fome, pois claro. Sereis apelidadas de insensíveis sem coração por decidirem ensinar que comer minha rica filha, come-se de dia. Não sereis apedrejadas em praça pública apenas porque paralelo escasseia na bela calçada Portuguesa;
- O título de mãe-cabra insensível poderá também ser atribuído nas seguintes situações: porque não viajais atrás com o piqueno no carro, preferindo ocupar o lugar ao lado do condutor. O mesmo se aplica no caso de serem as condutoras, em que ainda há quem ache inconcebível pequeno ser ir sozinho a olhar para o banco traseiro, que aborrecimento óh messa! Mesmo que o estejais sempre a ver pelo retrovisor, não vá o Demo tecê-las. Podereis ainda exibir este título mui nobre porque vos recusais a deixar a cria adormecer/dormir no vosso colo, deixando-a a adormecer na sua cama. Mãe deve ter escoliose e hérnias e carregar o filho nos braços até dormir profundamente. Nem que o piqueno já pese uns bons 20 kg. Nada de mariquices menina, que também o soubeste fazer;
- Sereis consumidas pelo fogo de olhares reprovadores e fulminantes lançados num qualquer café quando levais piqueno ser a tiracolo e este decide mostrar que tem pulmões. Mãe que se preze não sai de casa. Muito menos tem direito a ir tomar um café na pastelaria da zona;
- Todos os utensílios de puericultura que não existiam no Tempo dos Vickings devem ser abolidos do vosso lar. Não importa que facilitem muito a vossa vida. No tempo dos Vickings não havia nada dessas coisas em que gastar oiros e, mesmo assim, sobreviveram. E ainda usavam um chapéu todo catita;
- Não importa quanto vos esforçais. Aos olhos do mundo, não passa da vossa condição mamífera. Não espereis elogios pelo vosso desempenho na área da maternidade. Poucos, se alguns, ireis receber.
No matter qual seja a quinquilharia que esteja em uso, a Tribo acha sempre que não dá jeito, que não faz falta, que não é prático...
Vejamos:
- o trocador não dá jeito, pra-que-é-que-queres-isso??? É muito mais nice trocar fraldas em cima da cama (ou sofá) e correr o risco de ter de lavar colchas ou esfregar almofadas com baby ID. Já para não falar das costas, feitas num oito, por se estar a fazer vénia a Sô Dona Texuguinha... E no Tempo dos Vickings, não havia trocadores. Nem fraldas. E foram todos muito felizes...
- o parque, onde se tenta habituar a criancinha para que, quando esta começar a gatinhar, não se esconda num armário e se tenha de chamar os SEALS para a encontrar. É uma barbaridade-e-ai-jasus-que-isso-parece-uma-jaula-coitadinha-da-menina. É muito melhor perde-la dentro de casa ou, na fracção de segundo que a Mãe desvie o olhar, se espete numa esquina ou afins... E no Tempo dos Vickings, não havia parques. Nem fraldas. Nem trocadores. E foram todos muito felizes...
- a mesa acoplada à cadeirinha da papa, é um trambolho-coisa-mais-horrorosa-e-quem-desenhou-isto-não-percebia-nada. Os "idiotas" que ganham a vida a ter ideias para estas coisas, não percebem nada de nada. Tribo knows best. É bem melhor dar a sopa sem a mesa, sujar Sua Alteza Texuguesa até à tibia, o chão, a cadeira, as calças do desgraçado que foi na ladaínha do isso-não-dá-jeito-nenhum-duh, do que encaixar a mesa na cadeirinha... E no Tempo dos Vickings, não havia cadeirinhas da papa. Nem parques. Nem fraldas. Nem trocadores. E foram todos muito felizes...
- o esterilizador, esse meu amiguinho do coração cutchi cutchi, é outro trambolho-que-tal-um-tacho (adoro a palavra tacho, é uma verdadeira pérola do vocabulário português)-servia-perfeitamente-e-se-não-fossem-todos-de-uma-vez-eram-os-que-coubessem-e-além-disso-tu-confias-mesmo-que-isso-faz-alguma-coisa?... E no Tempo dos Vickings, não havia esterilizadores. Nem cadeirinhas da papa. Nem parques. Nem fraldas. Nem trocadores. E foram todos muito felizes...
Aaaaaai, valei-me...
A alimentação sólida de Sô Dona Maria Francisca Texuguinha I está bem encaminhada e recomenda-se, obrigadinha. A piquena devora quase duas conchas de sopa, com vários legumes e carne branca (tão grande a micromachines!!!) mais uma peça de fruta. Maravilha, maravilha..
Mas, no mundo das sopas infantis, algo não estava bem: a colher. Incautos Pais de 1ª viagem, pesquisaram, procuraram, compararam modelos, fizeram quasi quasi test drives para encontrar a colher ideal para alimentar a cria. No final, a decisão caiu num modelo xpto em slicone amarelinho canário piu piu, já usado no tempo dos Vickings.
Ninguém avisou foi os pobres incautos que a colher seria o verdadeiro e único torra paciências. Pois que a dita leva apenas uns míseros mL de sopa, não enchendo a boca à piquena, ficando ela a reclamar insistentemente por mais e lambendo os lábios sofregamente. A sopa e a fruta levavam quase uma hora a descer, porque pouquinho de cada vez, não dá saúde nem faz crescer mas torra a paciência da Mãe e arrefece a janta dos restantes. Acabava também por ficar mais alimento espalhado na carinha laroca e perfeitinha e bonitinha (e mais coisas delicodoces acabadas em -inha) de Sô Dona Maria Francisca Texuguinha I do que noutro lado qualquer.
Ao fim de semanas nisto, houve que fazer ajustes drásticos. Pois que a colher de silicone amarelinho canário piu piu pode ser muito pónei, mas nada chega aos calcanhares da bendita colher de chá que alimenta agora Sua Alteza Texugueza. Ela fica feliz, de boca sempre cheia até rapar o prato. A imundice pegada faz parte do passado. A Mãe mais delirante fica, que em 20 minutos dá o merecido repasto à piquena. E consegue ainda jantar a horas decentes, com a comida ainda quente.
Win win situation, mai' nada!!!
Imagem retirada daqui...
Os "sem noção" são uma sub-espécie humana. Há vários marcadores (não genéticos, espero eu) que fazem com que um aparente ser humano normalíssimo possa ser categorizado como "sem noção".
Aqui ficam alguns desses marcadores para que atentem e saibam se estão em presença destas aves raras ou não:
- se vão ao Ginecologista e são inquiridas como correu a consulta por um humano XY, que não o vosso Marido (ou esticando muuuito a corda, Pai);
- se se levantam da vossa mesa, em vossa própria casa e são sempre inquiridas de qual o vosso destino (vou só ali fazer um chichizinho, oh deixe por favor...);
- se são inquiridas do local onde a vossa cria foi concebida, com direito a insistência na impertinente questão (pode, em casos extremos, ser acompanhado de inquirição sobre a posição do acto, não que alguma vez o tenha presenciado);
- se o ser humano em questão tem memória de peixe, fazendo refresh a cada 3 segundos (isto sem que aquele senhor Alemão, tanto quanto se saiba, lhe ande a toldar as ideias), fazendo com que a mesma questão seja colocada over and over again, testando o limite da vossa paciência (e a capacidade de morder a língua e não responder com uma bela frase "nortenha");
- se o ser humano em questão tem opinião sobre o número de filhos que o casal deve ter, porque sim ;
- se o ser humano em questão vem visitar a vossa criancinha doente e insiste em sentar-se ao lado dela, segurando-a pela mão, enquanto tosse qual D. Maria de Noronha (se não vos lembrais de quem é, ide ler Frei Luís de Sousa de novo) noite fora, enquanto a Mãe da criancinha se debate se o que está a ver é realidade ou se bateu com a cabeça numa esquina e está a ter alucinações;
Se alguma destas situações vos diz alguma coisinha, então poderão ser indícios da presença de um "sem noção" na vossa vidinha.
Após várias pesquisas e estudos científicos, ainda não se descobriu a cura para um "sem noção". Existem alguns estudos remontantes ao tempo dos Vickings que sugerem que a melhor maneira de lidar com esta sub espécie é usando a técnica faça-cara-da-cú-e-use-da-cabeça-para-responder-à-letra. Outros estudos há, que apontam como melhor caminho a seguir o sou-mouquinha-desculpe-mas-não-ouvi-por-isso-não-posso-responder. Fica ao encargo do próprio decidir qual das técnicas deverá usar, quando confrontado com feroz sub espécie. Eu continuo sem saber qual devo aplicar, limitando-me a fazer cara ainda mais de parva incrédula...
E depois, eu é que preciso de maravilhas farmacêuticas... Está bem está...
Ontem foi dia de jantar de Natal (bela desculpa!) do grupinho (das resistentes) dos tempos de Faculdade (aaaaaiiii que saudades...se soubesse o que sei hoje...).
A principio, não estava muito (nada) convencida a ir. Estava eu chez Tribo (ainda por cá andamos), a arrastar-me pelos corredores, escadas e afins de pijama e arzinho alucinado e pensar em vestir-me à la Barbie (se é para sair à rua (ao que eu cheguei, pareço um cão a falar... ir à rua) é para ser a sério. Nada de deixar créditos e reputações por mãos alheias...) estava a fazer-me urticária. Mas Super Maridão e Mãe-chata-todos-os-dias, insistiram : "vais e vais mesmo", "sai-me de casa pelo amor da Santa" and so on and so forth e lá fui, pois então, à janta.
Adorei, amei de verdade. Fez-me muito bem. Ri muito. Aliviei a alma.
Francisca Texuguinha ficou em casa (Tribo) com o Pai. Quando saí, já a piquena tinha tomado banho e estava de pança cheia. Faltava só mudar a fralda mas Super Maridão estava já em modo hands on (meu rico Maridinho, coisa "mai" linda, tão bem ensinadinho, orgulho da sua "Marida"!!!. )
Antes de continuar este post, impõe-se que apresente mais alguns elementos da Tribo dos Meninos Perdidos:
- C. : Tia mas funciona quase como irmã. Viveu muitos anos com os meus Pais enquanto estudava. Não regula (nada de admirar). Tem chave de casa da Tribo e entra e sai como e quando quer, a seu bel-prazer. Por vezes, permanece por tempo indeterminado na Tribo, o que enfurece solenemente o macho alfa da casa. É Mãe do Guim Guim, el heneral.
- Antoine: Marido da C. Não regula (pensam vocês: Reaaaaaally???). Tem a panca da Ciência. É uma persona daquelas, um autêntico cromo. Exemplificando: diz que não vai a casa da A,. em Lisboa, porque... se esqueceu do GPS (WTH???? No tempo dos Vickings também havia dessas poneisices... Nunca deve ter ouvido falar de mapas (que eu não sei ler), Google maps, que dá as direcções todas direitinhas (às vezes sim, outras vezes, nem por isso) ou da velha técnica do "encosta e oh faxfavore pode dar-me aqui umas indicações?"(minha preferida) ). É Pai do Guim Guim, el heneral.
- Guim Guim, el heneral. É nosso afilhado. Completa 4 anos no mesmo dia que eu ganho mais um ano no pelo. Passou os primeiros 18 meses de vida a chorar dia e noite, sabe Deus porquê. É um doce de menino longe dos Pais. Muito meigo para a Francisca. Um pequeno déspota quando sente os progenitores around. Parece o demo. Grita e guincha como um índio. Entre outros comportamentos dignos de um selvagenzinho...
Apresentados que estão mais elementos da Tribo, voltemos à minha janta. Alapo-me, conversa para cá, conversa para lá e o telemóvel dá sinal de mensagem (tem um toque de alerta de sms todo pindérico principesco). Passo agora a citar Super Maridão ipsis verbis... (comentários a rosa, pertencem-me)
Tribo VS Super Maridão
Round 1:
"E pronto. Fui tomado de assalto (eu avisei-te!)!!! A Francisca já foi levada para uma sessão fotográfica com Guim Guim, el heneral, que a propósito te comeu os chocolates. Todos.(Porra!!! Mas os chocolates acabaram agora mesmo de me ser oferecidos por uma Amiga e ainda agora saímos daí!!! Nem lhes senti o cheiro). À frente dos Pais, comigo a dizer deixa um para a Madrinha. Mas bóia. A Francisca está agora ao colo da tua Mãe. Já esteve no da tua Avó e no da C. Vim lavar os bibs (biberões) e por a esterelizar. Carreguei no botão. Mas o esterilizador não estava ligado...(nesta casa, há um grande drama com ter coisas ligadas nas tomadas) Também porque havia de estar??? Agora estou aqui no sofá, com o heneral aos berros."
Round 2:
" A luz foi abaixo. Esterilizador a meio. O teu Pai aparece barafundo com as mãos cheias de óleo de estar a arranjar uma motoserra (não faço a mínima ideia para que raio o meu Pai quer uma motoserra... Diz que é para ir para Trás os Montes fazer não sei o quê nas Oliveiras...whatever) a reclamar com a tua Mãe porque estão muitas coisas ligadas (nunca percebi o quadro eléctrico desta casa, juro que não. Supostamente, está tudo ok, dizem os senhores da EDP. Não dá para pedir aumento de potência que isto não é nenhuma fábrica ou algo semelhante...). A C. sai-se com um "em nossa casa isto nunca acontece". Desconfio que o teu Pai foi acabar de arranjar a motosserra para lhe arrancar a cabeça (é bem possível). A tua Mãe, apesar da Francisca estar a hibernar, já lhe foi mexer 3 vezes. Não espera, 4 (dá-lhe uma sapatada, 'pá!!!) ! O heneral continua aos berros... (ainda ficas é mouco, sai daí...)!!!"
Round 3:
"Ahahaha o Antoine deu uma sapatada no puto. Parou de berrar e agora chora Mamã, Mamã... (clássico). A tua Mãe foi mexer na Texuga (outro clássico) outra vez e surpresa....!!! Ela acordou e guincha agora para ali..."
Round 4:
"O teu Pai: se calhar tem calor, abre a porta. A C.: se calhar tem frio. Eu: na volta está na menopausa... (ou também pode ser TPM)"
Tribo 4 - Super Maridão 0
Não foi por falta de aviso, meu Querido... não foi mesmo. E eu... bem, eu fartei-me de rir. No jantar e com as sms de um Marido à beira de um ataque de nervos... Quando cheguei a casa já a piquena dormia um soninho tranquilo, Maridão lia um livro que tem um bicho absolutamente horroroso na capa e a Tribo começava a recolher-se.
Priceless...
Na Tribo dos Meninos Perdidos, há que ter tudo debaixo de olho. Misteriosamente, as coisas desaparecem sem deixar rasto. Ou então assumem novas e estranhas funções.
Num destes fins-de-semana em que fomos à cidade do timbre pardacento, o escovilhão dos biberões da bebé Milupa teve um fim trágico, pouco digno de um utensílio usado para lavar a fonte de alimentação da piquena.
Entro na cozinha e deparo-me com o meu Pai, tranquilíssimo da vida, a passar os pratos por água para os colocar na máquina de lavar loiça. O meu Pai é daqueles Homens à séria, que ajuda em tudo o que pode. Era ele que me mudava fraldas em pequena, só para terem uma ideia da espécie de Homem que estou a falar. Pensei para mim mesma : "My Daddy rocks. Yeah!!!" Até que me aproximei da banca e reparei que a escova usada para retirar os restos de comida dos pratos não era uma escova mas sim o escovilhão. Drama, horror, tragédia...
-" Oh PAAAAAAAI, tu não vês que isso não é uma escova da loiça?"
- Hãaaaa??? (cara de espanto)
- Tu achas que isso é uma escova de limpar os pratos?
-Não é? (cara ainda mais espantada)
-Nãaaaaaaaaaaao. É o escovilhão de lavar os biberões da miúda!!!
-É o quê? (ar muito mais espantado)
-O escovilhão, aquela coisa com que esfrego os biberões, estás a ver?
- Não... No teu tempo (e no tempo dos vickings, presumo eu) não havia estas poneisices... Mas digo-te já, dá imenso jeito para tirar os restos de comida dos pratos!!!"
Virei costas a abanar a cabeça. A Tribo dos Meninos Perdidos é uma causa perdida, it's not worth the fight...
E assim, o escovilhão viu a sua curta existência como utensílio para biberões terminada (e 4 oiros, como diz a minha Avó, foram ao ar). Mas o meu Pai ficou feliz com a sua nova escova para a loiça xpto...
É o que é preciso senhores, alegria... (e paciência, muita paciência...)
Estou a ficar burrinha... Mesmo burrinha...
Explicando: eu, Mamã da Francisca, habituada a lidar com fórmulas químicas, protocolos xpto e complexos, técnicas com fancy names and so on and so forth... ando com dificuldade a contar quantas colheres de leite em pó tenho de adicionar para o volume x de água (algo que também aconteceria no Tempo dos Vickings para Mamãs que só usam leite artificial). Está tudo explicado na caixa do alimento da minha cria, não há como enganar. Mas às duas por três, enquanto ouço a sinfonia do waaaa waaaaa waaaaaaaaa (e começo a ficar com zumbidos nos ouvidos) e deito um olho na piquena, já não sei se adicionei uma, duas ou meia dúzia... Água fora e toca a pegar noutro biberão e a recomeçar o protocolo da coisa... Enquanto isso, a bebé Milupa (once Nestlé) berra e mostra os seus belos pulmões "Dá-me de comer toininha waaaaaa waaaaaaa waaaaaa!!!" E eu, mais aflita fico e já não sei quanto pózinho mágico meti no biberão... Let's start all over again... Sim, foram precisos 3 biberões (um inconfessável) até eu atinar e conseguir contar o número certo de colheres...
Dear Lord... o meu cérebro está a mingar a uma velocidade supersónica. Será que me posso inscrever no Livro do Guiness? É que sinto que seria capaz de conquistar um novo recorde...
Um dia destes fui comprar o belo do sling... Depois de semanas a moer o juízo à cara metade com argumentos variados como que era giro, que dava jeito, que era fashion, que os daquela marca específica eram mesmo porreirinhos e nada caros, que os bebés adoraaaam o sling, blá blá blá, consegui convencer a que me levassem a ver o novo objecto do meu desejo consumista.
Fomos os 3, com o Maridão a reclamar para que é que eu queria "aquele pano"... Experimentei a coisa na loja com a Francisca. Ambos (adoro quando ele acaba quase sempre por me dar razão) achamos um piadão desgraçado a ver a nossa micromachines no sling. A Francisca também pareceu gostar da nova aquisição para a panóplia de tralha que um bebé acarreta (no tempo dos Vickings também se usavam slings, carrinhos de passeio Todo-o-Terreno e sacas póneis para ir passear 10 min à rua...)
Mas o que eu gostei mesmo mesmo mesmo foi das instruções que vinham com a nova aquisição.
E rezavam qualquer coisa do género (versão adaptada porque sem querer mandei a "bula" para o lixo):
- Quando passar em portas/ ombreiras e afins deixe sempre espaço entre o sling e a barreira arquitectónica para evitar bater com o bebé nas ditas... (gostei muito da dica preciosa...eu até sei para quem esta dica deveria vir em letras gigantones e fluorescentes mas não posso dizer para não me apelidarem de mázinha);
- Não fume, faça sopa ou beba bebidas quentes quando estiver com a criancinha no sling... (vá-se lá saber porquê... );
- Não se debruce para a frente com o bebé no sling pois ele pode cair... NO SHIT Sherlock!!!;
- Não pratique certas actividades como (e eu achei esta a cereja no topo do bolo) andar de bicicleta ou skate com o seu (sua) piqueno(a) !!! Então??? Assim não vale!!! Eu a pensar que era desta que me aventurava a descer a rua dos meus Pais (naaaaada íngreme) ao melhor estilo Hélio versão Mamã...
Mas fora as instruções um pouco a dar ao muito estranhas, estou contente com a compra. E até acho que, provavelmente, se usaria no tempo dos Vickings algo semelhante ...
De momento, estou limitada a ser telespectadora dos 4 canais nacionais. Tv por cabo regressa na Sexta-feira (que saudades da Fox Life, tão fofinha)... Até lá, estou a descobrir todo um Novo Mundo...
Devo referir que nos últimos dias de confraternização com estes 4 canais (com os quais não convivia há largos meses mas aposto que estavam com saudades de uma telespectadora tão maravilhada como eu), o meu nível cultural subiu em flecha. Mas uma coisa absurda mesmo, não estão bem a ver!!!
De manhã, a minha sanidade mental ainda se aguenta...até às 10h. Depois, é sempre a descer vertiginosamente... O cardápio do deixe-de-pensar-em-coisas-sérias-e-estupidifique inclui sabores para todos os gostos. Telenovelas novas, velhas, Brasileiras ou Portuguesas são prato constante pelo dia e noite fora (desculpem, mas não aprecio as ditas...). Há também séries de vampiros (já não há paxorra para vampiros, pelo amor da Santa), séries juvenis onde os actores são adolescentes em trajes menores sem ponta de jeito para a representação e boas séries a passarem em horários impróprios aqui para a Je. Os programas matutinos após as 10h em 3 dos 4 canais não merecem reflexões (mesmo sendo todas elas parvas) da minha parte, assim como os que fazem "companhia" até ao final da tarde...
Mas a melhor pérola descobri hoje. E achei delicioso: o Dragon Ball do futebol!
- "Guilherme, que é isso que está a dar?"
- "É o Dragon Ball do futebol !!!"
Arregalo os olhos, encolho os ombros e penso que ignorance is a bliss...(ou a ausência de Tv como no tempo dos Vickings).
Vá, é só até Sexta...
Hoje chegou o Snuza! Após intensa pesquisa na Internet , achamos que faria todo o sentido ter um Snuza (e digo isto como se a restante Humanidade tivesse conhecimento de causa de que raio é um snuza...ou como se fosse algo que remonte ao tempo dos Vikings...).
O Snuza é, nada mais nada menos, do que um pequeno (e caro) aparelhómetro que se prende na fralda do nosso pequeno bebé. Se durante mais de 20 segundos a referida engenhoca não detectar nenhum movimento respiratório, aplica um estímulo vibratório à criancinha...e se mesmo assim, não conseguir obter a resposta desejada, começa a apitar para alertar os Pais (isto é tudo na teoria, estou a resumir o que vem escrito na caixa. O Marido será o meu ratinho de laboratório para testar a nova aquisição. Ah e também para ver se não põe a Francisca com os cabelos em pé, como agoura a Avó...)
Antes de engravidar, fartava-me de rir (talvez deva mesmo dizer: rebolar a rir, gozar de maneira quase indecente) com estas mariquices, que surgiam apenas para levar os Pais de 1ª viagem a gastar dinheiro de forma desnecessária. Não percebia como era possível a razão ficar tão toldada (ou muitas vezes pensava que seria algum tipo de demência passageira). E como achavam os Pais de 1ª viagem, dadas então tamanhas necessidades prementes para o bem estar do bebé, que tinham sido criados? ( o que nos remete de novo para o tempo dos Vickings). Mea culpa... (daqui a uns meses irei culpar, muito provavelmente, as alterações hormonais para tal ter sucedido). Mas por agora, se me traz alguma paz de espírito (e me ajudar a dormir) , não me importo de me ridicularizar um pouco...
E assim, hoje tornei-me a orgulhosa e feliz proprietária de um Snuza...